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Crítica Jovens Titãs

por Marcela França

Quando o filme Han Solo – Um história Star Wars foi lançado, muitos amigos criticaram o filme antes mesmo de assistirem. Quando perguntava o motivo, diversos amigos se limitavam a dizer: “Não vou perder o meu tempo com isso”. Porém, apesar dos pesares, fui ao cinema assistir o filme no dia de sua estréia. Apesar de não concordar com alguns aspectos, eu gostei do filme. Gostei tanto que no dia seguinte fui ao cinema para ve-lô novamente. Algumas semanas depois, li uma crítica sobre Han Solo, que tentava justificar a criação do filme na seguinte frase (ou era alguma coisa assim): Nenhum filme deve existir, até ele ser lançado.
Quando fui convidada à assistir a pré-estreia de Jovens Titãs em Ação, tive a mesma reação que meus amigos sobre Han Solo: “Não vou perder o meu tempo com isso”, foi a primeira coisa que pensei quando vi o trailer nos cinemas. Mas depois de assistir o filme, tive o grande prazer de viver uma das piores coisas que uma Leonina pode viver: Admitir que estava errada. E meus amigos, como eu estava errada.
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Jovens Tiãs em Ação chega aos cinemas. (Foto: Divulgação)
Os Jovens Titãs em Ação  é um filme infantil. Apesar de ser uma coisa óbvia, é importante deixar isso claro, para não levar nenhum “Jovem Adulto” às salas de cinema pensando que irá rever alguma referência a antiga série de 2003, Teen Titans. A animação gira em torno do fato que todos os personagens da DC ganharam seus próprios filmes (Incluindo o Alfred do Batman), menos os Jovens Titãs, que não são considerados como heróis de verdade por ninguém. Baseando-se nos grandes heróis como Superman, Batman, Lanterna Verde, Mulher Maravilha e entre outros, os Titãs entendem que para poderem ser Heróis de verdade, eles eles precisam de um arqui-inimigo. É nesse momento que surge o Exterminador, que no filme é chamado de Slade. A partir disso, eles fazem o possível para chamar a atenção de uma grande diretora de Hollywood para mostrar que eles merecem um filme.
O filme nos dá uma incrível aula sobre como deve ser uma adaptação. Mesmo sendo a versão criança desses heróis que já estão adultos nos quadrinhos, a adaptação respeita o original. Os Jovens Titãs em Ação é divertido, engraçado, um ótimo enredo, e com piadas a cada instante, a animação consegue tirar ótimas risadas com suas com suas mil e uma referências, que vão desde o estúdio do vizinho, Marvel e Disney, até aos anos 80 com “De volta para o Futuro”.

Mel Gibson brilha em “Pai em Dose Dupla 2”

Longa estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (23) e tem a top Alessandra Ambrosio no elenco

Por Alessandra Gardezani

Quem curte uma boa comédia natalina tem motivos de sobra para comemorar e dar aquela passadinha nos cinemas. Isso porque estreia nesta quinta-feira (23) a comédia “Pai em Dose Dupla 2”, com Will Ferrell novamente no papel de Brad e Mark Wahlberg como Dusty.

Rememorando o primeiro filme, lançado em 2016, Brad é um típico executivo e padrasto dos dois filhos de Sarah (Linda Cardellini) e Dusty, os pequenos Dylan (Owen Vaccaro) e Megan (Scarlett Estevez). Após inúmeros percalços para finalmente conquistar o carinho e respeito das crianças e todos conviverem em harmonia, eles terão um novo desafio: a vinda de seus pais para comemorar o Natal.

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Will Ferrel e Mel Gibson são diversão em “Pai em Dose Dupla 2”. (Foto: Divulgação)

É então que Mel Gibson entra em cena como Kurt ou El Padre, pai de Dusty. Ele é o responsável por protagonizar algumas das cenas que mais arrancam risadas do público, como seu discurso sobre garotas para o pequeno Dylan. Sua relação conturbada com Dusty traz momentos extremamente cômicos além de ser um contraponto muito interessante ao relacionamento de Brad com seu pai Jonah (John Lithgow).

Aliás, John também merece destaque no longa, pois só um ator como ele poderia dar tanta personalidade ao pai de Brad, além de ter um excelente timing para a comédia. Sua relação de muito amor e afeto gera cenas como a sua chegada no aeroporto que são de piadas simples, mas muito divertidas, o que deve agradar a todas as idades.

Repleto de dilemas familiares que poderiam estar presentes nos lares que qualquer um, “Pai em Dose Dupla 2” mostra que Ferrell e Wahlberg tornaram-se quase que realmente uma família, pois sua cumplicidade em cena evoluiu significativamente em relação ao primeiro filme. Além disso, suas falas são complementadas por seus olhares e gestos que somente atores com muita química conseguem.

A top model brasileira Alessandra Ambrosio também integra o elenco no papel de Karen, esposa de Dusty. Apesar do papel pequeno, ela começa a cavar seu espaço nas produções de Hollywood e sua personagem é mãe de Adrianna (Didi Costine), criança que pode ser comparada a Dennis, o Pimentinha. Ela se torna referência para a pequena Megan que veio preparada para tocar o terror e sem papas na língua.

Em tempo, se você sente falta de comédias natalinas no estilo Meu Papai é Noel, Um Natal Muito Muito Louco, entre outros, esta é a chance de aproveitar para matar a saudade e curtir bons momentos de risada com a família.

MULHER MARAVILHA É O MELHOR FILME DA DC COMICS

Por Gabriela Fonseca e Henrique Moita

Parece que a Warner reaprendeu como fazer um bom filme de super-heróis. Depois do sucesso que foi a trilogia do Batman, de Christopher Nolan, a parceria entre DC Comics e Warner Bros estava deixando muito a desejar em suas adaptações, com muitas críticas dos fãs. Mas finalmente eles voltaram a acertar com Mulher Maravilha.

