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“Halloween Kills – O Terror Continua”: Tenso, brutal e sanguinário

Com Jamie Lee Curtis no papel principal e o horripilante Michael Myers fazendo vítimas, 12º longa da franquia estreia em 14 de outubro

Por Antonio Lemos

Franquia Halloween está de volta aos cinemas. (Foto: divulgação)

Estamos em outubro, mês no qual os norte-americanos comemoram o Halloween (Dia das Bruxas). Nada como a indústria cinematográfica explorar a festividade, não é verdade? Dirigido por diretor David Gordon Green e previsto para estrear nos cinemas em 14 de outubro, ‘Halloween Kills – O Terror Continua’ , sequência do mega sucesso ‘Halloween (2018)’, conta com Jamie Lee Curtis no papel principal de Laurie Strode. Aliás, se os leitores estão por fora, os longas anteriores estão disponíveis nos serviços de streaming. Fica a dica! 

O início da trama mostra a última cena do primeiro filme da nova trilogia, com o brutal e mascarado Michael Myers preso na armadilha criada pela família Strode. Para quem entrou de paraquedas e não acompanhou, em alguns momentos vemos flashbacks muito bem posicionados durante a trama, não só do último filme, mas desde os primeiros filmes da franquia ‘Halloween’, em 1978, mostrando o quão a história de Myers é horripilante. 

Para começo de conversa, lá vem o primeiro (e óbvio) spoiler de que Michael Myers não morreu. Minutos depois de Laurie, sua filha Karen (Judy Greer) e sua neta Allyson (Andi Matichak) deixarem o monstro enjaulado e queimando no porão, a personagem de Curtis é levada às pressas para o hospital com ferimentos graves, acreditando que ela finalmente matou seu torturador ao longo da vida. No entanto, ele consegue se livrar da arapuca e o seu ritual de matança recomeça. 

Não é só Laurie quer que o mal seja derrotado, e sim, todos os moradores de Haddonfield se mobilizam para matar o inimigo. Liderados por Tommy Doyle (Anthony Michael Hall), o garotinho que a personagem de Curtis tomou conta no filme original, Lindsey (Kyle Richards) cuja a babá foi morta pelo mascarado e a enfermeira Marion (Nancy Stephens), entre outros, a cidade está em alerta novamente com o vilão, que inesperadamente ressurge das cinzas, e solto para fazer novas vítimas. 

No desenrolar da história, a população se revolta contra Myers, e com os gritos de “O Mal morre hoje” vão a uma busca desenfreada (porém, sem nenhum tipo de estratégia), primeiro dentro do hospital lotado (terminando na morte de um inocente) e depois pelas ruas da cidade. 

Mortes a todo instante, cenas impressionantes e de querer virar os olhos de tão sanguinárias, é tudo que os fãs de filmes de terror gostariam de ver. Misturado com o sentimento de fúria dos habitantes da cidade, a reta final do filme é bem intenso e com pinta de que teríamos um desfecho feliz. ‘Halloween Kills – O Terror Continua’ é um dos filmes mais tensos de 2021. A figura horripilante de Michael Myers, que, pela falta de mira dos personagens e uma força sobrenatural ao sobreviver dos tiros/facadas, gera um sentimento de repulsa quando assistimos em tela pelas suas cenas boas e pesadas. Para sua alegria ou tristeza, o vilão estará presente no 13º filme da franquia, ‘Halloween Ends‘, que tem data programada para lançamento nos cinemas em 14 de outubro de 2022, e o que podemos ver é Laurie Strode liderando à caçada contra Myers, banho de sangue, pessoas sofrendo com suas perdas e totalmente descontroladas para encontrar o serial killer. Será que, enfim, a maldição vai embora? Teremos que aguardar daqui um ano.

