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‘Cry Macho’ – Clint Eastwood mostra que tem gasolina no tanque

Filme estreia em 16 de setembro e conta a história de um cowboy falido e um garoto rumo a uma inesperada jornada

Por Antonio Lemos

(Foto: divulgação)

Chegar aos 91 anos e continuar fazendo o que gosta é o sonho de muita gente. Conhecido pelas atuações nos longas western spaghetti, Clint Eastwood é proganonista de ‘Cry Macho: O Caminho Para a Redenção’, filme no qual é diretor, e chega aos cinemas a partir do dia 16 de setembro. Baseado no romance homônimo de 1975 de N. Richard Nash, o roteiro foi escrito por Nash antes de sua morte em 2000 ao lado de Nick Schenk.

Mike Milo é um ex-astro do rodeio e criador de cavalos fracassado no estado do Texas. Depois de ser demitido, ele retorna ao seu último trabalho em 1979 para ouvir a oferta de seu ex-empregador Howard Polk (Dwight Yoakam) para ver o seu filho, Rafo (Eduardo Minett). Bem que o próprio Polk poderia executar esta tarefa se não fosse por problemas com a lei além da fronteira. Para pagar uma dívida de gratidão pelo fato de ter ficado famoso e ter conquistado vários prêmios nas arenas, o personagem de Eastwood aceita e começa a sua jornada até o México.

Rafo é um adolescente de 13 anos e sofre tanto pelo abandono quanto pelos maus-tratos de sua mãe Leta (Fernanda Urrejola), uma cantora da noite mexicana e que manda soltar e prender qualquer um que ousar a lhe desafiar. Sem o carinho maternal, o jovem sobrevive nas ruas, e acaba metido em contravenções e rinhas de galos, na qual cria ‘Macho’. Ele não confia nem na própria sombra, quer se mostrar viril, mas no fundo ainda é uma criança cheia de mágoa pelo abandono do pai, que não o vê há anos.

No primeiro momento Milo desiste da missão, mas acaba sendo surpreendido pelo destino e o ex-cowboy acaba retomando sua tarefa e ambos vão para uma trilha difícil rumo aos Estados Unidos.

Durante sua passagem pelas estradas, a dupla aprende lições, e foragidos pelo capanga de Leta, Aurélio (Horacio Garcia-Rojas), eles se escondem em um viralejo e fazem amizade com a dona de um restaurante, Marta (Natalia Traven), uma senhora cheia de dramas pessoais, como a morte de sua filha e genro, na qual acaba cuidando de suas quatro netas, além do falecimento do seu esposo. No clima hospitaleiro da mexicana, todos acabam se cuidando e estreitam laços.

Com problemas no seu veículo, Milo é obrigado a ficar na cidade, com isso, arruma um bico adestrando cavalos e ensina o jovem Rafo a montar, em preparação para a rotina no rancho do pai. No restaurante de marta, o veterano cowboy é uma espécie de “faz tudo” desde a montagem de tortilhas até consertar coias. Além disso, a sua afinidade com os animais logo chega aos ouvidos da população e o personagem de Eastwood fica famoso como veterinário.

No final das contas, a missão é cumprida e Rafo reencontra o pai. E Milo, qual é o seu destino? É bom acompanhar até a última cena. ‘Cry Macho’ explora temas sobre a superestimada virtude do machismo e a descoberta de novas abordagens para a vida com a idade. O longa dá aos protagonistas a chance de escapar de um mundo regido pela brutalidade para seguir um novo caminho. Aos 91 anos, Eastwood segue atuando e produzindo muito bem, mostra que tem muita gasolina no tanque e não tem data para pendurar o seu chapéu de cowboy.

‘Caminhos da Memória’ – Filme para pensar e viver o presente

No primeiro trabalho de Lisa Joy nas telonas, filme mostra um clima futurista, resgate das memórias do protagonista, mas derrapa no roteiro

Por Antonio Lemos

Caminhos da Memória estreia nos cinemas. (Foto: divulgação)

Como seria se você pudesse pegar um registro de sua memória para conferir onde guardou seus objetos pessoais? Ou melhor: relembrar as boas lembranças de muitos anos atrás? Essa é a temática de ‘Caminhos da Memória’ (“Reminiscence”), lançamento da Warner Bros Pictures, que chega aos cinemas em 19 de agosto. Conhecida por seu trabalho como co-criadora de ‘Westworld’, série sci-fi da HBO, Lisa Joy usa e abusa do clima futurista e o resgate das memórias durante quase duas horas de filme.

“Você vai embarcar numa jornada. Uma jornada pela memória. Só o que tem a fazer é seguir a minha voz.”. Vocês ouvirão muito Nick Bannister (Hugh Jackman) dizer isso durante o longa, que passa no futuro – que pode ser bem próximo como podemos imaginar – com Miami e cidades costeiras submersas por conta do aquecimento global, calor intenso a ponto de as pessoas dormirem durante o dia e trabalhar em busca da sobrevivência no período noturno, e um cenário de desigualdade social com os ricos sãos e salvos em terra firme, enquanto os pobres estão largados nas ruas e com água para todo lado.