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Gal Gadot agrada aos fãs como Princesa Diana. (Foto: Divulgação)

O filme é muito bom, não é à toa que está recebendo tantos elogios. Ele conta a história da princesa Diana (Gal Gadot), da sua participação na primeira guerra mundial e de sua busca por Ares, o Deus Grego da Guerra.

No filme, vemos duas etapas da vida de Diana, a primeira delas na ilha de Tesmiscira, ainda criança e depois ela já adulta, terminando o seu treinamento como guerreira amazona. A segunda se passa no “mundo dos homens”, no qual ela vê pela primeira vez todo todos os maquinários e coisas que ela nunca tinha visto. O filme se desenrola com ela ajudando os soldados britânicos da primeira guerra mundial.

O filme, como dito anteriormente é muito bom, sabendo aproveitar muito bem da atuação e como colocar o humor na hora certa e sem nenhum tipo de excesso.

Se a parceria Warner/DC mantiver o mesmo nível (algo bem difícil de se fazer, mas não impossível), podemos ter finalmente a concorrência DC/MARVEL em alta nos cinemas.

Ah, e mais uma coisa, você que está acostumado com as cenas pós-créditos dos filmes na Marvel, não precisa ficar esperando, pois os filmes da DC parece que não irão seguir a mesma tendência.

Guardians of the Galaxy Vol. 2: Um Futuro no Presente seguindo os anos 1970-80

Por Renan Villalon

Vivemos uma contemporaneidade audiovisual na qual o velho é constantemente utilizado como novidade, como forma nostálgica de trazer uma época midiática antiga dentro do atual mercado da cultura pop. Guardians of the Galaxy Vol.2 (Guardiões da Galáxia Vol. 2), de James Gunn, atende muito bem a esse aspecto, propondo (novamente) um filme que trata de uma adaptação das HQs da Marvel (especificamente das edições pós-2008) com uma temática que traz um sentimento nostálgico à plateia mais velha, o que torna o filme agradável a diversas faixas etárias. Dessa forma, é quase premeditado que nossos pais se sintam mais à vontade quando assistirem ao filme, isso porque, em diversas características, é quase impossível não afirmar que a obra gira em torno dos anos 1970-80.

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“Guardiões da Galáxia Vol.2” continua a história dos aventureiros espaciais. (Foto: Divulgação)

Essa identificação pode ser indicada, primeiramente, através do gênero cinematográfico do qual faz parte, que é exatamente uma space-opera intergalática, dentro de uma ficção científica, com diversos elementos medievalistas (espada, adagas ou mesmo uma flecha voadora), curiosamente um gênero que “explodiu” na passagem dos anos 1970-80 a partir do filme Star Wars: A New Hope (1977). A influência temática da obra de George Lucas é tão presente que, mesmo tratando-se de um universo completamente diferente, possui ideias convergentes com a galáxia desses guardiões: batalhas intergaláticas; referências à tradicional velocidade da luz; seres fantasiosos em forma humanóide; caçadores de recompensas interestelares; diversos planetas a serem explorados e etc. É possível observar um “espelhamento” nos vários filmes de Star Wars, tornando a história um característico episódio galático no universo da Marvel.

Adicionado ao gênero, temos a temática retrô fortemente estilizada complementando a história do filme, que é simples e divertida. O trabalho estético e sonoro na composição fílmica, além das referências que surgem nos diálogos dos personagens, é a nossa grande pista e inquietação que nos faz viajar no tempo da juventude retrô.

A direção de arte trabalha o visual do filme com diversas ideias datadas dos anos 1980. É possível vermos, em parte da colorização do filme, uma paleta de cores voltada para diversas tonalidades de roxo, azul escuro, amarelo, rosa e vermelho, normalmente muito fortes e intensas, que era algo copiosamente utilizado em discotecas ou demais eventos festivos e dançantes nos anos 1980 (reveja o pôster, a referência começa por ali!).

Fora esse interessante uso das cores, identificamos durante o filme outros aspectos oitentistas: como o estilo neon, em um dos pontos de encontro dos mercenários intergaláticos; seriados como Knight Rider (Super Máquina) surgindo como uma lembrança (principalmente devido à participação de David Hasselhoff no filme, a estrela do programa de TV naquela época); além do divertido uso de um ícone dos games, Pac-Man, como motivo visual no filme.

Já pela ambientação sonora, fica claro também o sentimentalismo retrô, agora referente aos anos 1970, através das músicas escolhidas para compor a história. Com diversas canções de época, essencialmente de gêneros derivados do rock, como: art rock, blues rock, soft rock, country rock, pop rock, hard rock, entre outros, a nostalgia musical setentista é outro dos grandes destaques no filme. Esse direcionamento musical ajuda não apenas a criar aquele sentimento característico, como também funciona enquanto elemento narrativo, tanto que algumas letras das músicas compõem as motivações de alguns personagens, principalmente no relacionamento entre Ego (Kurt Russell) e Star-Lord (Chris Pratt), ou entre o protagonista e Gamora (Zoe Saldana).

Entretanto, é possível considerar que a música mais interessante e nostálgica, unindo referências sonoras e visuais no filme, seja a canção Guardians Inferno, composta por Tyler Bates e James Gunn, que trata-se de uma música eletrônica, ao melhor estilo disco music (com seu auge em meados dos anos 1970), que segue a melodia do tema principal e original do filme. Nessa mesma música, temos não apenas o prazeroso resgate das discotecas setentistas, mas principalmente a participação de David Hasselhoff como cantor, e assim, em apenas uma trilha, a direção musical consegue juntar as referências das duas décadas que são trabalhadas durante toda a obra (não por acaso, essa é uma das canções que escutamos durante os créditos).