‘A Casa Sombria’ – Terror “água com açúcar”

Protagonizado por Rebecca Hall, longa decepciona fãs do gênero

Por Antonio Lemos

(foto: divulgação)

Assistindo ao trailer, dava para imaginar que ‘A Casa Sombria’ iria prender e assustar os fãs do gênero terror. Nada feito. Apesar do nome, o longa não tem nada de assustador, e nem a boa atuação de Rebecca Hall – de ‘Godzilla vs Kong’, ‘Iron Man 3’, entre outros – foi capaz de segurar a produção de David Bruckner durante quase 110 minutos de duração.

Na trama, Beth (Hall) está em processo de luto por conta do suicídio inesperado do marido, Owen (Evan Jonigkeit). Segundo a personagem, eles estavam juntos há 14 anos. Ela tenta o melhor que pode para se manter bem, mas acaba tendo dificuldades por conta de sonhos e visões perturbadoras de uma presença na casa construída pelo casal em frente a um rio e afastado de tudo.

Em determinado momento, a protagonista começa a descobrir que o doce e gentil Owen não tinha nada de bonzinho. Ele esconde segredos obscuros – desde livros, estátuas, que parece àqueles bonecos de vudu e mulheres parecidas com a personagem, dando a crer que havia um relacionamento fora do casamento -, todos pertinentes à aparição de uma sinistra casa invertida do outro lado de um lago, que espelha a própria residência que moram.

Geralmente vimos em filmes de suspense/terror aquele ator/atriz principal fazer de tudo para solucionar o mistério. ‘A Casa Sombria’ é ao contrário. Bruckner consegue deixar o espectador tanto quanto confuso com Hall, que, quando imaginamos que o negócio é real, na verdade, é um dos ‘trocentos’ sonhos durante as noites de sono.

As duas partes usa altas doses de mistério e referências ao obscurantismo e macabro, porém, quando chega a reta final, o filme começa a criar aquele potencial de te enganar quando você acha que tem todas as respostas possíveis e um verdadeiro desfecho. O filme esquece todo o clima de terror psicológico e suspense, abusa dos clichês com o duelo do “ser humano do bem contra o espírito do mal” e dá uma solução bem “água com açúcar” com o desfecho da protagonista.

A conclusão deixa a desejar. Primeiro, deixa em aberto se teria alguma continuação, depois, pelo fato de contradizer com o próprio enredo. Por fim, o luto é romantizado e subjetivizado sobre aceitação da perda, que soa mais engraçada do que profundo. Além disso, o lado obscuro de Owen deixa um verdadeiro buraco. Afinal de contas: o que motivaria o personagem de Jonigkeit a fazer tudo isso?

‘A Casa Sombria’ não entrega o que vendeu nos trailers, sem uma conclusão digna e nem o ato final que mudou o tom do longa. Bruckner foca mais na atuação de Hall para entregar uma trama focada no luto e na aceitação da perda. Se procura terror, espíritos e suspense, o filme, que estreiou nesta quinta-feira (23), não é indicado.

‘Cry Macho’ – Clint Eastwood mostra que tem gasolina no tanque

Filme estreia em 16 de setembro e conta a história de um cowboy falido e um garoto rumo a uma inesperada jornada

Por Antonio Lemos

(Foto: divulgação)

Chegar aos 91 anos e continuar fazendo o que gosta é o sonho de muita gente. Conhecido pelas atuações nos longas western spaghetti, Clint Eastwood é proganonista de ‘Cry Macho: O Caminho Para a Redenção’, filme no qual é diretor, e chega aos cinemas a partir do dia 16 de setembro. Baseado no romance homônimo de 1975 de N. Richard Nash, o roteiro foi escrito por Nash antes de sua morte em 2000 ao lado de Nick Schenk.

Mike Milo é um ex-astro do rodeio e criador de cavalos fracassado no estado do Texas. Depois de ser demitido, ele retorna ao seu último trabalho em 1979 para ouvir a oferta de seu ex-empregador Howard Polk (Dwight Yoakam) para ver o seu filho, Rafo (Eduardo Minett). Bem que o próprio Polk poderia executar esta tarefa se não fosse por problemas com a lei além da fronteira. Para pagar uma dívida de gratidão pelo fato de ter ficado famoso e ter conquistado vários prêmios nas arenas, o personagem de Eastwood aceita e começa a sua jornada até o México.

