Livro clássico do polonês Stanislaw Lem volta às prateleiras em edição pela Aleph

Após passar anos esgotado, Solaris, romance de ficção científica escrito em 1961 pelo polonês Stanislaw Lem, volta às livrarias em maio. A obra chega ao leitor em uma edição caprichada: texto traduzido por Eneida Favre direto do polonês e um projeto gráfico luxuoso, com capa dura. O livro passa a integrar o catálogo da Aleph de obras importantes da ficção científica que inspiraram sucessos do cinema, ao lado de Laranja Mecânica2001: Uma Odisseia no EspaçoO Planeta dos MacacosEu Sou a LendaJurassic Park, entre outros.

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O texto de Lem tornou-se um marco no gênero ao tratar de assuntos delicados, como traumas pessoais, inteligência humana e ciência, com uma grande carga emocional e psicológica envolvida. Ao longo das páginas, o autor conseguiu imaginar cenários vivos com maestria, descrever os empecilhos da comunicação com espécies alienígenas, retratar como a condição humana pode ser incapaz de lidar com o novo e o inexplorado sem causar destruição, e ainda levantar discussões: o amor é uma projeção? Qual o lugar da humanidade no universo? Até que ponto as memórias formam uma identidade? E o autor tece esses assuntos com uma escrita inteligente e irônica, um dos grandes trunfos da obra.

Solaris recebeu três adaptações cinematográficas. O primeiro filme foi gravado em 1968, na Rússia, porém não teve tanta repercussão. Já em 1972, foi lançada a versão mais reconhecida, dirigida por Andrei Tarkovski, que tornou-se um clássico cult e venceu o Grand Prix no Festival de Cannes, umas das categorias mais importantes do evento. Sua versão hollywoodiana, lançada em 2002 e estrelada por George Clooney, teve relativo sucesso de público – gerou cerca de 9 milhões de dólares em sua estreia –mas não agradou muito o autor, que criticou o erotismo do filme:

“Na minha compreensão, o livro não é dedicado aos problemas eróticos das pessoas no espaço… Como autor de Solaris, vou me permitir ser repetitivo, eu só queria criar a visão de um encontro humano com algo que certamente existe, de uma maneira poderosa, mas que não pode ser reduzido a conceitos, ideias ou imagens humanas. É por isso que o livro foi intitulado Solaris e não Amor no Espaço.

A TRAMA 

O livro traz a história do cientista Kris Kelvin, psicólogo que vai ao planeta Solaris para estudar um oceano vivo – e possivelmente inteligente – que cobre a sua superfície. Mas ao chegar na estação espacial, Kelvin encontra colegas de trabalho hostis e amedrontados. Logo ele descobre que esses respeitados cientistas estão sendo perturbados por estranhas aparições, que também começam a afetar sua própria percepção. O que ele vê são suas memórias mais obscuras e reprimidas, materializadas por obra de alguma misteriosa força atuante no planeta.

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