No geral, é interessante observar essas referências em um filme contemporâneo, principalmente porque as HQs adaptadas tiveram suas primeiras publicações pós-2008, ou seja, a equipe de direção de arte e musical poderia muito bem remeter à essa época mais próxima do principal público-alvo do universo Marvel. Curiosamente, há também um contraponto entre seu estilo e sua forma técnica, já que mesmo remetendo a diversos tipos de referências teoricamente antigas, há um acúmulo de CGI, devido às necessidades do filme, que o impede de ser reconhecido enquanto uma narrativa oldschool, por assim dizer. Entretanto, se podemos tirar uma conclusão do trabalho desses artistas é que Guardians of Galaxy Vol. 2 é uma obra que “atualiza o velho”, que relembra o antigo ao mesmo tempo em que necessita mostrar-se enquanto obra atual, o que dá ainda mais destaque às referências, pois essa distância e aproximação naturalizada entre as diversas épocas é instigante.

Já o seu roteiro também trabalha com outras ideias e referências.

Essencialmente, enquanto os arcos dramáticos particulares de seus diversificados personagens são bem explorados durante a narrativa, temos sua história principal colocando em crise a ideia do mito cosmogônico da criação divina, através de um leitura direcionada pelas mitologias cristã e grega, isso devido ao desenvolvimento do passado familiar de Star-Lord. Seu relacionamento com Ego, seu pai, é tratado através da ideia de um deus único (próprio dos ideais cristãos) com adição de múltiplos semideuses pela galáxia (o que nos leva aos mitos gregos). Observa-se assim, novamente, mais elementos medievalistas dentro de uma narrativa que visa uma ideia de futuro, isso quando relacionada com o nosso hoje, uma interessante mistura entre ideais já vividos em meio à uma imaginação de algo que ainda está por vir (sim, isso nos dá um “nó” na cabeça!).

Além disso, é válido relembrar neste texto do humor muito bem trabalhado durante o roteiro, com piadas que se integram na história principal ao mesmo tempo que servem enquanto quebra da narrativa, diversas vezes, nos tirando de um possível foco excessivo na seriedade das ameaças que os guardiões sofrem durante todo o filme. Certamente é um filme que não se leva tão a sério, e é isso que o torna tão prazeroso no sentido de acompanhar seu desenvolvimento, pois além das piadas servirem enquanto “quebra”, nos permitem identificarmos melhor as curvas dramáticas presentes na história (momentos de alta e baixa dinâmica na linha narrativa, com sentimentos de alegria, tristeza, tensão, suspense e etc).

Automaticamente, as piadas também ajudam o espectador a se aproximar mais dos personagens e/ou do universo intergaláticos – lembrando aqui que a referência mais próxima da Terra é Peter Quill (Star-Lord). Os momentos cômicos fazem com que esses seres fantásticos, e seus respectivos ambientes estelares, percam aquele distanciamento da nossa realidade, isso porque as piadas naturalizam a presença deles durante o filme, principalmente quando tratam de referências terráqueas (o que não é pouco!). E nesse aspecto é interessante o uso do personagem Peter Quill, já que ele serve como uma “ponte”, como uma conexão entre o universo no qual está presente e a realidade nostálgica vivida por diversos espectadores, como mostram as constantes referências setentistas e oitentistas.

Assim, como últimas considerações, Guardians of Galaxy Vol. 2 funciona tranquilamente como um filme solo, ainda que seja o “segundo volume” de uma trilogia ainda em produção e integrante do projeto cinematográfico da Marvel. Na verdade, o fato da obra nos permitir esse certo distanciamento do ambiente terrestre no qual os principais personagens fílmicos estão presentes, no pós-Guerra Civil (Capitão América 3), a enaltece excessivamente. Isso porque permite enxergarmos o seu potencial narrativo, independentemente do mesmo ser simples e quase restrito ao próprio destino de seus personagens. Vejamos se, em um futuro próximo, os guardiões continuarão em uma space-opera repleta de elementos nostálgicos, mantendo o seu bom humor enquanto escutamos o Awesome Mix Vol. 3.

P.s.: Divirtam-se com as cenas DURANTE os créditos!

Ass.: I’m Groot.

“Beauty and the Beast”, uma Nostalgia Atualizada ao nosso Tempo

Por Renan Vilallon

Uma refilmagem é sempre uma adaptação. Independentemente da mídia usada ser a mesma, o que acontece com o produto aqui observado, qualquer tipo de mudança entre o período das obras de arte já é um aspecto que irá interferir tanto na história quanto em sua forma artística. Em Beauty and the Beast (A Bela e a Fera), de Bill Condon – adaptação direta da versão animada de 1991, de Gary Trousdale e Kirk Wise – temos um filme que mistura uma história audiovisual altamente icônica, de acordo com o universo Disney, com a adição de elementos narrativos contemporâneos à nossa época, atualizando o clássico animado ao seu período contemporâneo. Vejamos alguns desses elementos?

Sem dúvida, um deles que mais chama a atenção é a forma como a história principal e os arcos dramáticos de alguns personagens foram tratados pela escrita do roteiro. Ao mesmo tempo manteve-se grande parte da ideia original (da animação de 1991), mas também foram colocados aspectos que complementam a história dos personagens e que atualizam a narrativa de acordo com as necessidades atuais. De fato, o grande foco é na adição de fatos que complementem o arco dos personagens, com ideias que em sua maioria ajudam a melhorar a história como um todo, mesmo que pouco seja mudado entre a versão de 1991 e a de 2017 (na linha narrativa geral).

