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As Figuras Femininas em “Live by Night”

Por Renan Villalon

História. Se há uma palavra que pode nos ajudar a definir atmosferas e temas cinematográficos, e suas diversas épocas referentes, é essa palavra, tão curta e ao mesmo tempo tão abrangente sobre diversificados assuntos. Pois bem, o contexto histórico de Live by Night (A Lei da Noite), dirigido, escrito e atuado por Ben Affleck, é nada menos do que situado no intenso período entre guerras – chamado assim por se tratar da época entre as Primeira e Segunda Guerras Mundiais (1918-1939) –, e, embora a sua primeira caracterização seja como um filme de gângsteres, há outros gêneros embutidos em sua narrativa, os clássicos film noir e, ainda mais antigo, western.

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“A Lei da Noite” estreia  hoje e mescla dois gêneros. (Foto: Divulgação)

Dos três gêneros, aquele que pode ser identificado como presente na época entre guerras, de fato, são os filmes sobre a máfia (gângster), embora há uma ressalva sobre essa ideia. Coloco isso pelo fato de que esse gênero, aqui reconhecido, é tradicional desde os anos 1910 no cinema, mas, ainda assim, ganhou maior destaque na clássica fase a partir dos anos 1930, com a chegada do cinema sonoro no final dos anos 1920. Já o gênero noir, com elementos que o colocariam como um “filho” do cinema dos mafiosos, chegaria na época dos anos 1940, com tramas complexas recheadas de textos extensos, personagens ambíguos e crimes a serem desvendados por um perspicaz detetive. O último deles, western, os famosos filmes de cowboy, com grandes perseguições a cavalo e com xerifes e bandidos trocando tiros em meio a diligências, existe desde a passagem dos séculos XIX a XX e, assim, como um dos primeiros e mais clássicos gêneros do cinema.

Em um âmbito mais geral, os três gêneros tratam de tramas sobre crimes, um deles movidos pelo ponto de vista dos criminosos (gângster), outro pela observação dos homens da lei (noir), e o terceiro pela caracterização quase mítica de ambas as figuras, em contínuos combates (western), nos quais cada um deles possui seus característicos personagens e motivações narrativas. Entretanto, o quê esse resgate histórico teria a ver com Live by Night?

A trama serializada de Ben Affleck, e digo isso porque há uma característica diferença entre os diversos “climas” presentes em sua narrativa visual e textual, é caracterizada por esses três gêneros, misturando aspectos das temáticas e trazendo um interessante diálogo entre elas.

Podemos iniciar nossas investigações fílmicas, primeiramente, pelo tema principal que surge na narrativa de Ben Affleck, que é justamente a atmosfera caótica e violenta, com uma copiosa trama de vingança e manipulação, que aparece entre as grandes ações dos personagens masculinos criados pelo atual diretor e roteirista. Algo típico do cinema gângster e que é um fator que conduz grande parte do texto de Affleck é a forma como as famílias White (máfia irlandesa) e Pescatore (máfia italiana) se entrelaçam de maneira rivalizada, com uma ação possuindo o retorno da outra e vice-versa, num jogo contínuo de ameaças nas quais os civis são meros espectadores.

Entretanto, embora o gênero dos gângsteres seja, em suma, uma temática altamente patriarcal, na qual os homens não apenas possuem o grande domínio das ações assim como, seus principais representantes, tratam as mulheres como simples joguetes em suas mãos, aqui temos algumas das mais importantes motivações dramáticas conduzidas pelas mulheres. Embora isso não evite um contexto maniqueísta, propõe uma contraposição ao gênero. Isso trata, diretamente, de dois aspectos, um próprio do film noir: a presença da femme fatale, e outro típico do western: a força da mulher redentora.

O tipo feminino da femme fatale trata do excessivo medo, na época após a Segunda Guerra Mundial, que a sociedade machista começava a ter sobre a figura independente da mulher. No período dos embates bélicos, as mulheres tiveram que aprender a serem independentes da presença masculina, e quando os soldados, voltando dos campos de batalha, se deparam com essa mulher, muitas vezes firme e segura, isso lhes causa insegurança e medo de perder o domínio sobre seus lares. Já a mulher redentora simbolizava a categórica mulher branca, originada de um contexto mitológico relacionado às narrativas do cativeiro. Essas contavam como que essas mulheres, raptadas por índios, suportavam tamanhas provações e esperavam da graça de Deus um resgate sagrado, normalmente realizado por um homem branco, o que as faria conduzir suas vidas diante dos valores da sociedade auto-identificada como cristã e moralizante.

