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Marrs Green: a favorita na opinião popular

Há um ditado que diz: A voz do povo é a voz de Deus. Muitas vezes, essa máxima prevalece. Eleita pela Pantone, a cor Greenery foi desbancada pela Marrs Green, que caiu no gosto dos consumidores

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Canto de leitura projetado por Carmen Calixto tem poltrona estofada com tecido na cor Marrs Green. (Foto: Henrique Queiroga)

A Pantone, fornecedora profissional de padrões de cores para a moda e o design, determinou o Greenery, um verde musgo, como a cor de 2017. Mas, após uma pesquisa realizada pelo projeto World’s Favourite, descobriu-se que entre os consumidores, outra cor, com tom até similar ao Greenery, é mais popular: o Marrs Green.

Formado pela mistura de tons de verde, azul e cinza, essa cor – de fato – caiu no gosto popular e a prova disso é que seu uso já se faz presente em diversas composições do décor. “Desde que usada de maneira correta, esse tom combina com todos os estilos de decoração proporcionando aos espaços alegria e leveza”, explica a arquiteta Carmen Calixto.

Certamente esses foram os motivos que fizeram com que a Marrs Green fosse eleita a favorita de milhares de pessoas em mais de cem países. Porém, por ser um tom que não passa desapercebido, é importante ficar atento a alguns detalhes, como explica a arquiteta Carmen: “O Marrs Green é uma cor fresh, mas marcante. Sendo assim, para não errar, é indicado usá-la de maneira pontuada. Caso a pessoa opte por usar em grandes áreas – como numa parede, por exemplo – é interessante mesclá-la com o tom branco para não criar uma sensação de ambiente infantil e também para não enjoar”, comenta Carmen.

Uma outra boa dica para não errar no uso dessa cor é usá-la em adornos. “Os adornos, por serem peças menores, criam elementos de cor na composição sem – no entanto – demarcá-la demais. Em nossa loja, os objetos em Marrs Green têm tido grande saída e isso se deve ao seu alto poder de personalizar os espaços transmitindo uma agradável sensação de frescor e aconchego aos ambientes”, destacam Míriam Gatti, designer de produto, e a arquiteta Gabriela Brasil, sócias-proprietárias da loja Oca Brasil.

Na Oca, cachepôs, vasos e porta velas nesse tom são os itens mais procurados. “São objetos que despertam um sentimento afetivo, de lembranças do lar e de momentos agradáveis; principalmente relacionados à espiritualidade e a natureza”, encerram Míriam e Gabriela.

Nova cozinha mineira

Rústicas, mas com um toque de sofisticação, as cozinhas contemporâneas mineiras esbanjam aconchego e bom gosto

Com muita madeira, cor e rusticidade, a cozinha mineira foi sempre conhecida no Brasil inteiro pelo seu aconchego. Esses atributos continuam presentes, mas, agora, um novo ingrediente faz parte desse tipo de projeto: a elegância. A arquiteta Vanessa Figueiredo explica como unir a rusticidade com sofisticação para criar uma cozinha mineira contemporânea. “O segredo para um projeto que envolve muitos elementos marcantes, como é a cozinha mineira, é a harmonia e o equilíbrio. Os elementos devem valorizar uns aos outros e não brigarem ente si”, defende a profissional.

Projeto da arquiteta Carmen Calixto: porcelanato imitando madeira de demolição, os armários de cor forte e também de madeira mostram a essência mineira desta cozinha. O cimento queimado no piso e parede, a bancada de granito preto e os eletrodomésticos de inox dão o toque de contemporaneidade ao projeto. (Foto: Henrique Queiroga)
Projeto da arquiteta Carmen Calixto: porcelanato imitando madeira de demolição, os armários de cor forte e também de madeira mostram a essência mineira desta cozinha. O cimento queimado no piso e parede, a bancada de granito preto e os eletrodomésticos de inox dão o toque de contemporaneidade ao projeto. (Foto: Henrique Queiroga)

E para manter essa harmonia, algumas coisas precisam ser evitadas. “Pisos brilhantes, como o porcelanato polido, e iluminação em lâmpadas fluorescentes brancas não devem aparecer quando a intenção é trazer sofisticação para um espaço mais rústico”, ensina a arquiteta Carmen Calixto.