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“A Bela e a Fera” traz elementos da animação para o live-action. (Foto: Divulgação)

Embora haja poucas mudanças, talvez o fãs mais saudosos da animação percebam elementos que destoem um tanto da narrativa dos anos noventa, e a que mais pode ser questionada, infelizmente, é o aspecto da maldição da Fera (Dan Stevens) – que deveria aprender a amar alguém e merecer/ter o mesmo amor correspondido pela pessoa até o seu 21º aniversário. Com isso, devo dizer aqui que há um problema narrativo na resolução da maldição, que deixa uma incógnita gigantesca sobre a motivação da rosa encantada, assim como o porquê da presença da feiticera em outros momentos da história, propondo uma ligação até mesmo com o arco particular de Belle (Emma Watson). Isso faz a história, nesse ponto específico, sair de sua ideia central, embora não seja algo que comprometa o filme ou a sua experiência artística. No geral, as decisões sobre o principal drama trágico da obra é altamente questionável e um tanto incoerente, principalmente em uma história que ultrapassa o limite autoexplicativo, com diversos momentos dedicados a esse aspecto para a narrativa, excedendo até mesmo a animação, que já era bem “mastigada” em si.

Se a principal motivação deixa uma ideia aparente de mistério, as cenas e/ou diálogos, que complementam a história prévia de alguns dos personagens mais importantes, são altamente claros e objetivos. Algo interessante é que se pode identificar motivações ligadas à primeira versão literária da história – La Belle et la Bête (1740), de Gabrielle-Suzane Barbot –, em que observamos a transição do primeiro ao segundo atos fílmicos sendo conduzidos por ela. Ao utilizar da mesma ideia literária que faz não apenas o pai de Belle, Maurice (Kevin Kline), ser capturado pela Fera, mas que também se torna a razão do encontro do futuro casal, o pedido e o “roubo” de uma rosa são momentos que encerram o primeiro ato e iniciam o segundo, propondo também o início de seu desenvolvimento na história. Ao mesclar essas narrativas referentes, compreendemos que a adaptação da Disney não resgata apenas a antiga animação, mas também o cânone literário, ou seja, há uma preocupação com as raízes da história do conto de fadas, o que é muito bom.

Os exemplos são diversos relacionados à melhor construção das linhas narrativas de cada personagem nesta versão em live-action, servindo à história sem compremetê-la. Entre elas, temos uma adição que serve como ponto de encontro entre as histórias de Belle e Fera, essencialmente por duas motivações. A primeira está ligada à questão maternal, devido à perda da mãe que ambos passam, se tornando traumas em suas vidas e influenciando diretamente na sua visão de mundo e no modo que vivem. Belle possui um pai mais melancólico, o que interfere na sua relação com ele por esconder o passado de sua mãe, e o principe (Fera) se torna arrogante e prepotente devido à criação rígida de seu pai pós-morte da mãe, o que causaria a maldição ao reino. Já a segunda motivação está relacionada ao modo como esses personagens enxergam suas próprias vidas, pois se colocam como estranhos ou criaturas não adaptáveis às formas de vida que lhe foram impostas – Belle relacionada à vida no vilarejo e Fera devido à maldição em seu castelo.

Ou seja, essa aproximação entre as histórias particulares de cada personagem ajuda o espectador a aceitar e compreender melhor a relação de proximidade, amor e/ou paixão entre figuras de mundos e aparências completamente diferentes, complementando o arco dramático principal (maldição da rosa).

Além disso, há também o fator de adequar o conto de fadas à sua época contemporânea, e nesse quesito a Disney consegue propor um aspecto interessante ao personagem LeFou (Josh Gad), que deixa de ser um simples submisso e seguidor de Gastón (Luke Evans) e passa a questionar e a pensar por si próprio durante toda a história. A atuação de Gad em si nos entrega a personificação de uma figura que serve como alívio cômico pelo tempo cômico do ator, que se mistura à sua admiração por Gastón, à forma como se relaciona no vilarejo, ou como observa a si mesmo a partir da figura de seu ídolo, que vai se modificando gradualmente durante toda a história principal.

Pela questão da representatividade, a Disney consegue mais uma vez mostrar a importância em apresentar personagens homossexuais de maneira natural, principalmente sabendo que há um grande público infantil que assistirá ao filme e que já passou da época a prática ainda comum de esconder das crianças a realidade social na qual vivem e viverão, principalmente com relação às questões homoafetivas. Isso é um fator que mostra também o porquê das adaptações possuírem o fator do tempo enquanto aspecto que modifica a obra de arte, pois compreender aspectos homoafetivos está mais presente hoje, às massas, do que na época da animação, o que atinge inevitavelmente os produtos da cultura pop.

Quando começamos a observar algumas características da direção de arte, chegamos a outras relações à adaptação em live-action, e algumas se mostram um tanto problemáticas, embora a intenção de seguir o clássico seja bem claro. Uma primeira percepção sobre a característica nostálgica da qual o filme é dependente é a identificação da utilização de ambientes relacionados à primeira versão, pois mesmo que a direção artística mude algumas ideias, de forma geral, é natural lembrarmos de momentos copiosamente transpostos da animação ao live-action. O vilarejo, o castelo, a floresta amaldiçoada, o jardim com neve, a extensa biblioteca, o grande salão da cena da valsa… Todos estes ambientes que nos ligam diretamente à versão animada, e isso além do figurino (principalmente do casal) e dos fotogramas, claramente recolocados na adaptação – há até mesmo a utilização da arquitetura do castelo relacionada às fases artísticas do barroco e do rococó do século XVII, algo que é citado na animação (1991), o que mostra a preocupação em se manter aspectos icônicos ou diretamente referenciais à obra anterior, ao mesmo tempo que representa a aristocracia oriunda da passagem dos séculos XVII a XVIII, como aparece através da herança histórica da família do príncipe.