O personagem do “eterno Wolverine” é um veterano de guerra cujo emprego atual envolve o uso de uma máquina capaz de transportar as pessoas de volta às memórias do passado. Ao lado de Watts (Thandiwe Newton), ele dá aos clientes a chance de reviver a época antes da destruição, relembrar um parente falecido, investigar o passado de alguém para solucionar casos criminosos ou descobrir onde você deixou simplesmente um par de chaves. É por meio deste último item que sua vida começa a mudar ao se apaixonar pela estonteante Mae (Rebecca Ferguson). Logo de cara, a química dos dois é capaz de sair faísca, e todo esse jogo de atração e romance vira uma perigosa obsessão após o desaparecimento da moça e Bannister descobrir que ela não é bem aquela mulher por quem se apaixonou.

Os três protagonistas são essenciais para o funcionamento da trama. No papel do investigador, Jackman mostra uma boa química com Ferguson e consegue dar impacto necessário para as cenas de drama. Já Newton passa por um verdadeiro arco, cresce dentro do longa e mostra cumplicidade com Bannister.

‘Caminhos da Memória’ é aquele típico filme no qual precisa ficar com os olhos bem abertos para não ficar perdido. O filme abre espaço para focar nas consequências de olhar muito para trás e não para o presente, e percebemos isso na reta final, onde acontece uma reviravolta e não vamos estragar sua experiência em contar o que rolou. Vale o mistério nessas horas!

O porém do filme de Joy é o seu roteiro, que peca quanto ao desenrolar da trama, e por mais que seja “para pensar”, alguns desfechos nos deixam um pouco perdidos em algumas cenas. A Warner Bros. erra ao vender aquele clima “feliz” em sua conclusão, o que de fato não acontece e nem combina com o trabalho da autora.

No geral, o longa é bem produzido e consegue equilibrar efeitos especiais, trilha sonora e cenários naturais, além de contar com boa atuação romântica da dupla Jackman-Ferguson. A história é boa de assistir, faz pensar sobre não ficar tão apegado com o nosso passado e viver o presente intensamente, mas não espere algo fora do normal e surpreendente.

O Poderoso Chefinho 2: Negócios da Família – “Podemos dar uma chance”

Animação da DreamWorks empolga um pouco com relação ao antecessor, mas sua continuidade não era necessária

Por Antonio Lemos

Geralmente ficamos com um pé atrás quando uma obra ganha sua sequência. Na maioria das vezes, o original é melhor e suas continuidades deixam a desejar. Isso funciona para filmes, álbuns do seu artista preferido, séries, etc. ‘O Poderoso Chefinho 2: Negócios da Família’ empolga um pouco com relação ao primeiro e é aquele tipo de filme que “podemos dar uma chance”.

Lançado em 2017, ‘O Poderoso Chefinho’ conquistou o público pela leveza da história e aquela união fraternal entre irmãos se mantendo em sua sequência. No primeiro longa, Tim Templeton foi atormentado pelo seu irmão mais novo Ted, que usa terno e trabalha numa empresa chamada “BabyCorp”. Na sua continuação, há uma aceleração na primeira parte, mostrando que fim levou os irmãos. Enquanto Tim vira um pai de duas filhas, mantendo a sua imaginação fértil e buscando restabelecer a relação familiar, principalmente com a mais velha, Tabitha, Ted é CEO de uma grande empresa, vive de forma solitária e só tem tempo para o trabalho.

O Poderoso Chefinho 2 chega aos cinemas. (Foto: divulgação)

A história consiste em um professor, chamado Dr. Armstrong, passando a imagem para os alunos de que os pais são um “atraso” na vida das crianças, o que vem sendo um grande problema para a BabyCorp. Além disso, a instituição mostra o poder competitivo da garotada em serem os melhores da turma.

Enquanto isso, na casa da Família Templeton, a filha mais nova Tina rouba a cena e segue os passos do tio Ted, em uma nova aventura para salvar o mundo. Para que a missão seja concluída com sucesso, os protagonistas viram crianças e são infiltrados na escola de Tabitha para saber qual é o plano do vilão.

A trama ainda é rica de referência a cultura pop, como por exemplo, um despertador que Tim tem em forma de um mago, fazendo uma alusão ao ‘O Senhor dos Anéis’, e um elenco de apoio completamente hilário: Preciosa, um pônei que Ted deu para suas sobrinhas; e a “Menina Sinistra”, que parece aqueles personagens de filmes de terror. O jeito assustador chega a ser engraçado em determinadas cenas. Além disso, piada não pode faltar. A cena em que Tabitha e o pequeno Tim ensaiavam para o recital, e a menina canta tão mal, a ponto do peixe implorar para que ela pare é engraçado demais.

A mensagem que o vilão tenta passar no filme pode tornar perigoso para os pequenos, no sentido dos pais “atrasarem” o desenvolvimento infantil e que a escola “doutrina” as crianças. Mas na verdade, não são todas as instituições, e sim, aquele educandário em questão.