Rafo é um adolescente de 13 anos e sofre tanto pelo abandono quanto pelos maus-tratos de sua mãe Leta (Fernanda Urrejola), uma cantora da noite mexicana e que manda soltar e prender qualquer um que ousar a lhe desafiar. Sem o carinho maternal, o jovem sobrevive nas ruas, e acaba metido em contravenções e rinhas de galos, na qual cria ‘Macho’. Ele não confia nem na própria sombra, quer se mostrar viril, mas no fundo ainda é uma criança cheia de mágoa pelo abandono do pai, que não o vê há anos.

No primeiro momento Milo desiste da missão, mas acaba sendo surpreendido pelo destino e o ex-cowboy acaba retomando sua tarefa e ambos vão para uma trilha difícil rumo aos Estados Unidos.

Durante sua passagem pelas estradas, a dupla aprende lições, e foragidos pelo capanga de Leta, Aurélio (Horacio Garcia-Rojas), eles se escondem em um viralejo e fazem amizade com a dona de um restaurante, Marta (Natalia Traven), uma senhora cheia de dramas pessoais, como a morte de sua filha e genro, na qual acaba cuidando de suas quatro netas, além do falecimento do seu esposo. No clima hospitaleiro da mexicana, todos acabam se cuidando e estreitam laços.

Com problemas no seu veículo, Milo é obrigado a ficar na cidade, com isso, arruma um bico adestrando cavalos e ensina o jovem Rafo a montar, em preparação para a rotina no rancho do pai. No restaurante de marta, o veterano cowboy é uma espécie de “faz tudo” desde a montagem de tortilhas até consertar coias. Além disso, a sua afinidade com os animais logo chega aos ouvidos da população e o personagem de Eastwood fica famoso como veterinário.

No final das contas, a missão é cumprida e Rafo reencontra o pai. E Milo, qual é o seu destino? É bom acompanhar até a última cena. ‘Cry Macho’ explora temas sobre a superestimada virtude do machismo e a descoberta de novas abordagens para a vida com a idade. O longa dá aos protagonistas a chance de escapar de um mundo regido pela brutalidade para seguir um novo caminho. Aos 91 anos, Eastwood segue atuando e produzindo muito bem, mostra que tem muita gasolina no tanque e não tem data para pendurar o seu chapéu de cowboy.

Uma noite de crime: Um novo ar para a franquia já batida

Por Gabriela Fontes

Franquia de Uma Noite de Crime ganha novo filme. (Foto: divulgação)

Ao falar sobre ‘Uma noite de crime’ é natural se lembrar da atmosfera que rodeia todos os filmes: a tensão durante o expurgo, a segurança falhando em defender os protagonistas e a urgência em sobreviver a noite mais perigosa do ano. Contudo, não é essa a intenção do novo filme. Seu cenário é diferente, rodeado de poeira, cavalos e os tão conhecidos chapéus de cowboys. Seus elementos compõem o clima do Texas, lugar onde a história é ambientada.

Seguindo a tradição das edições anteriores, autoridades parlamentares têm imunidade e não podem ser feridas durante o expurgo, é permitido o uso de armas de classe 4, serviços públicos e de emergência não funcionarão até as 7h da manhã do dia seguinte. Porém, diferente dos expurgos anteriores, esse não acaba quando o alarme ressoa anunciando o fim das 12h de agonia.

O longa mostra um país violento, sendo xenofóbico abertamente antes mesmo da noite de crime começar. Tudo parece ter voltado ao normal, até que seu ponto de virada acontece quando um repórter é assassinado ao vivo. O movimento #expurgoparasempre é mostrado como tendo dominado as redes sociais meses antes, incitando o ódio e levando a população a continuar o expurgo com o intuito de tornar a América boa de novo, limpando as ruas de qualquer um que destoe de seus ideais.