Os números musicais são outra forma de se resgatar a animação. Sobre esse aspecto temos a ligação mais nostálgica possível ao live-action, pois mantém-se a mesma melodia e letra das músicas de 1991. A mudança mesmo fica pela visibilidade desses momentos, com um tratamento desses números musicais como se estivessem presentes em uma ópera, com falas recitadas em canto, coreografias diversas (valsa e até sapateado) e movimentos milimetricamente ensaiados, enquanto a câmera passeia pelo ambiente. Isso é interessantíssimo do ponto de vista atístico, por misturar cinema e teatro sem medo de explorar elementos das duas formas artísticas.

A linguagem cinematográfica, no entanto, mostra um certo problema nos números com grande quantidade de bailarinos atores, pois algumas vezes o excesso de elementos em cena atrapalha um pouco sua visibilidade, podendo fazer o espectador se perder diante dela. Já os números em solo – como o de Belle em um momento no começo do filme, ou de Fera quando observa sua amada deixando-o para salvar seu pai – embora não tenham esse problema de linguagem, não possuem a suavidade, pela movimentação e presença dos personagens, como se observa no clássico animado, com textos bem declamados, mas através de coreografias excessivas, o que torna sua visibilidade um tanto “robotizada” ou “mecanizada” algumas vezes.

Um exemplo que mostra o excesso da coreografia e a perda de suavidade é, exatamente, a cena da valsa entre Belle e Fera. A valsa do casal é direcionada por uma dança voltada à realidade dos bailes do século XVIII, nos quais havia pouco contato físico entre os pares e uma dança gradualmente coreografada, com pequenos movimentos realizados. É claro que há o momento em que Belle e Fera ficam mais juntos na dança, mas nem mesmo nesses segundos eles “quebram o protocolo”, da forma como se observa na animação clássica, deixando aquela visão mais romantizada da valsa em busca de uma figuração diante da realidade da época na qual a história se passa. E até mesmo isso se mostra como um aspecto reapresentado, pois a aristocracia fica muito evidente através dessa dança, que remete aos bailes do príncipe na época quando ainda não era uma Fera.

Curiosamente, os números mais bem realizados são aqueles em que aparecem os objetos animados do castelo, como Lumiere (Ewan McGregor), Cogsworth (Ian McKellen), Mrs. Potts (Emma Thompson) e companhia. Seguindo uma idealização artística bem semelhante a do clássico, temos uma animação mais natural e não tanto coreografada dos objetos (é comum vermos, em diversos momentos, uma movimentação mais livre e despretensiosa), o que humaniza muito mais suas figuras. E, por último, observamos a adição de alguns poucos números musicais à história, pois complementam os arcos dramáticos de certos personagens, servindo bem à sua narrativa, embora a deixem excessivamente autoexplicativa, o que se mostra como uma “faca de dois gumes” ao filme, mais complementando do que comprometendo a obra.

Concluindo, os diversos aspectos em Beauty and the Beast mostram dois caminhos pelos quais a obra foi direcionada: primeiro pelo aspecto nostálgico, e segundo pelo aspecto de atualização. No entanto, isso não nos impede de observar uma direção artística também voltada à uma representação histórica menos romantizada, ainda que seja para um musical da Disney, e com ideias ao roteiro que complementam à narrativa, ao mesmo tempo em que se mantém a história do clássico animado. Dessa maneira, a obra em live-action impressiona mais pelas decisões de seus roteiristas do que pelas escolhas da direção de arte, o que pode ser até um espanto em se tratar da Disney, mas isso não precisa ser visto como um demérito ao espetáculo que o filme nos traz. Talvez, agora sim, seja esse um indício de que precisamos de clássicos recontextualizados, ao nosso contemporâneo, pelo aspecto da história e representatividade do que pelo desejo de um possível grande espetáculo visual, a ser contemplado nas salas de cinema.

A Tradição e as técnicas em “Kong: Skull Island”

Por Renan Villalon

Filmes nostálgicos, ou que remetem a obras clássicas e icônicas de Hollywood, se tornam cada vez mais constantes para o grande público, e produtos direcionados pela cultura pop são um dos principais carros chefe dentro dessa curiosa oferta. Kong: Skull Island (Kong: A Ilha da Caveira), de Jordan Vogt-Roberts, reconhecível como um reboot e não necessariamente como um remake do primogênito King Kong (1933), trata-se de um filme que pode gerar um dos retornos contemporâneos sobre um dos mais excêntricos tipos de filmes: o dos monstros gigantes do cinema. Vejamos, portanto, algumas de suas características.

O roteiro de Kong é considerado como dentro do gênero de aventura, ação e fantasia (pelo IMDB), com diversos elementos extravagantes (com destaque especial aos monstros), mas esse reboot também traz a temática de sobrevivência na selva e/ou de conflitos militares – como a fotografia da cena do primeiro encontro com Kong lembrando uma das icônicas sequências de Top Gun (1986) – o que já propõe algumas modificações à história original.

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“Kong: A Ilha da Caveira” chega aos cinemas resgatando os monstros gigantes. (Foto: Divulgação)

Conforme o esperado, há uma imensa diversidade de criaturas gigantes, indo desde aranhas que ultrapassam a altura das árvores até lagartos com uma extensão maior do que o próprio e principal monstro personagem da trama. Isso acaba por demonstrar todos os perigos da ilha, mas também reconhecemos o intuito de transformarem a figura ameaçadora de Kong em um líder que mantém o equilíbrio da natureza nesse ambiente. Equilíbrio que, curiosamente, será ameaçado tanto pelo “progresso científico” (através da destruição e invasão do homem à natureza), quanto pelo aspecto militar da infantaria que acompanha os cientistas na expedição (com uma típica temática de vingança e de domínio do homem sobre a natureza) – ambas características do roteiro que demonstram um aspecto crítico sobre a figura do homem perante a natura, mesmo que sem um grande aprofundamento dessa possível ideia.