No geral, ‘O Poderoso Chefinho 2: Negócios da Família’ mostra sua leveza, referências, piadas, mas a história é bem clichê, sabendo durante mais de 90 minutos o que realmente vai acontecer. A relação familiar fica em segundo plano e surge de modo apressado, sem causar muita comoção ou reflexão. É um filme que certamente vai contagiar os menores e sua continuação não era necessária, pois já tem uma série na Netflix que dá sequência ao seu enredo. Mas como disse: “podemos dar uma chance” e assistir sem culpa na consciência.

Space Jam: Um Novo Legado: Mesma receita e boas risadas

Com o astro LeBron James como protagonista, longa repete o enredo de 25 anos atrás com muitas risadas e referências aos títulos da Warner Bros

Por Antonio Lemos

O mundo do esporte parou, em 1996, quando o astro do Chicago Bulls (e um dos maiores jogadores de basquete de todos os tempos) Michael Jordan estrelou “Space Jam: O Jogo do Século”. O longa foi um sucesso e a mistura entre os personagens do Looney Tunes com o basquete norte-americano marcou uma geração de fãs – inclusive este que vos escreve.

Depois de 25 anos, a Warner Bros novamente usou a mesma receita de bolo para fisgar aqueles que não pegaram aquele período e também resgatar o pessoal que assistiu ao primeiro filme. No lugar de ‘Air’ Jordan, outro superastro entrou no universo Looney: trata-se de LeBron James (King ou ‘Papai LeBrão’para os íntimos), craque do Los Angeles Lakers e quatro vezes campeão da NBA. O resultado não poderia ser outro em “Space Jam: Um Novo Legado”: muitas gargalhadas, toque de nostalgia e referências aos títulos da Warner.

Space Jam – Um Novo Legado chega aos cinemas. (Foto: divulgaçãO

Senta que lá vem spoiler!

O filme começa na Mansão dos James, onde Darius (Ceyair J. Wright) e Dom (Cedric Joe) batem bola na quadra. Enquanto o filho mais velho está focado e tentando seguir os passos do pai, o segundo está concentrado em desenvolver o seu próprio jogo de videogame e não se dedica intensamente ao basquete da vida real, apenas por diversão.

A vida de Dom e James começam a mudar, quando durante a uma visita aos estúdios Warner Bros., ambos ficam presos dentro de um ambiente virtual, bem semelhante ao matrix. Com a promessa de revolucionar o mundo digital, Al G Rhythm (Don Cheadle) procurava em LeBron a pessoa perfeita para alavancar o seu projeto (Warner 3000), mas o astro reprovou a ideia e o vilão sequestrou Dom. Assim como no primeiro filme, a solução para salvar o Planeta seria a disputa de um jogo de basquete.

King James tem 24 horas para montar um time e derrotar o vilão maluco, e cai no mundo Looney, onde só tem como habitante um tal de Pernalonga. O primeiro ciclo de gargalhadas vem com o coelho repetindo cenas dos seus episódios clássicos com o astro – quem não se lembra do ‘Coelho de Sevilha’ e aquela música de fundo? Em seguida, um mergulho no universo Warner, onde ‘Game of Thrones’, ‘Harry Potter’ e o mundo DC aparecem fortes. Já imaginou ‘LeBrão’ paramentado de algum super-herói? Vocês verão e darão altas risadas com estas sequências. Pouco a pouco, o Tune Squad (Esquadrão Looney) está com o time completo e que comecem os preparativos para mais um “Jogo do Século”!

Porém, não seria um simples jogo de basquete. Baseado no game de Dom, onde não bastava pontuar da forma convencional, e sim, jogadas, estilos e várias pitadas de ‘freestyle’ valiam mais do que trocentas bolas de três pontos. Além do mais, personagens do jogo do nº2 da família James apareceram a ponto de dar medo na galera, inspirados em astros da NBA e a liga feminina, WNBA. Já imaginou o ‘monocelha’ Anthony Davis, companheiro de LeBron nos Lakers, ser um monstro assustador? Ou Klay Thompson, jogador do Golden State Warriors, virar fogo e água ao mesmo tempo? Diana Taurasi, jogadora do Phoenix Mercury e Nneka Ogwumike (Los Angeles Sparks) também têm seus poderes como cobra e aranha, respectivamente, formando o temido Goon Squad (Esquadrão Valentão), onde tem como capitão justamente Dom.

LeBron James é o astro do novo Space Jam. (Foto: divulgação)

Com todo o universo Warner e o público em geral assistindo em volta da quadra, o “Jogo do Século” vai começar, e não vamos entregar de bandeja o que rolou. Dá para adiantar que outro astro do basquete aparece no intervalo, gerando outro ataque de risos da plateia e a quantidade de espectadores poderia encher ‘n’ Madisons Square Gardens.

Seja em qualquer esporte ou até mesmo na nossa profissão, se não houver um pouco de diversão, o profissional pode perder a vontade de realizar tal função, e ‘Space Jam: Um Novo Legado’ tem um pouco disso. Não basta um simples jogo de basquete, treinos intensos e levar tudo a sério, precisa um pouco do lado lunático e ser aquilo que deseja ser, não importando o que as pessoas em sua volta falem o que tem que fazer.