A forma de se salvar do caos é evidente desde o começo do filme, mas ao termos tantas informações jogadas em nossa face é difícil memorizar o que poderia ser feito. O cenário apocalíptico toma conta das ruas enquanto os protagonistas seguem até El Paso, tentando atravessar a fronteira para o México em busca de salvação.

Os personagens não são explorados como deveriam, suas motivações e histórias não são apresentadas de maneira clara. O enredo mostra as diferenças raciais entre seus protagonistas, assim como o discurso de um dos personagens ao dizer que “ser branco não torna ninguém melhor, mas cada um deveria permanecer em seu país”, porém pouco é explorado além disso. Em resumo, a receita dos filmes anteriores é repetida, porém sua história de superação torna a experiência razoável. Sem nenhuma novidade, apenas podemos esperar para ver se a franquia ganhará mais filmes com a mesma história.

‘Caminhos da Memória’ – Filme para pensar e viver o presente

No primeiro trabalho de Lisa Joy nas telonas, filme mostra um clima futurista, resgate das memórias do protagonista, mas derrapa no roteiro

Por Antonio Lemos

Caminhos da Memória estreia nos cinemas. (Foto: divulgação)

Como seria se você pudesse pegar um registro de sua memória para conferir onde guardou seus objetos pessoais? Ou melhor: relembrar as boas lembranças de muitos anos atrás? Essa é a temática de ‘Caminhos da Memória’ (“Reminiscence”), lançamento da Warner Bros Pictures, que chega aos cinemas em 19 de agosto. Conhecida por seu trabalho como co-criadora de ‘Westworld’, série sci-fi da HBO, Lisa Joy usa e abusa do clima futurista e o resgate das memórias durante quase duas horas de filme.

“Você vai embarcar numa jornada. Uma jornada pela memória. Só o que tem a fazer é seguir a minha voz.”. Vocês ouvirão muito Nick Bannister (Hugh Jackman) dizer isso durante o longa, que passa no futuro – que pode ser bem próximo como podemos imaginar – com Miami e cidades costeiras submersas por conta do aquecimento global, calor intenso a ponto de as pessoas dormirem durante o dia e trabalhar em busca da sobrevivência no período noturno, e um cenário de desigualdade social com os ricos sãos e salvos em terra firme, enquanto os pobres estão largados nas ruas e com água para todo lado.

O personagem do “eterno Wolverine” é um veterano de guerra cujo emprego atual envolve o uso de uma máquina capaz de transportar as pessoas de volta às memórias do passado. Ao lado de Watts (Thandiwe Newton), ele dá aos clientes a chance de reviver a época antes da destruição, relembrar um parente falecido, investigar o passado de alguém para solucionar casos criminosos ou descobrir onde você deixou simplesmente um par de chaves. É por meio deste último item que sua vida começa a mudar ao se apaixonar pela estonteante Mae (Rebecca Ferguson). Logo de cara, a química dos dois é capaz de sair faísca, e todo esse jogo de atração e romance vira uma perigosa obsessão após o desaparecimento da moça e Bannister descobrir que ela não é bem aquela mulher por quem se apaixonou.

Os três protagonistas são essenciais para o funcionamento da trama. No papel do investigador, Jackman mostra uma boa química com Ferguson e consegue dar impacto necessário para as cenas de drama. Já Newton passa por um verdadeiro arco, cresce dentro do longa e mostra cumplicidade com Bannister.

‘Caminhos da Memória’ é aquele típico filme no qual precisa ficar com os olhos bem abertos para não ficar perdido. O filme abre espaço para focar nas consequências de olhar muito para trás e não para o presente, e percebemos isso na reta final, onde acontece uma reviravolta e não vamos estragar sua experiência em contar o que rolou. Vale o mistério nessas horas!

