Lázaro Ramos e Taís Araújo estreiam peça que reinventa o último dia de Martin Luther King

Montagem que já passou por Londres e Broadway chega a São Paulo com direção de Lázaro Ramos e mostra que um mártir americano pode tocar o coração dos brasileiros  – com patrocínio exclusivo do Santander

Há quase cinquenta anos, no dia 4 de abril de 1968, o mundo se despedia de Martin Luther King Jr, o pastor protestante e ativista político que se tornou ícone por sua luta pelo amor ao próximo e pelo repúdio à segregação racial norte-americana. Vale lembrar que somente entre 1883 e 1959, cerca de cinco mil negros foram linchados nos estados do Sul do país – e é este o momento histórico que a jovem dramaturga Katori Hall desconstrói na ficção O Topo da Montanha, peça que estreou aclamada em Londres, em 2009, ganhou versão na Broadway, em 2011, e que agora chega ao Brasil, em São Paulo, no Teatro Faap, no dia 09 de outubro de 2015, protagonizada e também produzida por Lázaro Ramos e Taís Araújo, com direção de Lázaro Ramos e codireção de Fernando Philbert.

Lazaramo Ramos e Thais Araújo estão em cartaz no Teatro FAAP. (Foto?: Jorge Bispo)
Lazaramo Ramos e Tais Araújo estão em cartaz no Teatro FAAP. (Foto?: Jorge Bispo)

O Topo da Montanha faz alusão ao último discurso de Martin Luther King  (I’ve Been to the Mountaintop) realizado em Memphis, na Igreja de Mason, no dia 3 de abril de 1968, um dia antes de seu assassinato, cometido na sacada do Hotel Lorraine. É exatamente neste cenário, do quarto 306 – e na sequência de suas derradeiras palavras públicas –, que Martin Luther King, interpretado por Lázaro Ramos, conhece Camae, encenada por Taís Araújo, a misteriosa e bela camareira em seu primeiro dia de trabalho no estabelecimento. Repleta de segredos, ela confronta o líder em clima de suspense e simultaneamente debochado. Deste modo, em perfeito jogo de provocações, faz o reverendo se lembrar que, como todos, é humano. Por meio do humor e da emoção, faz rir e pensar com retórica atual, seja para americanos ou brasileiros.

 

A escrita, diga-se, faz sentido mesmo quando comparada à situação política daqueles tempos. Para citar uma frase do espetáculo: “parem a guerra do Vietnã e comecem a lutar contra a pobreza” – vista sob a ótica do presente, ela ainda parece possível ser proferida e ressalta as características de um líder que “teve a força de amar aqueles que jamais puderam o amar de volta”. “Este texto me perseguiu como ator por dois anos, por meio de pessoas que diziam que tinha de fazê-lo no Brasil. E é contemporâneo porque é uma história também sobre enfrentar medos. Sobre os trilhos da coragem e do afeto”, resume Lázaro. “Tínhamos muito receio de que o texto fosse americano demais e não tocasse as pessoas. Mas o tempo e uma boa tradução nos convenceram que as questões do amor e da igualdade são relevantes e próximas a todos nós”, complementa Taís.

 

A boa tradução para o português a que se refere Taís é de Silvio José Albuquerque e Silva, responsável por dar vida a temas universais e ainda envolventes. “Hall revela um líder ao mesmo tempo radical e pragmático, profético e imprevidente, sonhador, sedutor, frágil e, sobretudo, humano”, resume Silvio.

 

O Topo da Montanha chega ao Brasil com patrocínio exclusivo do Santander e tem como transportadora oficial a Avianca.

 

Lázaro e Taís, a dupla que sucumbiu a um líder americano

 

Também produtores da versão brasileira, Lázaro Ramos e Taís Araújo continuam a trajetória de sucesso ascendente da montagem. O Topo da Montanha fez sua primeira aparição em Londres, em 2009, ocasião na qual encantou espectadores ingleses e recebeu o prêmio Lawrence Olivier como melhor peça estreante. Já em 2011, aterrissou na Brodway, em Nova York, encenada por Samuel L. Jackson e Angela Basset. De lá para cá, um caminho de acasos levou Lázaro Ramos e Taís Araújo a ela.