No geral, o filme repete a receita de 25 anos atrás ao entreter as pessoas e as duas horas de exibição passam voando como o Papa-Léguas disputando uma corrida com o Ligeirinho. Arrisco em dizer que esta sequência é um pouco melhor do que a anterior, principalmente na utilização de produtos da casa como referência e as piadas em geral. A atuação de James também é boa, assim como Jordan no primeiro, e se quiser aparecer em outros longas, seja bem-vindo.

Isso é tudo pessoal!

Divertido, porém “mais do mesmo”

Por Antonio Lemos

“Velozes & Furiosos 9” chega às telas e diverte o público com cenas de ação, drama familiar e retorno de um velho personagem

Terminou a longa espera! Afetado pela pandemia, já que sua estreia estava programada para maio de 2020, enfim “Velozes & Furiosos 9” chegou aos cinemas. Clima de “casos de família”, cenas de ação, referências com outros filmes, bom humor, volta de quem não foi e aquele famoso “mais do mesmo” assim podemos classificar o longa, que tem duração de quase duas horas e meia (145 minutos).

Parece receita de bolo, mas o início do filme mostra Dominic Toretto (Vin Diesel) e Letty Ortiz Toretto (Michelle Rodriguez) vivendo sossegadamente em sua residência, com o personagem de Diesel consertando um veículo com a ajuda do seu filho Brian, quando Tej (Ludacris), Roman (Tyrese Gibson) e Ramsey (Nathalie Emmanuel) chegam com uma missão para o casal. Não demorou em que a turma se reunisse novamente e as primeiras cenas de ação, carros superequipados, alta velocidade e o pessoal perdendo o fôlego, ao mesmo tempo indignados com tanta criatividade dos produtores em determinadas cenas.

Citei na abertura que o longa tem pegada de “casos de família”, e não é exagero. Aliás, em o autor Justin Lin não fez cerimônia em apresentar parentes nunca mencionados anteriormente, com flashbacks explicativos sobre a relação de Dom com o seu irmão Jakob (John Cena – sim, aquele famoso lutador de WWE), que será o vilão da vez trabalhando junto com Cipher (Charlize Theron) para recuperar um artefato capaz de destruir o mundo. Tudo começa com a morte do pai deles enquanto disputava uma corrida, onde o personagem de Vin Diesel achava que o adversário do patriarca havia causado a colisão, e consequentemente o óbito, a ponto de ele espancar o mesmo e acabar passando alguns anos na prisão. No desenrolar da trama saberemos os motivos pelos quais levou a morte do Toretto pai.

Velozes & Furiosos 9 já está nos cinemas. (Foto: divulgação)

Referências com outros filmes não poderiam faltar. Para quem gosta de “Star Wars”, há um diálogo entre Cipher com um dos seus comandados, onde fala que ele está mais para Yoda do que Luke Skywalker. Já os fãs de “De Volta Para o Futuro“, um dos carros usados no longa lembra o famoso DeLorean. Além dos citados, “Jumanji” e “Harry Potter” também são lembrados nos diálogos.

A história não pode ser aquela maravilha com direito a piadas entres os personagens sobre sua invencibilidade, e Lin resolveu “ressuscitar” um personagem. Enquanto o filme desenrola, eis que aparece Han Lue (Sung Kang) – desculpa pelo spoiler. Ele foi morto no final de “Velozes & Furiosos – Desafio em Tóquio” em um acidente de carro causado por Deckard Shaw (Jason Statham).

No geral, “Velozes & Furiosos 9” entrega diversão até mesmo para quem não viu os anteriores. Proporciona risadas, enigma no final sobre um determinado personagem e aquele “mais do mesmo” com muita velocidade, cenas de ação e vilão querendo ser bonzinho nos instantes derradeiros. Há um desgaste, pois, afinal de contas, estamos no nono longa e a franquia promete no mínimo mais dois pela frente, mas continua divertido para quem curte uma adrenalina. Se eu fosse você, pegaria o possante e correria para o cinema mais próximo.

Empolgante, apaixonante e chega em boa hora

Projeto da Broadway “Em um Bairro de Nova York” chega ao cinema e traz leveza, esperança por dias melhores e mostra que sonhos se tornam realidade

Por Antonio Lemos

Em Um Bairro de Nova York. (Foto: divulgação)

Sonho: Segundo o dicionário, significa o ato ou efeito de sonhar; conjunto de imagens, de pensamentos ou de fantasias que se apresentam à mente durante o sono. Qual é o grande sonho de vocês, leitores? Muitos querem estudar ou completar o seu ciclo acadêmico, outros procuram um emprego e estabilizar. Um grande amor, dinheiro, viver em um lugar melhor… Enfim, o projeto idealizado por Lin-Manuel Miranda para a Broadway, intitulado “Em um Bairro de Nova York” (In The Heights) chega aos cinemas, e com direção de John M. Chu e roteiro de Quiara Alegría Hudes mexe um pouco com as nossas ambições, traz leveza e esperança por dias melhores.

A história começa no bairro de Washington Heights, na cidade de Nova York e os oito primeiros minutos mostra os sonhos de cada personagem da trama. Com direito a hip-hop, salsa, merengue e outros estilos musicais, até quem não gosta de musicais fica contagiado com o som e as danças. Dá vontade de pegar o nosso sombrero, os chocalhos e cantar junto com os personagens.