As formas pelas quais a sociedade compreendia a figura da mulher fez com que surgissem cada um destes tipos femininos, de acordo com cada época cinematográfica. Dessa forma, aparecem os estereótipos integrantes em cada atmosfera: a femme fatale (mulher fatal, figura sexualizada, que manipula o homem em busca de interesses próprios e que pode domesticá-lo) e a mulher redentora (a dama pura, figurada pela mulher cristã e que irá propor a redenção do homem através do sentimento do amor puritano). São esses os contextos e temas trazidos por duas das principais personagens, uma pelo aspecto de manipulação sexual de duas das principais figuras masculinas, e a outra pela intensidade dramática e purista pela qual suas ações direcionam as decisões de um dos personagens ao retorno dos valores morais da sociedade.

Adicionada a essas importantes figuras para o roteiro de Affleck, temos outra mulher, situada entre as duas motivações femininas, que irá influenciar as decisões políticas do personagem principal, assim como irá propor uma redenção de suas ações em busca de uma vida direcionada ao amor em família.

Isso nos mostra a intensa ambiguidade no texto de Live by Night, enquanto nos ajuda a caracterizar os diversos “climas” diante de sua narrativa. Assim, embora nesses momentos serializados o filme não perca o seu tom de manipulação através das “políticas de mercado” – aquelas categóricas dos filmes de gângsteres e que dispensam maiores comentários –, imprime um contexto, no qual, embora se acredite que tais mulheres tomarão determinadas ações, as mesmas podem surpreender mesmo o espectador mais atencioso à narrativa. E isso tratando, ao mesmo tempo, de figuras já estereotipadas em gêneros clássicos e de motivações pessoais, dessas personagens, que vão se modificando e dificultando que o público consiga definir o rumo pelo qual cada uma delas irá seguir.

Dessa forma, com essa constante mistura de gêneros, principalmente pelas personagens femininas, e com uma direção de arte que acompanha diversos tipos de ambientações sob os gêneros gângster, noir e western, Live by Night nos propõe uma narrativa que, embora siga a história de Joe Coughlin (Affleck), possui sua imagética voltada a grandes gêneros hollywoodianos. Isso não nos direciona apenas a um passado nostálgico sobre diversas épocas, mas também nos coloca diante de antigas construções narrativas da figura da mulher, sobre as quais, se as observarmos bem, podem representar a forma maniqueísta pela qual o patriarcado tende a observar a sociedade.

WARNER BROS. DIVULGA NOVO TRAILER LEGENDADO DE A LEI DA NOITE, FILME DIRIGIDO E ESTRELADO POR BEN AFLLECK

Elenco conta ainda com Elle Fanning, Sienna Miller, Zoe Saldana, Chris Cooper, entre outros

A Warner Bros. Pictures divulga o segundo trailer do longa A Lei da Noite, dirigido e protagonizado por Ben Affleck e com previsão de estreia para 23 de fevereiro de 2017 no Brasil. O vídeo traz alguns detalhes da vida de Joe Coughlin (Affleck) e uma sequência de cenas de ação de tirar o fôlego.

Sobre o filme

O vencedor do Oscar Ben Affleck (“Argo”) dirige e estrela o thriller policial A Lei da Noite. Além de atuar, Affleck também escreveu o roteiro, baseado no premiado romance “Os Filhos da Noite” de Dennis Lehane. A produção marca a segunda colaboração entre o escritor e o cineasta, ambos da cidade de Boston (EUA), depois do sucesso do elogiado “Medo da Verdade”.

A Lei da Noite situa-se nos turbulentos anos 1920, quando a proibição da Lei Seca americana não interrompeu o fluxo de bebidas em estabelecimentos ‘underground’ dirigidos por mafiosos de boa lábia. A oportunidade de ganhar poder e dinheiro estava à disposição para qualquer homem com ambição e nervos suficientes, e Joe Coughlin, o filho do Superintendente da Polícia de Boston, há muito tempo deixou para trás sua rígida educação para sucumbir à adrenalina de ser um fora-da-lei.

Mas, mesmo entre criminosos há regras, e Joe desobedece a maior delas: trair duplamente um poderoso chefão da máfia, roubando seu dinheiro e sua mulher. O romance ardente termina em tragédia, e Joe começa a trilhar uma rota de vingança, em que ambição, romance e traição o levam do submundo de Boston para os degraus esfumaçados dos porões de contrabando de rum na cidade de Tampa.

A Lei da Noite é produzido por Leonardo DiCaprio (“O Lobo de Wall Street”, “Tudo Por Justiça”) e Jennifer Davisson (“Tudo pelo Poder”, “A Orfã”), sob a bandeira da Appian Way; e por Ben Affleck e Jennifer Todd (“Alice no País das Maravilhas”, “Across the Universe”), com a Pearl Street Films. Chris Brigham, Dennis Lehane e Chay Carter são os produtores executivos.

O elenco traz, além de Affleck, Elle Fanning (“Malévola”), Brendan Gleeson (“No Coração do Mar”, filmes “Harry Potter”), Chris Messina (“Argo”, série de TV “Projeto Mindy”), Sienna Miller (“Sniper Americano”, “Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo”), Zoe Saldana (“Os Guardiões da Galáxia”, “Avatar”) e o vencedor do Oscar Chris Cooper (“Adaptação”, “Atração Perigosa”).