O porém do filme de Joy é o seu roteiro, que peca quanto ao desenrolar da trama, e por mais que seja “para pensar”, alguns desfechos nos deixam um pouco perdidos em algumas cenas. A Warner Bros. erra ao vender aquele clima “feliz” em sua conclusão, o que de fato não acontece e nem combina com o trabalho da autora.

No geral, o longa é bem produzido e consegue equilibrar efeitos especiais, trilha sonora e cenários naturais, além de contar com boa atuação romântica da dupla Jackman-Ferguson. A história é boa de assistir, faz pensar sobre não ficar tão apegado com o nosso passado e viver o presente intensamente, mas não espere algo fora do normal e surpreendente.

O Poderoso Chefinho 2: Negócios da Família – “Podemos dar uma chance”

Animação da DreamWorks empolga um pouco com relação ao antecessor, mas sua continuidade não era necessária

Por Antonio Lemos

Geralmente ficamos com um pé atrás quando uma obra ganha sua sequência. Na maioria das vezes, o original é melhor e suas continuidades deixam a desejar. Isso funciona para filmes, álbuns do seu artista preferido, séries, etc. ‘O Poderoso Chefinho 2: Negócios da Família’ empolga um pouco com relação ao primeiro e é aquele tipo de filme que “podemos dar uma chance”.

Lançado em 2017, ‘O Poderoso Chefinho’ conquistou o público pela leveza da história e aquela união fraternal entre irmãos se mantendo em sua sequência. No primeiro longa, Tim Templeton foi atormentado pelo seu irmão mais novo Ted, que usa terno e trabalha numa empresa chamada “BabyCorp”. Na sua continuação, há uma aceleração na primeira parte, mostrando que fim levou os irmãos. Enquanto Tim vira um pai de duas filhas, mantendo a sua imaginação fértil e buscando restabelecer a relação familiar, principalmente com a mais velha, Tabitha, Ted é CEO de uma grande empresa, vive de forma solitária e só tem tempo para o trabalho.

O Poderoso Chefinho 2 chega aos cinemas. (Foto: divulgação)

A história consiste em um professor, chamado Dr. Armstrong, passando a imagem para os alunos de que os pais são um “atraso” na vida das crianças, o que vem sendo um grande problema para a BabyCorp. Além disso, a instituição mostra o poder competitivo da garotada em serem os melhores da turma.

Enquanto isso, na casa da Família Templeton, a filha mais nova Tina rouba a cena e segue os passos do tio Ted, em uma nova aventura para salvar o mundo. Para que a missão seja concluída com sucesso, os protagonistas viram crianças e são infiltrados na escola de Tabitha para saber qual é o plano do vilão.

A trama ainda é rica de referência a cultura pop, como por exemplo, um despertador que Tim tem em forma de um mago, fazendo uma alusão ao ‘O Senhor dos Anéis’, e um elenco de apoio completamente hilário: Preciosa, um pônei que Ted deu para suas sobrinhas; e a “Menina Sinistra”, que parece aqueles personagens de filmes de terror. O jeito assustador chega a ser engraçado em determinadas cenas. Além disso, piada não pode faltar. A cena em que Tabitha e o pequeno Tim ensaiavam para o recital, e a menina canta tão mal, a ponto do peixe implorar para que ela pare é engraçado demais.

A mensagem que o vilão tenta passar no filme pode tornar perigoso para os pequenos, no sentido dos pais “atrasarem” o desenvolvimento infantil e que a escola “doutrina” as crianças. Mas na verdade, não são todas as instituições, e sim, aquele educandário em questão.

No geral, ‘O Poderoso Chefinho 2: Negócios da Família’ mostra sua leveza, referências, piadas, mas a história é bem clichê, sabendo durante mais de 90 minutos o que realmente vai acontecer. A relação familiar fica em segundo plano e surge de modo apressado, sem causar muita comoção ou reflexão. É um filme que certamente vai contagiar os menores e sua continuação não era necessária, pois já tem uma série na Netflix que dá sequência ao seu enredo. Mas como disse: “podemos dar uma chance” e assistir sem culpa na consciência.