Bora falar dos personagens principais do filme! Usnavi de la Vega (Anthony Ramos) é um rapaz nascido na República Dominicana, sonha em viver uma vida melhor em outro lugar e reconstruir o antigo bar que seus pais tinham (El Sueñito). No começo do filme mostra ele conversando com um grupo de crianças sobre a história de como vivia no bairro que estava em profundas mudanças, dando a impressão de que estava em um paraíso, sombra e água fresca. Ele é dono de uma mercearia, que conta com o seu primo Sonny (Gregory Diaz IV) como funcionário. O momento cômico do dialogo dele com a gurizada é quando explica a origem do seu nome (só assistindo para dar risada).

Nina Rosario (Leslie Grace) é amiga de Usnavi e uma inteligente garota que saiu de New York para estudar em uma universidade do outro lado do país (Stanford). Ela é o orgulho da comunidade por ter realizado o desejo de muitos que ali moram, saindo do local para alçar voos maiores, mas passou por vários perrengues no campus por ser latina, o que faz abandonar os estudos e voltar para o seu bairro, no qual tem muito orgulho.

Já Vanessa (Melissa Barrera) é uma moça de parar o bairro e trabalha no salão de Daniela (Daphne Rubin-Vega). Seu sonho é sair da região e morar em Manhattan para seguir a carreira na indústria da moda. Usnavi é completamente “amarrado” na morena, e outro momento cômico são as tentativas de chamá-la para sair. Cada bola fora que o dominicano dá que nem o Cupido poderia ajudar nessa.

Outros personagens ganham destaque na trama, como Benny (Corey Hawkins), que trabalha em uma empresa de taxi do pai de Nina, Sr. Rosario (Jimmy Smits). Há uma paixonite entre ele e a filha do chefe. Com o mantra “Paciência e Fé”, Abuela Claudia (Olga Merediz) “adota” todos os moradores do bairro como se fossem seus filhos legítimos, e até o produtor, Lin-Manuel Miranda, faz uma participação nesse carnaval latino ao interpretar um vendedor de raspadinhas – sobremesa feita com gelo picado e xarope de qualquer sabor -, que buscava marcar o seu território contra a concorrência, afinal, o calor naquele pedaço é ‘brabo’.

Além de abordar a independência, a liberdade e os sonhos de cada personagem, a trama mostra a união do povo com o seu bairro, como se fosse o porto seguro de cada um, afinal, quem teria coragem de sair de um local extremamente colorido com as cores das bandeiras dos países latinos e musical para cada ação? Um verdadeiro paraíso!

Drama e mistério também marcam o filme, como os diálogos de Nina com o pai, o dilema de Usnavi de ir para sua terra natal, as ‘DRs’ entre os casais, até o segredo de quem ganhou os US$ 96 mil na loteria, onde o bilhete premiado saiu na mercearia do personagem de Ramos, conseguiu ficar bem amarrado pela roteirista. Tudo com direito a música, muita dança, calourão de 41°C e apagão que transformou o bairro em um verdadeiro caos.

Músicas contagiantes, mistura de ritmos, clima de carnaval – dando certa inveja para nós, que estamos com saudade de uma aglomeração – enredo “pé no chão” no quesito de mostrar vitórias e derrotas de cada um, “Em um Bairro de Nova York” é capaz de cativar até mesmo quem não gosta de musicais, mostra que não há lugar melhor como o nosso lar para dar continuidade na nossa história, e com perseverança, força de vontade, paciência e fé, seus sonhos (ou sueñitos, como é falado no filme) se tornam realidade.

Chutes, pontapés e entretenimento

 ‘Godzilla vs Kong’ entrega bem aos espectadores no quesito ação e espectadores ficarão dúvida para quem torcer no final

Por Antonio Lemos

Kong e Godzilla se enfrentam nos cinemas. (Foto: divulgação)

Confesso que anteriormente não tinha assistido aos filmes do King Kong e Godzilla. Achava “bobinha” a história, mas quando veio o convite de acompanhar o embate desses ‘Titãs’, procurei ver os longas anteriores para não ficar perdido. Não fiquei convencido com os títulos anteriores, e a ideia da Warner Bros. de colocá-los frente a frente em seu “Monstroverso” valeu pelo entretenimento, principalmente pelo fato dos dois monstros distribuírem socos, pontapés, golpes e explosões para todos os lados.

Antes de falar sobre Godzilla vs Kong’, vamos aos antecedentes. Godzilla é uma criatura que vem aterrorizando as cidades japonesas e posteriormente as demais localidades do mundo, e tem como rivais um bestiário de monstros gigantes, das mais diversas habilidades e preza pelo equilíbrio do planeta. Ou seja, ele não é ameaçado desde que alguém pise em seu calo e comece a quebrar tudo.

Já Kong recebeu “trocentas” versões além da clássica, aquela da famosa cena em que fica no topo do Empire States protegendo sua amada. Também precisou enfrentar monstros gigantes, inclusive o lagartão, onde sai vitorioso.

