ALEPH PUBLICA METRÓPOLIS PELA PRIMEIRA VEZ NO BRASIL

Capa de Metropólis. (Foto: Divulgação)

Com tradução direta do alemão, a edição conta com 25 ilustrações do artista Mateus Acioli e textos de Marina Person e Anthony Burgess

Um marco na literatura do século XX, o livro Metrópolis é lançado pela primeira vez no Brasil pela editora Aleph. Escrita pela alemã Thea Von Harbou, a obra foi a inspiração para o filme homônimo de Fritz Lang, considerado um clássico absoluto na história do cinema. Um dos principais lançamentos da editora em 2019, Metrópolis foi uma das bases fundadoras da ficção científica, numa época em que o imaginário popular ainda não era povoado por tantas referências de robôs e seres mecânicos.

Publicado com apoio do Instituto Goethe, esta edição luxuosa e de capa dura faz jus à importância do livro. Inspirado no pôster original do filme, o renomado designer Pedro Inoue foi o responsável pela capa e pelo projeto gráfico. A edição também apresenta 25 ilustrações de Mateus Acioli, que seguiu a mesma estética da época com ares contemporâneos, pontuando passagens importantes e as conectando ainda mais ao clássico.

Além do visual primoroso, esta edição da Aleph traz diversos materiais extras, como um texto inédito da cineasta Marina Person sobre o filme e sua criadora, uma análise de Franz Rottensteiner – famoso editor de ficção científica de língua alemã –, um relato de Anthony Burgess, autor de Laranja Mecânica, sobre o impacto do filme em sua vida; e ainda a reprodução de algumas páginas da revista de divulgação do filme, feita para a estreia de Metrópolis em Londres (no Marble Arch Pavilion, em 21 de março de 1927), com curiosidades da produção e textos complementares.

A tradução foi feita diretamente do alemão por Petê Rissatti, responsável por traduzir os livros de John Scalzi no Brasil (Ed. Aleph), além de dezenas de outras obras, como A metamorfose (Ed. Antofágica) e Ele está de volta (Ed. Intrínseca).

Influência na cultura pop

Além de ter sido um marco na história da ficção científica, Metrópolis teve forte influência na cultura pop. A banda Queen, por exemplo, fez alusões ao longa no clipe de “Radio Ga Ga”, em 1984. Cinco anos depois, Madonna se inspirou no filme – ou no próprio clipe do Queen – ao fazer o vídeo de “Express Yourself”. Lady Gaga também usou referências da obra em “Alejandro”, “Born This Way” e “Applause”.

Muitos personagens do cinema tiveram alusão à criação de Thea von Harbou. O Dr. Emmett Brown, de volta para o futuro (1985), foi inspirado no Dr. Rotwang. A Gotham de Batman (1989) e a arquitetura de Blade Runner (1982) beberam dos cenários do longa-metragem. E não é muito difícil encontrar semelhanças entre a androide Maria e C-3PO de Star Wars. Como Marina Person destacou no posfácio, as influências aparecem também no Brasil, como no álbum The Mediator Between Head and Hands Must Be the Heart, lançado em 2013 pela banda Sepultura, que nada mais é do que a frase ícone do roteiro de Metrópolis e do romance de Thea von Harbou: “O mediador entre o cérebro e as mãos deve ser o coração.”

O romance foi publicado em 1925, dois anos antes da adaptação cinematográfica do diretor Fritz Lang, com quem Thea era casada. A escritora, que também foi uma das roteiristas do filme, possui uma carreira cinematográfica extremamente produtiva, tendo roteirizado clássicos como M: o vampiro de Düsseldorf e A mulher na lua, ambos dirigidos por Lang.

Em 1940, Thea von Harbou se filiou ao partido nazista e, durante o governo de Hitler, foi presidente da Associação Alemã de Autores de Filmes Falados, que estava alinhada à Câmara de Cultura do Reich. Segundo a Aleph, esta edição “não tem intenção de apagar nem diminuir o envolvimento da autora com o regime nazista. Pelo contrário, visa trazer à luz este importante documento histórico da cultura alemã e mundial que reverbera até os dias atuais e, ao conhecer a vida de sua autora, suscitar discussões indispensáveis sobre temas que permeiam toda a sua obra”.

SINOPSE

Na cidade futurística de Metrópolis, a população divide-se em dois andares. No primeiro, uma elite dominante desfruta dos prazeres da vida; no segundo, subterrâneo, os trabalhadores lutam para sobreviver. Quando Freder, o filho do Senhor da grande Metrópolis e habitante do primeiro andar, se apaixona por Maria, da cidade subterrânea, começa a conhecer melhor as condições às quais os trabalhadores são submetidos. Uma revolta começa a surgir entre os operários, e só o que faltava para uma revolução era uma líder. Quando ela surge, nada pode conter a fúria dos oprimidos.

Ficha Técnica
 
Editora Aleph
Título: Metrópolis
Autora: Thea von Harbou
Formato: Capa dura
Páginas: 416
Preço: R$ 99,90

Sobre a autora

Thea von Harbou nasceu em 1888 em Tauperlitz, na região alemã da Alta Francônia. Na década de 1920, foi muito prolífica e se tornou uma das escritoras e roteiristas de maior sucesso da Alemanha. Foi uma das roteiristas do filme Metrópolis, dirigido por Fritz Lang, com quem era casada, e escreveu outras obras cinematográficas. Em 1932, juntou-se ao partido nazista como chefe da indústria cinematográfica alemã. Faleceu em Berlim, aos 65 anos, após um acidente.

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