FILME “SHADOW”, DO DIRETOR ZHANG YIMOU, CHEGA AOS CINEMAS BRASILEIROS EM 12 DE AGOSTO

Diretor busca um novo sucesso após o desastroso “A Grande Muralha”

Por Guilherme Melo

A pandemia de coronavírus atrasou o lançamento do filme chinês “Shadow” no Brasil. Dirigido por Zhang Yimou (dos sucessos indicados ao Oscar “Herói”, “O Clã das Adagas Voadoras”, e do complicado “A Grande Muralha”), o longa foi lançado em 2018 na China, mas chegou a outros países pelo streaming, e a partir do próximo dia 12 de agosto será a vez dos brasileiros conferirem essa superprodução.

O Diversório teve a oportunidade de assistir “Shadow” em uma cabine especial e podemos garantir: a espera valeu a pena!

O ator Chao Deng, o grande destaque, vive dois personagens: O Comandante Ziyu e seu sombra Jing. O Comandante conta com um sósia desde sua infância, como estratégia para lidar com possíveis riscos a sua vida enquanto atua dentro da corte do Rei Peiliang (Ryan Zheng).

Já adulto, o Comandante fica doente, percebe que está envelhecendo rápido, e acaba precisando que seu sósia assuma seu lugar de forma quase que definitiva. É aí que se inicia uma trama cheia de intrigas.

Enquanto o Rei Peiliang tenta manter a cidade de Pei longe de conflitos com outros reinos, o plano do Comandante Ziyu é travar uma guerra. Para atingir seu objetivo, ele conta com apoio de sua esposa (Li Sun) e seu sósia.

Uma subtrama que merece destaque é a da Princesa Qingping (Xiaotong Guan). O Rei Peiliang, seu irmão, se compromete a enviá-la como concubina para outro reinado, para manter a paz, o que faz com que a princesa se revolte e se envolva em uma ação de vingança. A trama dela destaca a busca da mulher pelo direito de decidir seu próprio destino.

Como não poderia ser diferente, a produção também reserva cenas de luta de tirar o fôlego, mas o grande trunfo do filme é a trama misteriosa e nada óbvia, com situações bem amarradas, surpreendentes e grandes atuações.

Shadow será distribuído pela PlayArte Pictures.

Crítica do filme: Esquadrão Suicida

Por Leticia Nunes

Uma mistura de sequência e reboot do longa de 2016, ‘’Esquadrão Suicida” estreia em 5 de agosto nos melhores cinemas do Brasil. Nossa equipe teve acesso exclusivo antes do lançamento e conta tudo do filme para você!

Alguns personagens do filme original (que foi um desastre) retornam: Amanda Waller (Viola Davis), Rick Flag (Joel Kinnaman), Capitão Bumerangue (Jai Courtney) e Arlequina (Margot Robbie) e, junto com eles, um novo grupo de vilões:

 IDRIS ELBA – SANGUINÁRIO

JOHN CENA – PACIFICADOR

NATHAN FILLION – TDK

DANIELA MELCHIOR – CAÇA-RATOS 2 

MICHAEL ROOKER – SÁBIO

MAYLING NG – MONGAL

PETE DAVIDSON – BLACKGUARD

FLULA BORG – DARDO

SEAN GUNN – DONINHA

STEVE AGEE – TUBARÃO REI

Atenção contém spoiller

O filme se inicia com Amanda Waller, novamente, indo até a prisão  de segurança máxima de Belle Reeve, que também serve como QG da operação, parar formar uma  nova ‘Força Tarefa X’ . Desta vez, a missão é invadir Corto Maltese e impedir um experimento científico misterioso e como recompensa, eles teriam sua pena diminuída.

Logo nos primeiros 15 minutos de filme temos a sensação de ‘mais do mesmo’, a impressão é que eles tentaram pegar o que funcionou no filme anterior e multiplicar, com bastante ação e sangue logo no início.