O filme começa com Kong preso em uma redoma na Ilha da Caveira, um cenário bem parecido com o filmaço ‘O Show de Truman’, onde o personagem de Jim Carrey ficava preso em outro mundo, enquanto pessoas o assistiam ao estilo dos realitys shows, nas quais paramos para assistir. Jia (Kaylee Hottle), garota surda e sob responsabilidade da Dra. Ilene Andrews (Rebecca Hall), é o principal elo de comunicação com Kong por meio de sinais, e com isso, formou um vínculo muito próximo. A equipe de Andrews entendia que não poderia soltá-lo senão seria alvo fácil de Godzilla.

Por falar no réptil gigante, ele estava quieto, ‘na sua’, quando foi incomodado pela Apex Cybernetics e começou a quebrar tudo que via pela frente. Madison Russell (Millie Bobby Brown), filha de Mark Russell (Kyle Chandler), passou a suspeitar dos motivos que o levaram para tal revolta, alegando que o monstro é bom e não causaria pânico. Ela procurou Brian Henry (Bernie Hayes), um cientista com laços profundos com a Apex e criador de um podcast que investiga sobre a corporação, para saber o que estava por trás dos ataques.

O “Team Kong” acreditava que o único ser que poderia bater de frente com Gozilla era o seu macaco gigante, então, resolveram levá-lo para explorar a Terra Oca, um local no subterrâneo, próximo do núcleo da Terra, onde acredita-se que seja o berço dos titãs. E de fato, o local guarda segredos e evidências de uma guerra na qual os dois saíram como sobreviventes. A intenção de levá-lo via transporte marítimo fluía bem até o primeiro round dos ‘Titãs’. Com direito a trocação, altas ondas e explosões de embarcações, o réptil levou a melhor e saiu nadando como se não tivesse acontecido nada. Restou ao grupo de cientistas continuar sua expedição pelo ar, com Kong amarrado em redes com vários helicópteros fazendo o trajeto.

Enquanto a equipe de Andrews chegava a Terra Oca, local onde Kong se sentia em casa, o “Team Godzilla” liderados por Madison, Henry e o atrapalhado Julian Dennison (Josh Valentine) foram para a Apex e pararam em Hong Kong ao entrarem em uma cápsula, onde descobriram que outras versões do réptil estavam prontos, inclusive um robô, bem parecido com algum “zord” dos Power Rangers, o MechaGodzilla.

Bem, o objetivo em levar o embate dos titãs é feito com sucesso. Além da batalha marítima, os dois se reencontram na Terra Oca, e dá-lhe socos, chutes e pancadaria. Ninguém queria entregar nada de graça e os efeitos especiais tanto nas lutas diurnas quanto as noturnas não deixam a desejar, e dá vontade de vestir a camisa do monstro preferido. O Godzilla nível “zord” também entra nessa rinha, tão poderoso que é movido pela mente humana e o final deixarei para os senhores assistirem, onde independente do vencedor ou perdedor, a sensação é de satisfação ao término do filme.

Para quem procura drama, ‘Godzilla vs Kong’ não é indicado, pois a história é bem “bobinha” como disse na introdução. Agora, se a opção é ver dois monstros com altura descomunal, pancadaria e efeitos especiais, o blockbuster é recomendado, ainda mais pela escassez de estreias nas salas de cinema pelo Brasil afora.

A união faz a força!

Cobra Kai entrega na 3ª temporada os desfechos do que rolou na anterior, com passado e presente caminhando juntos, e protagonistas unindo forças para derrotar um vilão indigesto

Antonio Lemos

Se eu falar que o clima de nostalgia estava no ar durante a terceira temporada de ‘Cobra Kai’, certamente seria um clichê. A continuação da série originária do clássico ‘Karatê Kid’ foi disponibilizado pela Netflix no primeiro dia de 2021 (melhor notícia até então) e não perdi tempo para tirar a tarde ao maratonar os 10 episódios (poxa produtores, poderia aumentar a quantidade de capítulos, é muito pouco).

Assim como no post anterior, vai rolar alguns spoilers, mas nada que faça os leitores deixarem de mão e não acompanhar, Já posso adiantar que foi uma das melhores temporadas produzidas com passado e presente caminhando juntos, lições, dramas, a famosa treta entre os protagonistas e aquela frase que costumamos ouvir de que a “união faz a força”.

Para começar, não há salto no tempo desde a fatídica batalha na West Valley High School entre Cobra Kai e Miyagi-Do, onde todos saíram perdendo. Miguel (Xolo Maridueña) ficou entre a vida e a morte com possibilidade de não andar, Robby (Tanner Buchanan) passou alguns episódios foragido, Samantha (Mary Mouser) se sentiu culpada por tudo que ocorreu e passou a ter crises de pânico, e Tory (Peyton List) queria se vingar da sua rival. Enquanto isso, os protagonistas Daniel LaRusso (Ralph Macchio) atravessava problemas com os seus negócios, manchados pelos acontecimentos, e Johnny Lawrence (William Zabka) procurava consertar os erros do passado e presente.