Vanessa acrescenta mais itens a essa lista: “Elementos muito modernos devem ficar de fora. O conceito desse projeto é a rusticidade, a simplicidade e o resgate a cultura mineira. Elementos como o vidro, aço inox, cristal, acrílico, devem ser evitados ou inseridos com muito critério”.

De acordo com Carmen, para trazer um toque de sofisticação nesse tipo de projeto, sem perder totalmente sua essência, alguns elementos podem ser utilizados. “Texturas e revestimentos como cimento queimado, ladrilho hidráulico e tijolos de barro sem acabamento podem aparecer na decoração para trazer charme e manter o toque rústico, mas com um ar mais elegante”, explica.

Para não errar na mão na sofisticação ou não deixar muito rústico o espaço é preciso ficar atento a alguns pontos, como a harmonia da composição. Por isso, o indicado é sempre contar com a ajuda de um profissional capacitado.

Para compor com os elementos marcantes – fogão de lenha, ladrilho hidráulico, móveis de madeira – a arquiteta Vanessa Figueiredo especificou no piso, armários e eletrodomésticos cores e designs mais neutros. Foto: Rodrigo Marcandier

Cada quadro em seu devido lugar (ou não)

Investir em uma disposição assimétrica de quadros é a dica para uma decoração mais contemporânea. Bom gosto na escolha das peças é sempre fundamental

Quadros são bem-vindos em todos os lugares da casa porque dão vida e personalidade aos ambientes. Entretanto, os cuidados na escolha da arte e disposição dos objetos são diferenciais para uma decoração mais contemporânea, deixando de lado qualquer traço de conservadorismo. A bola da vez é o uso de composições inusitadas, com diferentes tamanhos, motivos e posições.

Segundo a arquiteta Carmen Calixto, uma forma interessante de usar quadros é apoiá-los em painéis ou estantes. “Além de ser lindo, não precisa furar as paredes. Essa é uma boa opção para apartamentos alugados, ou para quem costuma enjoar facilmente e gosta de mudar as coisas de lugar com frequência”.

Arquiteta Carmen Calixto dá dicas de como usar os quadros. (Foto: Henrique Queiroga)
Arquiteta Carmen Calixto dá dicas de como usar os quadros. (Foto: Henrique Queiroga)

A arte do quadro é tão importante quanto a composição, conforme explica a arquiteta. “Devemos evitar quadros com pinturas ou imagens de gosto duvidoso. Para quem não tem condições de investir em obras de arte, há várias opções interessantes como os pôsteres e quadros de fotografias. Existem galerias virtuais especializadas nesse tipo de quadro, com infinitas opções a custos interessante”, afirma Carmen Calixto.

Para evitar uma composição de quadros ultrapassada, é interessante investir em uma disposição assimétrica, trabalhando o volume e as cores de forma leve e espontânea. De acordo com a designer de interiores Iara Santos não se pode ter medo de misturar moldura, tamanho e estilos. Importante também é de prezar pela história do quadro na vida daqueles que usufruem do ambiente.

Arquiteta Carmen Calixto dá dicas de como usar os quadros. (Foto: Henrique Queiroga)
Arquiteta Carmen Calixto dá dicas de como usar os quadros. (Foto: Henrique Queiroga)

“Quadros não precisam combinar entre si. O mais importante é que as peças escolhidas toquem os donos da morada de alguma forma, pois estarão sempre em evidência no espaço. Escolher apenas porque combinam com a decoração não é recomendado”, explica Iara Santos. Ela cita um projeto em que usou quadros de fotografia e eles deram muita personalidade à decoração.  “Com cores aconchegantes, harmonizaram bem com os tons do ambiente. A composição deu um charme a mais”.

Neste projeto, o liberdade da disposição dos quadros foi total. A designer Iara Santos optou por trabalhar com tamanhos iguais e diferentes de quadros. Eles também foram dispostos tanto na parede quanto encostado na bancada de madeira.