Mas gêneros com monstros gigantes também se trata do cinema enquanto espetáculo midiático, e essa ideia não é menosprezada pela produção. Um aspecto importantíssimo é o embate e a forma como as lutas entre os monstros ocorrem, nesse caso servindo bem à história e evitando momentos gratuitos. Isso transforma cada uma das lutas, aparentemente, em uma motivação diretamente relacionada aos aspectos de Kong, seja para observarmos sua ferocidade, ou a sua relação de proteção e autodefesa, ou na relação multifacetada com a figura do homem, que ao mesmo tempo pode ser ameaçador, insignificante, amoroso e/ou indefeso. Além disso, temos também a tensão produzida pelo filme, com momentos de muita criatividade quando vemos os humanos sendo ameaçados pelos diversos monstros, pois trata cada uma das criaturas através de suas particularidades. Isso gera excessivamente um clima no qual os personagens podem ser mutilados, erguidos, perfurados, devorados ou esmagados em qualquer momento, o que deixa o espectador num clima eterno de suspense durante a história (com quebras de narrativa muito inusitadas e excêntricas, ao mesmo tempo).

Os aspectos técnicos relacionados à construção da imagem fílmica são essenciais para a experiência cinematográfica que a obra passa. O principal deles pode ser a linguagem cinematográfica utilizada para a obra, em que reconhecemos logo de início a forma como o diretor usa o 3D com a intenção realmente de inserir o espectador nos ambientes da narrativa. Mesmo com poucos e breves momentos nos quais ele “joga” elementos cênicos no rosto do espectador, utiliza o 3D de maneira bem abrangente, condicionando e posicionando os personagens e os monstros com a profundidade de campo geralmente mais extensa e não muito reduzida. Isso, ainda que existam alguns instantes em que utiliza do hack focus (mudança de foco do fundo para frente e vice-versa) como forma de direcionar o olhar, o que também não atrapalha e nem banaliza o 3D no geral.

Sobre essa característica de direcionar o olhar do espectador, Vogt-Roberts conseguiu ser bem criativo, pois em alguns momentos também utiliza da ideia de “quadros dentro do quadro fílmico”, algo clássico no cinema hollywoodiano – estes são pequenos enquadramentos, através de objetos cenográficos em meio às cenas, para criar um quadro cênico dentro do enquadramento do filme, o que direciona rapidamente o olhar do espectador para conteúdo desse quadro menor. Esse fator, criando um aspecto de realidade, nos ajuda a suspender o fator da descrença no filme, algo importante para que o espectador tenha imersão e envolvimento na história, a ponto de vibrar (internamente) com os momentos de catarse na narrativa.

Complementando essa ideia sobre a linguagem fílmica, também podemos citar a forma como Vogt-Roberts trata a carnificina no filme (atendendo a quesitos que permitem uma larga faixa etária assistir à obra). O diretor utiliza de momentos tanto pela forma clichê (como o tradicional corte de câmera, no momento do ataque, para um plano no qual esborrifará o sangue em algum lugar), quanto por ideias criativas (como a cena em contra-luz que mostra um dos personagens sendo atacado e esquartejado por monstros voadores). Isso é importante quando lembramos que a primeira versão (1933) era direcionada, em meio a outros gêneros, como um filme de horror, e independentemente dos parâmetros de censura que existiam naquela época, uma temática de terror nos dias atuais exige, pelo menos, o PG-13 (faixa etária de 13 anos acima), o que restringiria o público-alvo no cinema, mesmo que fosse pouco. Isso além do trabalho com os grandes planos gerais da narrativa, que além de criar expectativa pelo momento de aparição ou ataque dos monstros, também é idealizado pelo fato do lançamento em IMAX, que pelo enorme formato também influencia na experiência de assistir ao filme, embora não seja excessivamente uma obrigação para se divertir com a obra.

Como forma nostálgica, se relacionando com o primeiro da franquia King Kong, através da direção de arte observamos os aspectos de iconicidade que esse reboot busca, sempre se referindo ao filme de 1933. Alguns dos ícones do clássico aparecem através da utilização de seus elementos e motivações, como: (1) Kong batendo no próprio peito; (2) o resgate e o relacionamento com a principal figura feminina da história; (3) os veículos aéreos sobrevoando ao redor da figura do monstro, atacando-o; (4) os monstros pré-históricos e insetos gigantes; além (5) dos nativos da ilha. Há também a sugestão narrativa de que Kong seria capturado, como na obra de 1933, mas essa possível referência fica para uma continuação mais a frente. Dessa maneira, percebe-se que, embora a obra tenha uma história diferenciada do original, o aspecto nostálgico se mantém e também é importante para a experiência que o filme propõe. Isso também se conclui através da cena pós-crédito, pois se relaciona não apenas com o futuro crossover já mencionado pela produtora (com Godzilla, de 2014), como sugere que a franquia dessa série fílmica, MonsterVerse, irá resgatar diversos títulos da franquia Godzilla, como: Mothra (1961), Rodan (1956) e Ghidorah, the Three-Headed Monster (1964).

Finalizando, Kong: Skull Island é uma obra em que foi buscado o novo e o velho, com sua equipe baseando-se em elementos icônicos, mas preocupada com uma inovação à história, essencialmente pelos aspectos técnicos que tanto podem modificar e/ou diversificar uma obra com teor nostálgico. Um sentimento que parece ser buscado constantemente pelas atuais produções à cultura pop no cinema, e que continuarão com esses novos filmes de monstros.

Hugh Jackman se despede de Wolverine em grande estilo

Por Rodrigo Bocatti

Desde o anúncio que Hugh Jackman se despedir do personagem Wolverine nos cinemas os fãs começaram a pedir uma saída digna, que fosse a redenção dos filmes anteriores do carcaju. E quando saiu a classificação R nos Estados Unidos (no Brasil apenas maiores de 16, ou acompanhados dos responsáveis, podem assistir), a internet quase veio abaixo, já que com uma idade maior a essência de Logan e a violência dos quadrinhos poderia ser retratada nas telonas.