 

O primeiro a vê-la, em Manhatan, foi um amigo do casal que a mencionou a Lázaro Ramos. Mais tarde, o diretor João Falcão apresentou ao ator o texto original, em inglês, ainda se dispondo a dirigi-lo. Feita uma primeira tradução, a conclusão da dupla Taís e Lázaro parecia irrevogável: o script era distante da realidade brasileira e demasiado americano, portanto não envolveria ninguém do lado de baixo da linha do Equador.

 

Mas o tempo passou, e Lázaro Ramos entrevistaria Joaquim Barbosa. Seu chefe de gabinete, Silvio Albuquerque, admirador e conhecedor de Martin Luther King, entregou uma nova tradução a ele – inicialmente deixada de lado até que Taís a lesse. “A nova tradução era muito boa e ora eu ri, ora me emocionei. Finalmente fazia sentido e tive a convicção de que era viável para o Brasil. Insisti para que Lázaro a revisse e, mais tarde, com a impossibilidade do João Falcão dirigir, pressionei para que ele a assumisse”, relembra Taís. “Dirigir não estava em meus planos, principalmente porque conciliar a direção com a atuação era algo que eu sempre disse que não faria. Taís, minha grande parceira de cena e de vida, me convenceu a encontrar e acreditar na força de Martin Luther King”, prossegue Lázaro.

 

É um encontro, afinal, completo para o casal Taís Araújo e Lázaro Ramos – que à parte a vida conjugal comum, os trabalhos na televisão e no cinema, possuem carreiras sólidas também nos palcos. A carioca Taís Araújo faz desta sua décima peça teatral como atriz e a segunda como produtora – já esteve no elenco de Orfeu da Conceição; Personalíssima; Gimba; Liberdade para as Borboletas; Solidores; O Método Grönholm; Amores, Perdas e Meus Vestidos; Disse que Disse e Caixa de Areia. Já o soteropolitano Lázaro realizou mais de 20 espetáculos com o Bando de Teatro Olodum de 1994 a 2002, entre eles; Sonhos de Uma Noite de Verão, Ó Pai Ó e Ópera dos 3 Vinténs. Após sair de Salvador, destaque para A Máquina; Mamãe Não Pode Saber e o Método Grönholm, além de ter dirigido e escrito os infantis As Paparutas; A Menina Edith e a Velha Sentada, bem como esteve à frente da direção dos adultos Campos de Batalha e Namíbia, Não.

 

Ficha Técnica

 

Texto de Katori Hall

Direção de Lázaro ramos

Codireção de Fernando Philbert

Tradução de Silvio Albuquerque

Consultoria Dramatúrgica de Angelo Flávio

Assistência de direção Thiago Gomes.

Com Lázaro Ramos e Taís Araújo

Preparação vocal de Edi Montecchi

Cenografia de André Cortez

Iluminação de Valmyr Ferreira 

Figurinos de Teresa Nabuco

Trilha sonora de Wladimir Pinheiro

Fotos de Jorge Bispo

Projeto gráfico da Estação Design

Revisão de Regina Stocklen

Assessoria de imprensa de Antonio Trigo

Serviços de camareira de Solange Carneiro

Administração geral de André Mello

Administração e assistência de produção RJ de Marta Tramonte

Produção executiva de Carmem Oliveira e Viviane Procópio

Direção de produção de Radamés Bruno

Produção da BR Produtora

Produtores associados e realização de André Mello, Lázaro Ramos e Taís Araújo

 

 

Serviço

 

Teatro Faap (http://www.faap.br/teatro)

  1. Alagoas, 903, Higienópolis, São Paulo – SP

Televendas: 11 3662 7233 e 3662 7234

Lotação: 506 lugares / Classificação: 12 anos

Estacionamento limitado e vagas para deficientes.

 

Quando? Sexta, 21h30, sábados, 21h e domingos às 18h – 80 minutos de duração. Ingressos a R$90. Aceita Visa, Mastercard.

 

Descontos para estudantes, professores da rede pública de São Paulo, aposentados, maiores de 60 anos e ainda desconto de 50% em cima do ingresso cheio para clientes e funcionários do banco Santander – com direito a um acompanhante.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s