Crítica Cobra Kai – Uma temporada para aplaudir de pé

Nova temporada mostra que a Netflix acertou em cheio ao deixar com a “sua cara”, mas sem decepcionar os fãs

Por Antonio Lemos

4ª temporada de Cobra Kai já está na Netflix. (Foto: divulgação)

Ter um estilo agressivo ou conservador? Ofensivo ou defensivo? Somos acostumados a ver/ouvir no nosso no futebol e nas artes marciais não poderia ser diferente. Os lutadores em questão precisam de um verdadeiro jogo mental para induzir o seu oponente se vai golpear primeiro ou ficar no “banho-maria”. É nesse mote que a 4ª temporada de ‘Cobra Kai’, disponível na Netflix, aborda nos seus 10 episódios e não decepciona os fãs da franquia ‘Karatê Kid’ com cenas de ação para tirar o nosso fôlego, trilha sonora de respeito e alguns pontos de interrogação a serem resolvidos na próxima temporada.

Senta que lá vem spoiler…

Se os senhores não ligam para spoilers, o seu lugar é aqui! Recordar é viver, e para quem assistiu a última cena da 3ª temporada repararam que os dois senseis – Daniel LaRusso (Ralph Macchio) e Johnny Lawrence (William Zabka), com o seu Eagle Fang (Presas de Águia) – dividiam o  Miyagi-do em busca de unirem forças contra o Cobra Kai, liderado por John Kreese (Martin Kove).

Meses depois e todos estão nos preparativos para mais um torneio All Valley, com os dois protagonistas precisando deixar a rivalidade de lado. O pacto entre os mestres em que o perdedor fecharia o seu dojô deixou o clima bem acirrado durante os 10 episódios. No primeiro momento parece que dá certo, mas tanto LaRusso quanto Lawrence  são pessoas diferentes, que gostam de competir e têm estilos opostos. Enquanto o discípulo do Mestre Miyagi preza pelo equilíbrio e defesa, além de ensinar os alunos e fazerem círculos para pegar uma carpa no lago, o personagem de Zabka é além do “pé na porta”, gosta de ir ao ataque e seus ensinamentos são tanto quanto desafiadores, como pular de um prédio para outro. Eles podem até se unir por dois, três episódios, mas no fundo sempre serão rivais e a picuinha deles vai parar no túmulo.

O nível começa a subir a partir da metade final da temporada com a “milésima” treta entre LaRusso e Lawrence, e toda aquela troca de experiências entre os dojôs vão para o ralo. Johnny segue com o seu Eagle Fang e querendo recrutar novos alunos, enquanto o Miyagi-do seguia focado para vencer o campeonato. No entanto, duas peças nesse tabuleiro ficam tanto quanto confusos. O casal Samantha (Mary Mouser) e Miguel (Xolo Maridueña) buscavam ser os conciliadores e apaziguarem os ânimos dos senseis. Ao mesmo tempo, seus princípios eram encontrar um estilo próprio juntando o ensinamento dos protagonistas.  “Assim como o bonsai escolhe seu jeito de crescer porque raiz ser forte, você escolhe seu Karatê por mesma razão. Um dia você faz do seu modo”, já dizia Sr. Miyagi em ‘Karatê Kid – A Hora da Verdade’ e o diálogo entre LaRusso e Lawrence mostra que os dois estilos são válidos, dando autonomia para usarem contra os alunos de Kreese.

Para quem pensou que os protagonistas iriam brilhar nesta 4ª temporada, se enganou e os coadjuvantes foram muito bem. Tory (Peyton List) e Eli “Hawk” (Jacob Bertrand) se destacaram e propiciaram grandes momentos de ação, principalmente no torneio. Robby (Tanner Buchanan) passou os 10 episódios movido na base do ódio, mas diminuiu a guarda nas cenas finais e passou a entender o que aconteceu com o pai, Johnny, para ele ter se distanciado do que o fazia mal e nunca ter aprendido a lidar com os fracassos pessoais.

A série também aborda o bullying praticado na escola com o novato Kenny (Dallas Dupree Young) sendo vítima de Anthony (Griffin Santopietro), filho de Daniel. Cansado de sofrer, o garoto procura o Cobra Kai e Robby vira o seu “mestre”. No entanto, o menino, que era animado com a vida, gostava de videogame e nerdice, vira uma máquina de ódio em forma de guri, fazendo tudo errado ao que o filho de Lawrence ensinou.

Diante a tantos personagens, o que realmente ganhou destaque foi o retorno de Terry Silver (Thomas Ian Griffth), diretamente de ‘Karatê Kid 3 – O Desafio Final’ e o seu inconfundível rabo de cavalo (agora totalmente branco). O homem estava numa boa curtindo a nova vida e tocando o seu piano, quando Kreese entrou em ação pedindo sua ajuda. A série, então, acaba colocando o personagem de Kove em segundo plano quando é sabotado por Silver, que se torna o grande vilão da desta e da próxima temporada, mostrando que ainda tem muita garrafa vazia para vender.

No geral, ‘Cobra Kai’ mostra que a Netflix acertou em cheio ao deixar com a “sua cara”, mas sem decepcionar os fãs. Além disso, a trilha sonora com rock de boa qualidade como “You’ve Got Another Thing Comin” do Judas Priest e “Dirty Deeds Done Dirt Cheap” do AC/DC, dá vontade de pegar a nossa guitarra, arriscar alguns rifs e ficar antenado com a próxima cena. Na escala desse ser que vos escreve, a 4ª temporada só perde para a 2ª, quando houve aquela cena épica da luta na escola. Com duração um pouco maior dos episódios, para quem pensou que ficaria arrastado, se enganou, pois o público fica preso do começo ao fim.

Com alguns desfechos e surpresas, é pedir muito para que a 5ª temporada chegue logo? É bom iniciar a contagem regressiva, meus jovens!

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