Uma parte da equipe chega numa ilha pra tentar acessar a cidade, e lá, são surpreendidos por soldados armados e um grande massacre se inicia, graças a um dos integrantes ter traído a equipe e entregue sua localização. Os vilões morrem logo de início, restando apenas uma parte da equipe. Rapidamente Amanda surge com outra do outro lado da ilha, uma ‘equipe extra’ para emergência que logo entra em ação. No confronto, Alerquina e Flag somem e se inicia uma busca por ambos antes de chegarem ao destino final. Na mata, eles se unem a Sol Soria (Alice Braga), personagem que não existe nas HQs. (foto)

Flag e Alerquina se unem a equipe e todos seguem com o plano inicial, o que eles não contavam era que estavam do lado errado desde o início, pois na verdade os EUA estavam por trás de tudo. O objetivo deles se inverte e eles querem pegar o arquivo e entregar para a imprensa, mas nem toda a equipe tinha o mesmo propósito.

A trilha sonora brasileira está presente no filme (como Marcelo D2, Glória Groove e Céu) o que dá mais vontade de assistir.

O diretor James Gunn continua usando seu talento para pegar personagens obscuros dos quadrinhos e criar desajustados extraordinários e problemáticos. Além disso, tem muita emoção e sentimentos misturados com todas as mortes imprevisíveis durante o longa.

O filme deixou um pouco de lado a estética sombria das produções da DCEU para se aproximar do estilo colorido de Gunn, visto em produções como Guardiões da Galáxia (2014), o que na minha opinião funcionou muito bem! 5/10

 

Crítica de Loki

Por Rodrigo Bocatti

Loki trouxe a questão da Linha do Tempo para a Marvel. (Foto: divulgação)

A Marvel Studios vem deixando os fãs mal acostumados com séries novas todo mês, a última agora lançada foi do vilão Loki. Chamei ele de vilão porque o personagem que acompanhamos na primeira temporada é o prisioneiro  dos Vingadores no primeiro filme da equipe, de 2012, e não o que deu sua vida para salvar o irmão, Thor.

A série, exclusiva do Disney+, nos apresenta a AVT (Autoridade de Variância Temporal) uma organização que controla a Linha do Tempo Sagrada e não deixa que ela sofra ramificações e, para  isso, sempre que surge alguma Variante, eles a retiram da linha do tempo e a prendem.

Owen Wilson e Tom Hiddleston tem uma química muito boa. (Foto: divulgação)

Logo em seu começo, Loki (Tom Hiddleston) é avisado que está sendo caçado pela AVT, ou melhor, uma versão sua está assassinando os agentes da organização e logo descobrimos que a perseguida é Sylvie (Sophia Di Martino), uma Loki de um universo alternativo passado, porém ela descarta esse nome. Todos a conhecem como a “Variante” apenas.

Ao se juntar à Sylvie, Loki descobre qual é o seu verdadeiro propósito: descobrir o que realmente é a AVT e quem está por trás dela. A trama é bem fluída, com momentos interessantes que envolvem os protagonistas, além dos acontecimentosentre Loki e Morbius.

Ravona é a chefe da AVT, abaixo apenas do Guardiões do Tempo. (Foto: divulgação)

Mas nem tudo são flores, ou joias, eu diria. Alguns episódios apresentam um enredo mais lento e quebram o ritmo do anterior, porém são necessários para desenvolver os personagens e duas histórias. É inegável que algumas lutas também não convencem o público.

Entretanto, Loki abriu as portas para a Marvel Studios explorar de uma vez por todas o Multiverso, com os acontecimentos do último episódio (não darei spoilers, fiquem tranquilos!). O futuro do MCU se dará por meio das séries, especialmente WandaVision e Loki, e deve culminar na real explicação quando chegar a vez de “Doutor Estranho: O Multiverso da Loucura”, onde Wanda Maximoff já está confirmada e, existem rumores, que Loki também estará presente. Agora nos resta aguardar dia 25 de março de 2022 para saber como, enfim, tudo se conectará.