E quem foi (ou ainda vai) assistir não ficará decepcionado, pelo contrário, sairá da sala que a 20th Century Fox e o diretor James Gold fizeram um excelente trabalho e fecharam o ciclo de Hugh com chave de ouro.

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Hugh Jackman viveu Logan pela última vez, nos cinemas. (Foto: Divulgação)

 

O filme foge da temática de um super vilão que quer dominar o mundo e o herói tem que salvar o dia. É bem diferente disso. Em um mundo ontem não existem tantos mutantes, Logan busca proteger os que vivem com ele. Porém, quando conhece uma mulher, sua vida tem uma reviravolta. Com menos agilidade e seu poder de cura desacelerando por causa da idade, ele tem que lidar com perdas durante o caminho para salvar Laura (Dafne Keen), criada a partir de uma experiência, onde os poderes são semelhantes aos seus, e seus amigos mutantes, garantido o futuro de espécie.

Inimigos impiedosos e lutas de tirar o fôlego, Gold conseguiu reunir a brutalidade do mutante, mas também o seu lado humano. Com certeza os fãs de Hugh Jackman e dos X-Men são brindados com um ótimo espetáculo, do jeito que todos imaginaram o carcaju. Resta saber agora se veremos a X-23 em futuros filmes dos mutantes, já que ela cativa no filme e ganha os corações dos fãs.

John Wick

Por Alan Felipe

John Wick (Keanu Reeves) é forçado a deixar a aposentadoria mais uma vez por causa de uma promessa antiga e viaja para Roma, a Cidade Eterna, com o objetivo de ajudar um velho amigo a derrubar uma organização internacional secreta, perigosa e mortal de assassinos procurados em todo o mundo.

O filme trás de volta um personagem que parece que é a cara do Keanu Reeves, com uma atuação boa, Reeves nos proporciona um otimo filme de ação, com grandes cenas de combates corpo a corpo, além de muita troca de tiros e armas apresentadas.

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“John Wick” traz Keanu Reeves em um ótimo filme de ação. (Filme: Divulgação)

Conseguiram um filme de ação que não força com grandes cenas mentirosas, mas que te prende do começo ao fim graças ao Wick e sua determinação para realizar seu objetivo, além de um pouco de comédia em momentos certos.

Um otimo filme de ação e que nós deixa querendo saber da continuedade da história de John Wick e o que era vai encarar no próximos capitulos dessa saga que vai crescendo.

As Figuras Femininas em “Live by Night”

Por Renan Villalon

História. Se há uma palavra que pode nos ajudar a definir atmosferas e temas cinematográficos, e suas diversas épocas referentes, é essa palavra, tão curta e ao mesmo tempo tão abrangente sobre diversificados assuntos. Pois bem, o contexto histórico de Live by Night (A Lei da Noite), dirigido, escrito e atuado por Ben Affleck, é nada menos do que situado no intenso período entre guerras – chamado assim por se tratar da época entre as Primeira e Segunda Guerras Mundiais (1918-1939) –, e, embora a sua primeira caracterização seja como um filme de gângsteres, há outros gêneros embutidos em sua narrativa, os clássicos film noir e, ainda mais antigo, western.

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“A Lei da Noite” estreia  hoje e mescla dois gêneros. (Foto: Divulgação)

Dos três gêneros, aquele que pode ser identificado como presente na época entre guerras, de fato, são os filmes sobre a máfia (gângster), embora há uma ressalva sobre essa ideia. Coloco isso pelo fato de que esse gênero, aqui reconhecido, é tradicional desde os anos 1910 no cinema, mas, ainda assim, ganhou maior destaque na clássica fase a partir dos anos 1930, com a chegada do cinema sonoro no final dos anos 1920. Já o gênero noir, com elementos que o colocariam como um “filho” do cinema dos mafiosos, chegaria na época dos anos 1940, com tramas complexas recheadas de textos extensos, personagens ambíguos e crimes a serem desvendados por um perspicaz detetive. O último deles, western, os famosos filmes de cowboy, com grandes perseguições a cavalo e com xerifes e bandidos trocando tiros em meio a diligências, existe desde a passagem dos séculos XIX a XX e, assim, como um dos primeiros e mais clássicos gêneros do cinema.

Em um âmbito mais geral, os três gêneros tratam de tramas sobre crimes, um deles movidos pelo ponto de vista dos criminosos (gângster), outro pela observação dos homens da lei (noir), e o terceiro pela caracterização quase mítica de ambas as figuras, em contínuos combates (western), nos quais cada um deles possui seus característicos personagens e motivações narrativas. Entretanto, o quê esse resgate histórico teria a ver com Live by Night?

A trama serializada de Ben Affleck, e digo isso porque há uma característica diferença entre os diversos “climas” presentes em sua narrativa visual e textual, é caracterizada por esses três gêneros, misturando aspectos das temáticas e trazendo um interessante diálogo entre elas.

Podemos iniciar nossas investigações fílmicas, primeiramente, pelo tema principal que surge na narrativa de Ben Affleck, que é justamente a atmosfera caótica e violenta, com uma copiosa trama de vingança e manipulação, que aparece entre as grandes ações dos personagens masculinos criados pelo atual diretor e roteirista. Algo típico do cinema gângster e que é um fator que conduz grande parte do texto de Affleck é a forma como as famílias White (máfia irlandesa) e Pescatore (máfia italiana) se entrelaçam de maneira rivalizada, com uma ação possuindo o retorno da outra e vice-versa, num jogo contínuo de ameaças nas quais os civis são meros espectadores.