Terceira temporada de Cobra Kai já está disponível na Netflix. (Foto: divulgação)

Por falar em passado e presente, a narrativa atemporal com os principais personagens continuou. Podemos perceber, por exemplo, como se desenhou a personalidade de John Kreese (Martin Kove), onde era um simples funcionário de lanchonete e sofria bullying dos clientes, virou soldado na Guerra do Vietnã e tornou aquele vilão indigesto que torcemos para levar a pior no final. De um personagem secundário na temporada anterior a persona fria, rasteira e venenosa como uma cobra.

Com o desenrolar da trama, LaRusso e Lawrence tiveram raros momentos de que poderiam trabalhar em equipe e um objetivo em comum; Robby. Os dois apareciam em cenas dignas de filmes policiais (daqueles bem pastelões) dos anos 1980, com tons de humor e a pancadaria comendo solta. Ambos não queriam recuperar o amor e a confiança do garoto, que mais para frente terá um desfecho indigesto. No entanto, qualquer faísca que saísse no pavil, eles acabavam brigando como adolescentes imaturos. Paralelamente, conforme dito parágrafos atrás, os negócios de Daniel não andavam bem, e precisou cruzar o oceano para poder ter o crédito necessário, além de buscar o seu equilíbrio na ilha de Okinawa (Japão) – estão sentindo alguma referência com algum ‘Karatê Kid’ no ar? Pois é, os personagens de A Hora da Verdade Continua (1986) reaparecem em sua vida, e a conexão com o saudoso Sr. Miyagi (Pat Morita) ficou mais forte do que nunca.

Enquanto nos Estados Unidos, a esposa do personagem de Macchio, Amanda (Courtney Henggeler) percebeu que o Cobra Kai virava ameaça e passou a se unir com o “bonde” de quem queria Kreese longe do West Valley. Já o personagem de Zabka continuava sendo aquele cara irreverente e sem filtro, onde os melhores momentos da temporada foi ao lado do seu pupilo Miguel. Do processo de recuperação do adolescente, passando por usar o Facebook no computador e tirar fotos para adicionar na rede social, e levá-lo a um show de rock mesmo de cadeira de rodas, o tratamento era de pai e filho e jamais imaginaria que curtiria Lawrence mesmo assistindo mil vezes o filme de 1984. É um cara que busca sua redenção a cada temporada e será que terá um final feliz?

Alguém se lembra da última cena da 2ª temporada, quando o celular de Lawrence é lançado na praia e tem uma notificação de amizade do Facebook? A pessoa naquela mensagem era nada mais do que Ali Mills (Elisabeth Shue), primeiro amor de ambos no longa de quase 37 anos. O clima de revival entre os dois durou pouco, com direito a loira pedir para que o personagem de Zabka não estrague o seu futuro.

As lutas entre os adolescentes continuavam, não com a mesma gravidade no high school, mas a revanche entre as moças era inevitável de acontecer. Além disso, até então, alguns alunos saem do Cobra Kai e migram ao novo dojô criado por Lawrence. Um novo torneio de karatê vai agitar o West Valley, e com novos membros na academia de Kreese – praticamente todos sem nada na cabeça – e com poucos lutadores nos estabelecimentos dos protagonistas, nada como juntar suas forças para tentar derrotar o inimigo, que continua mais perverso e sem compaixão do que nunca. A rivalidade entre os dois vão até o túmulo, isso é fato, mas uma trégua para um bem maior promete agitar nos próximos capítulos. Para alegria geral da nação, teremos 4ª temporada, sim senhor!

Sabendo equilibrar a leveza natural dos seus personagens, a produção se mantém na sua proposta original, e entrega uma experiência divertidíssima e vibrante desde as narrativas até as cenas de ação. Como disse na parte introdutória: é uma das melhores temporadas (ainda acho a 2ª melhor), porém, o único problema é que são 10 episódios.

Obrigado pela nostalgia e queremos a terceira temporada!

Clima nostálgico, referências e muita ação marcam a 2ª temporada de ‘Cobra Kai’, disponível na Netflix

Segunda temporada de ‘Cobra Kai’, está disponível na Netflix. (Foto: divulgação)

Por Antonio Lemos

Há dois anos, publiquei no Diversório as minhas impressões sobre a primeira temporada de ‘Cobra Kai’, e fiquei na expectativa de sua continuidade. Depois que entrou no catálogo de séries da Netflix, acompanhei a rivalidade entre Daniel LaRusso (Ralph Macchio) e Johnny Lawrence (William Zabka). Sim, passou rápido (média de 30 minutos por episódio), bateu nostalgia e quero a terceira temporada para ontem!

Antes de distribuir um caminhão de spoilers (se não curtir pode pular esta parte), posso dizer que a segunda temporada é bem melhor que a primeira, com os personagens se consolidando em seus papeis, as referências da época e uma trilha sonora que faz vontade de ativar o aplicativo de músicas e ouvi-las no último volume.

Senta que lá vem spoiler…

Para quem lembra a cena final da primeira temporada, Lawrence se depara com uma sombra, que é nada mais do que o seu mestre John Kreese (Martin Kove), dado como morto e deixou um enorme gancho para a continuidade da série. E simplesmente roubou a cena.