Na equipe de produção, Affleck contou com a colaboração do diretor de fotografia três vezes vencedor do Oscar Robert Richardson (“JFK – A Pergunta que não Quer Calar”, “O Aviador”, “A Invenção de Hugo Cabret”); do designer de produção indicado ao Oscar Jess Gonchor (“Bravura Indômita”, “Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo”); do editor vencedor do Oscar William Goldenberg (“Argo”); e da figurinista indicada ao Oscar, Jacqueline West (“O Curioso Caso de Benjamin Butler”, “Argo”). A trilha sonora foi composta por Harry Gregson-Williams (“Perdido em Marte”, “Medo da Verdade”).

Uma produção da Warner Bros. Pictures e da Appian Way/Pearl Street, A Lei da Noite tem estreia prevista para 23 de fevereiro de 2017 no Brasil e será distrubuído internacionalmente pela Warner Bros. Pictures, empresa da Warner Bros. Entertainment.

A LEI DA NOITE, NOVO FILME DIRIGIDO E ESTRELADO POR BEN AFLLECK, GANHA TRAILER LEGENDADO

Elenco conta ainda com Elle Fanning, Sienna Miller, Zoe Saldana, Chris Cooper, entre outros

A Warner Bros. Pictures divulga os primeiros materiais legendados de A Lei da Noite, longa dirigido e protagonizado por Ben Affleck. O vídeo mostra o fora da lei Joe Coughlin (Affleck) pelas ruas de Boston e a arte destaca o ator em um clima de mistério. A Lei da Noite tem previsão de estreia para 12 de janeiro de 2017 no Brasil.

Sobre o filme

O vencedor do Oscar Ben Affleck (“Argo”) dirige e estrela o thriller policial A Lei da Noite. Além de atuar, Affleck também escreveu o roteiro, baseado no premiado romance “Os Filhos da Noite” de Dennis Lehane. A produção marca a segunda colaboração entre o escritor e o cineasta, ambos da cidade de Boston (EUA), depois do sucesso do elogiado “Medo da Verdade”.

A Lei da Noite situa-se nos turbulentos anos 1920, quando a proibição da Lei Seca americana não interrompeu o fluxo de bebidas em estabelecimentos ‘underground’ dirigidos por mafiosos de boa lábia. A oportunidade de ganhar poder e dinheiro estava à disposição para qualquer homem com ambição e nervos suficientes, e Joe Coughlin, o filho do Superintendente da Polícia de Boston, há muito tempo deixou para trás sua rígida educação para sucumbir à adrenalina de ser um fora-da-lei.

Mas, mesmo entre criminosos há regras, e Joe desobedece a maior delas: trair duplamente um poderoso chefão da máfia, roubando seu dinheiro e sua mulher. O romance ardente termina em tragédia, e Joe começa a trilhar uma rota de vingança, em que ambição, romance e traição o levam do submundo de Boston para os degraus esfumaçados dos porões de contrabando de rum na cidade de Tampa.

A Lei da Noite é produzido por Leonardo DiCaprio (“O Lobo de Wall Street”, “Tudo Por Justiça”) e Jennifer Davisson (“Tudo pelo Poder”, “A Orfã”), sob a bandeira da Appian Way; e por Ben Affleck e Jennifer Todd (“Alice no País das Maravilhas”, “Across the Universe”), com a Pearl Street Films. Chris Brigham, Dennis Lehane e Chay Carter são os produtores executivos.

O elenco traz, além de Affleck, Elle Fanning (“Malévola”), Brendan Gleeson (“No Coração do Mar”, filmes “Harry Potter”), Chris Messina (“Argo”, série de TV “Projeto Mindy”), Sienna Miller (“Sniper Americano”, “Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo”), Zoe Saldana (“Os Guardiões da Galáxia”, “Avatar”) e o vencedor do Oscar Chris Cooper (“Adaptação”, “Atração Perigosa”).

Na equipe de produção, Affleck contou com a colaboração do diretor de fotografia três vezes vencedor do Oscar Robert Richardson (“JFK – A Pergunta que não Quer Calar”, “O Aviador”, “A Invenção de Hugo Cabret”); do designer de produção indicado ao Oscar Jess Gonchor (“Bravura Indômita”, “Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo”); do editor vencedor do Oscar William Goldenberg (“Argo”); e da figurinista indicada ao Oscar, Jacqueline West (“O Curioso Caso de Benjamin Butler”, “Argo”). A trilha sonora foi composta por Harry Gregson-Williams (“Perdido em Marte”, “Medo da Verdade”).

Uma produção da Warner Bros. Pictures e da Appian Way/Pearl Street, A Lei da Noite tem estreia prevista para 12 de janeiro de 2017 no Brasil e será distrubuído internacionalmente pela Warner Bros. Pictures, empresa da Warner Bros. Entertainment.