Entretanto, embora o gênero dos gângsteres seja, em suma, uma temática altamente patriarcal, na qual os homens não apenas possuem o grande domínio das ações assim como, seus principais representantes, tratam as mulheres como simples joguetes em suas mãos, aqui temos algumas das mais importantes motivações dramáticas conduzidas pelas mulheres. Embora isso não evite um contexto maniqueísta, propõe uma contraposição ao gênero. Isso trata, diretamente, de dois aspectos, um próprio do film noir: a presença da femme fatale, e outro típico do western: a força da mulher redentora.

O tipo feminino da femme fatale trata do excessivo medo, na época após a Segunda Guerra Mundial, que a sociedade machista começava a ter sobre a figura independente da mulher. No período dos embates bélicos, as mulheres tiveram que aprender a serem independentes da presença masculina, e quando os soldados, voltando dos campos de batalha, se deparam com essa mulher, muitas vezes firme e segura, isso lhes causa insegurança e medo de perder o domínio sobre seus lares. Já a mulher redentora simbolizava a categórica mulher branca, originada de um contexto mitológico relacionado às narrativas do cativeiro. Essas contavam como que essas mulheres, raptadas por índios, suportavam tamanhas provações e esperavam da graça de Deus um resgate sagrado, normalmente realizado por um homem branco, o que as faria conduzir suas vidas diante dos valores da sociedade auto-identificada como cristã e moralizante.

As formas pelas quais a sociedade compreendia a figura da mulher fez com que surgissem cada um destes tipos femininos, de acordo com cada época cinematográfica. Dessa forma, aparecem os estereótipos integrantes em cada atmosfera: a femme fatale (mulher fatal, figura sexualizada, que manipula o homem em busca de interesses próprios e que pode domesticá-lo) e a mulher redentora (a dama pura, figurada pela mulher cristã e que irá propor a redenção do homem através do sentimento do amor puritano). São esses os contextos e temas trazidos por duas das principais personagens, uma pelo aspecto de manipulação sexual de duas das principais figuras masculinas, e a outra pela intensidade dramática e purista pela qual suas ações direcionam as decisões de um dos personagens ao retorno dos valores morais da sociedade.

Adicionada a essas importantes figuras para o roteiro de Affleck, temos outra mulher, situada entre as duas motivações femininas, que irá influenciar as decisões políticas do personagem principal, assim como irá propor uma redenção de suas ações em busca de uma vida direcionada ao amor em família.

Isso nos mostra a intensa ambiguidade no texto de Live by Night, enquanto nos ajuda a caracterizar os diversos “climas” diante de sua narrativa. Assim, embora nesses momentos serializados o filme não perca o seu tom de manipulação através das “políticas de mercado” – aquelas categóricas dos filmes de gângsteres e que dispensam maiores comentários –, imprime um contexto, no qual, embora se acredite que tais mulheres tomarão determinadas ações, as mesmas podem surpreender mesmo o espectador mais atencioso à narrativa. E isso tratando, ao mesmo tempo, de figuras já estereotipadas em gêneros clássicos e de motivações pessoais, dessas personagens, que vão se modificando e dificultando que o público consiga definir o rumo pelo qual cada uma delas irá seguir.

Dessa forma, com essa constante mistura de gêneros, principalmente pelas personagens femininas, e com uma direção de arte que acompanha diversos tipos de ambientações sob os gêneros gângster, noir e western, Live by Night nos propõe uma narrativa que, embora siga a história de Joe Coughlin (Affleck), possui sua imagética voltada a grandes gêneros hollywoodianos. Isso não nos direciona apenas a um passado nostálgico sobre diversas épocas, mas também nos coloca diante de antigas construções narrativas da figura da mulher, sobre as quais, se as observarmos bem, podem representar a forma maniqueísta pela qual o patriarcado tende a observar a sociedade.

Triplo XXX: Reativado

Por Alan Felipe

‘Triplo xxx: Reativado‘, terceiro capítulo da explosiva franquia de sucesso que redefiniu o thriller de espionagem, acompanha o atleta que tornou-se agente do governo: Xander Cage (Vin Diesel), que sai do exílio auto-imposto e entra em rota de colisão com o guerreiro mortal Xang e com sua equipe. Tudo para recuperar uma arma chamada de Caixa de Pandora. Recrutando um grupo totalmente novo e em busca de emoção, Xander se vê em uma conspiração mortal que aponta para uma participação dos mais altos níveis do governo do mundo.

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Saga de Triplo XXX ressurge com Vin Diesel na pele de Xander Cage. (Foto: Divulgação)

O filme é uma resurgimento da saga Triplo XXX, assim como vem acontecendo com outras sagas em Hollywood. infelizmente fraco ao que se refere as cenas ações com mistura de esportes radicais como acontece no primeiro filme e foi a formula do sucesso.  Acabou mostrando mais ser um filme de Ação/Entretenimento onde o foco ficou sendo os combates por armamento.

Mas conseguiram apresentar todos os personagens de forma clara e divertida, coisa que Esquadrão Suicida não conseguiu. Donnie Yen como em Star Wars mostra um ótima atuação aliada a sua forma de lutar, Vin Diesil mostra todo o seu ego dentro do seu personagem Xander Cage e contamos com atuações que não comprometem dos outros atores.

Triplo XXX: Reativado, é um filme bom para entretenimento, onde conseguiram deixar em aberto que podemos ter mais filmes para saga Triplo XXX e que não precisam depender só do Vin Diesel ou Ice Cube para serem o protagonista, mas podemos no próximo filme da franquia ter outro ator ou até um artista/esportista como protagonista.

A participação de Neymar para o filme em si, pode não ter peso muito forte, mas deixa claro essa linha que podemos imaginar um Usain Bolt ou Cristiano Ronaldo como triplo XXX no futuro.