Variante do Loki. (Foto: divulgação)

VIÚVA NEGRA

Por André Tanabe

(Foto: divulgação)

Ação, adrenalina, mistério e suspense e um toque de drama familiar. Essas são as principais atmosferas que circulam o mais recente filme da Marvel. Viúva Negra conta com a direção de Cate Shortland e finalmente irá estrear nos cinemas e no serviço de streaming do Disney+ no dia 9 de julho, com Premier Acess.

O longa segue a atmosfera de um clássico thriller de espionagem, com a proposta de explorar o passado de Natasha Romanoff e de mostrar uma última missão da espiã no MCU. A personagem de Scarlett Johansson encontrou seu fim em Vingadores: Ultimato, mas seu legado está longe de ser esquecido. A cronologia dos eventos do filme se passa entre os eventos de Capitão América: Guerra Civil e Vingadores: Guerra Infinita, mas para compreendermos melhor aquilo que moldou Natasha Romanoff nós temos que voltar para o passado. Inicialmente somos apresentados a infância de Natasha e também a sua família que descobrimos serem espiões russos que estavam infiltrados nos Estados Unidos.

Após os eventos de Capitão América: Guerra Civil, Natasha se reencontra com sua irmã Yelena Belova (Florence Pugh), que a recruta para uma missão de salvar outras mulheres vítimas do programa Sala Vermelha e também para acertar as contas com o responsável pelo programa. A dinâmica entre as irmãs é o ponto alto do filme. A introdução de Yelena serve como um contraponto teimoso para a visão mais tradicionalista de Natasha, devido ao seu tempo com os Vingadores, são nas interações das irmãs que podemos ver o lado mais humano de Natasha.

Viúva Negra chega dia 9 aos cinemas. (Foto: divulgação)

Durante a missão, Natasha e Yelena se reencontram com o resto da sua “pseudo-família”, o Guardião Vermelho (David Harbour) e Melina Vostokoff (Rachel Weisz), embora tenha sido colocado como um papel menor, Harbour serve como alívio cômico para a trama em certos momentos, e a dinâmica com Weisz complementa o drama familiar de família disfuncional, que funciona de forma magnifica.

Outro ponto alto do filme se faz na presença de seu antagonista, o Treinador. Uma ameaça misteriosa capaz de copiar qualquer movimento de seu adversário apenas observando e estudando ele. Gerando assim diversas cenas de ação impecáveis. Dando assim destaque para a coreografia que é muito bem trabalhada, apresentando para o espectador cenas de ação de tirarem o folego, um destaque da coreografia dentro do filme fica para uma cena em que a Natasha e a Yelena lutam e nas cenas de luta do Treinador, que se você prestar atenção consegue ver na sua mente certos movimentos de luta utilizados por outros personagens dentro do MCU. Vale ressaltar também a trilha sonora do filme que deixa tudo mais eletrizante e emocionante conforme o filme vai chegando em seu clímax.

Um ponto que deixa a desejar é o fato de o filme não ousar mais ao ponto de se distinguir em meio aos filmes solos do MCU para o encerramento de uma personagem tão marcante e que merecia um filme solo a anos, e se manter na fórmula segura criada em Capitão América: O Soldado Invernal. O filme poderia ter aproveitado de ser um filme solo e único para criar um ambiente especial e mais marcante para Natasha.

Viúva Negra é um filme que aborda temas como família e abuso, mas ele serve principalmente como uma despedida de Scarlett Johansson do MCU e da personagem de Natasha Romanoff, e também como uma passagem de bastão e do legado da Viúva Negra, em geral é um filme que a personagem merecia a anos.

Título Original: Black Widow

Direção: Cate Shortland

Elenco: Scarlett Johansson, Florence Pugh, David Harbour, Rachel Weisz

Duração: 2 horas e 13 minutos (113 min)