No começo, Kreese queria bancar o bonzinho a ponto de trabalhar em conjunto com Lawrence, que queria abandonar o lema “sem piedade” e colocar mais ética nos seus caratecas. Além disso, o Cobra Kai já era um sucesso na região graças a vitória de Miguel (Xolo Maridueña), no Torneio All Valey, derrotando Robby (Tanner Buchanan) – em uma final que fez relembrar o primeiro ‘Karatê Kid’ (corre para assistir!) – fazendo com que o local ganhasse mais alunos.

Enquanto isso, LaRusso seguia firme e forte para reabrir o Miyagi Dojo e sua ideia era justamente trazer uma oposição do que o seu rival ensina e seguir os passos do Sr. Miyagi (Pat Morita). No começo, Robby era o seu único aluno, depois Samantha (Mary Mouser), filha de Daniel, se junta à turma e começa a treinar – isso lembra o ‘Karatê Kid 4”, não é? Bingo! O objetivo não era bater de frente com os cobras, e sim, ensinar que karatê é autodefesa. Aos poucos Daniel conseguiu provar seu valor como Sensei, se reencontrou na história e passou a fazer algo que se sentia confortável.

No decorrer do seriado, Tory (Peyton List) chega ao Cobra Kai e rouba a cena ao derrotar Miguel no tatame, ao ser desafiada pelos senseis. Os dois passam a treinar juntos e engatam um romance. Por falar em cupido, “Sam” e Robby se entrosam a cada atividade, com direito ao filho de Lawrence passar uma temporada na casa dos LaRusso. Os dois ficam juntos, mas sabe aquela sensação de que o romance era só para esquecer o passado?

‘Cobra Kai’ traz o clima de Karatê Kid para a série. (Foto: divulgação)

Seguindo o bonde, a temporada mostra Johnny “sentimental”, a ponto de acreditar em mudanças, mesmo sendo aquele durão que vimos nos filmes. Da mesma forma que ele mudou ao longo dos anos, também acreditou que Kreese pudesse ter seguido seus passos. Não é bem assim. Sua presença é a típica teoria do “anjinho e diabinho” na vida de Lawrence, que queria fazer do seu Dojo um lugar hamonioso, enquanto seu mestre queria resgatar aquele sentimento de ódio que era propagado por ele naquele mesmo espaço durante os anos 1980, e fazer com que seu eterno aluno batesse de frente com Daniel.

Além disso, o personagem de Zabka teve outros bons momentos, desde a sua batalha para conectar a Internet e suas aventuras no Tinder, até passar uma noite com seus antigos colegas de karatê, com direito a uma despedida emocionante.

‘Cobra Kai’ tentou ensaiar um acordo de paz entre os protagonistas, tipo um “Pacto de Não Agressão” pré-Segunda Guerra Mundial, mas quando parecia que a paz iria reinar no West Valley, sempre tem alguns imprevistos. Primeiro, LaRusso queria atrair mais alunos para o seu Dojo e promoveu uma apresentação de karatê no festival de sua concessionária, porém quem roubou a cena foram os alunos do Cobra.

Depois, Falcão (Jacob Bertrand) vandalizou o Miyagi Dojo e roubou a medalha de honra do Sr. Miyagi, trazendo a ira de LaRusso, e enxugando um pouco o corpo de alunos da academia concorrente. E por fim, novos embates surgiram, principalmente entre Sam e Tory e Falcão contra Demetri (Gianni DeCenzo). Ou seja, se tem algo que ambos levarão para o túmulo é essa tal rivalidade!

Para não deixar essa resenha grande, vamos para o final. Para quem pensa que há um novo campeonato de karatê, está enganado, mas toda aquela rixa entre os protagonistas não acaba bem.

Primeiro, a tão aguardada luta entre os protagonistas acontece na residência de Lawrence, depois de descobrir que Sam e Robby tinham passado a noite fora. Na sequência, o primeiro dia de aula na West Valley High School vira uma praça de guerra, com os alunos das duas academias se digladiando pelos corredores, parecia aquelas brigas de gangues nos anos 1980 ou cenas do clipe “Beat It”, do Michael Jackson, mas o desfecho não é nada feliz com um dos protagonistas principais ficando gravemente ferido. Ou seja, todos perderam!

Nas cenas finais, Lawrence toma uma rasteira daquelas do seu sensei, mostrando que nem todas as pessoas mudam (ou querem mudar). Triste, não?

As impressões finais mostram que “Cobra Kai” continua empolgante desde a sua trilha sonora, baseada no rock dos anos 1980 (Mötley Crue, Whitesnake, Queen…), até nas referências da cultura pop como Harry Porter, Game of Thrones e Doctor Who, deixando-o atual e atrativo para todos os públicos.

Terceira temporada vem aí?
Sim, e com o desfecho em aberto não tinha como. Ao receber uma notificação em seu celular e, não acostumado com a tecnologia, Johnny arremessou o aparelho para longe, e eis que há um “contatinho” que vai deixar a próxima temporada, prevista para 2021, um pouco mais apimentada. A rivalidade entre ambos permanecerá até o túmulo e um novo personagem-chave vai agitar ainda mais.