Ícone feminista e diva da música, Valesca lança livro que diverte, emociona, faz pensar e provoca

Cantora escreve com coragem sobre assuntos polêmicos, como os proibidões do início da carreira, as desavenças e desafios do mundo do funk e a liberdade sexual das mulheres. Também revela histórias de seu cotidiano e da relação com artistas, amigos e a sua família

Valesca Popuzuda lança livro durante a Bienal Internacional do Livro de São Paulo. (Foto: Divulgação)
Valesca Popozuda lança livro durante a Bienal Internacional do Livro de São Paulo. (Foto: Divulgação)

Imagina encontrar a Valesca num supermercado fazendo compras e sentar para tomar um longo café com ela, bater um papo sobre diversos assuntos, desde os cuidados com o filho adolescente até a relação carinhosa com os fãs, passando pelas histórias de bastidores dos seus shows e da indústria musical, o último modelo de sapato que ela comprou, a amizade com os artistas que admira. Ou ainda sobre temas tidos como mais sérios, como as humilhações que a mãe sofreu no trabalho de faxineira e dentro de casa, onde enfrentou violência doméstica; a sua defesa da comunidade LGBT, o seu posicionamento sobre educação sexual ou o papel da mulher na sociedade?

Sou dessas: pronta para o combate é mais ou menos como esse encontro hipotético com a diva, que começou a sua batalha profissional como frentista em um posto, depois atuou como dançarina de funk num grupo de mulheres até se tornar a cantora que mandou um “Beijinho no ombro” para a sociedade e agora está lançando um livro para compartilhar a sua visão sobre os assuntos que a movem e contar histórias, de forma leve e divertida, sobre a sua vida.

Com a coragem de quem gravou um clipe sentada ao lado de um tigre de verdade, Valesca não deixou de fora do livro nenhum assunto polêmico. Ela fala sobre aborto, liberdade sexual, os funks proibidões que cantava no início de carreira, as desavenças com as mulheres-fruta, a sua experiência num reality show da TV, as decepções com artistas que a ignoraram em bastidores de programas de TV e o preconceito que enfrentou para se estabelecer como cantora independente, sem gravadora, numa sociedade extremamente machista. Com a mesma elegância com a qual evita citar nomes de quem a destratou, ela conta que adora fazer caridade e ajudar mulheres e pessoas da comunidade LGBT que a procuram, mas não faz disso propaganda.

A Valesca do livro é aquela que adora fazer compras e achar promoções no supermercado, mas que não pode mais se dar a esse luxo (luxo, sim!) porque são muitos os fãs que pedem para tirar foto e conversar e ela não deixa de atender ninguém, sem exceção. É a filha que chora ao lembrar do dia em que uma patroa se recusou a fornecer duas marmitas, para ela e para a mãe, num dia de trabalho. É a mãe que liga para o ex-marido de madrugada quando o filho não chega em casa no horário combinado e pede socorro para encontrar o moleque. No livro, ela confessa que fuça o celular do filho e faz tudo o que pode para tentar saber se ele está fazendo alguma coisa errada. Quem nunca, não é?

Com seu estilo inconfundível, Valesca diverte, emociona, faz pensar e provoca. Quando fala, por exemplo, das letras de funk conhecidas como proibidões, ela conta que ajudou muita mulher a se libertar de maridos opressores ou a ver que elas podem sim gostar de sexo e exigir respeito. A diva manda recados para os meninos, ao condenar a cultura do estupro e as cantadas abusivas nas ruas, mas também alerta as garotas para o cuidado com a gravidez precoce e as doenças sexualmente transmissíveis. Nos trechos mais engraçados, conta casos como o dia em que foi ao show da sua musa Beyoncé e ficou na fila, junto com os fãs, até entrar e ser levada pela produção da americana para um local VIP do evento. Ou do dia em que passou três horas num supermercado sendo confundida com atriz de novela e ex-BBB.

“Sou dessas” é surpreendente para os leitores e leitoras que já são fãs e para aqueles que ainda não conhecem a história e os pensamentos de Valesca. Se você bater de frente, já sabe que é “tiro, porrada e bomba”. Mas, se quiser se divertir, saiba que ela é “dessas que gosta de zuar e, de vez em quando, gosta de aprontar” também.

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