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Empolgante, apaixonante e chega em boa hora

Projeto da Broadway “Em um Bairro de Nova York” chega ao cinema e traz leveza, esperança por dias melhores e mostra que sonhos se tornam realidade

Por Antonio Lemos

Em Um Bairro de Nova York. (Foto: divulgação)

Sonho: Segundo o dicionário, significa o ato ou efeito de sonhar; conjunto de imagens, de pensamentos ou de fantasias que se apresentam à mente durante o sono. Qual é o grande sonho de vocês, leitores? Muitos querem estudar ou completar o seu ciclo acadêmico, outros procuram um emprego e estabilizar. Um grande amor, dinheiro, viver em um lugar melhor… Enfim, o projeto idealizado por Lin-Manuel Miranda para a Broadway, intitulado “Em um Bairro de Nova York” (In The Heights) chega aos cinemas, e com direção de John M. Chu e roteiro de Quiara Alegría Hudes mexe um pouco com as nossas ambições, traz leveza e esperança por dias melhores.

A história começa no bairro de Washington Heights, na cidade de Nova York e os oito primeiros minutos mostra os sonhos de cada personagem da trama. Com direito a hip-hop, salsa, merengue e outros estilos musicais, até quem não gosta de musicais fica contagiado com o som e as danças. Dá vontade de pegar o nosso sombrero, os chocalhos e cantar junto com os personagens.

Bora falar dos personagens principais do filme! Usnavi de la Vega (Anthony Ramos) é um rapaz nascido na República Dominicana, sonha em viver uma vida melhor em outro lugar e reconstruir o antigo bar que seus pais tinham (El Sueñito). No começo do filme mostra ele conversando com um grupo de crianças sobre a história de como vivia no bairro que estava em profundas mudanças, dando a impressão de que estava em um paraíso, sombra e água fresca. Ele é dono de uma mercearia, que conta com o seu primo Sonny (Gregory Diaz IV) como funcionário. O momento cômico do dialogo dele com a gurizada é quando explica a origem do seu nome (só assistindo para dar risada).

Nina Rosario (Leslie Grace) é amiga de Usnavi e uma inteligente garota que saiu de New York para estudar em uma universidade do outro lado do país (Stanford). Ela é o orgulho da comunidade por ter realizado o desejo de muitos que ali moram, saindo do local para alçar voos maiores, mas passou por vários perrengues no campus por ser latina, o que faz abandonar os estudos e voltar para o seu bairro, no qual tem muito orgulho.

Já Vanessa (Melissa Barrera) é uma moça de parar o bairro e trabalha no salão de Daniela (Daphne Rubin-Vega). Seu sonho é sair da região e morar em Manhattan para seguir a carreira na indústria da moda. Usnavi é completamente “amarrado” na morena, e outro momento cômico são as tentativas de chamá-la para sair. Cada bola fora que o dominicano dá que nem o Cupido poderia ajudar nessa.

Outros personagens ganham destaque na trama, como Benny (Corey Hawkins), que trabalha em uma empresa de taxi do pai de Nina, Sr. Rosario (Jimmy Smits). Há uma paixonite entre ele e a filha do chefe. Com o mantra “Paciência e Fé”, Abuela Claudia (Olga Merediz) “adota” todos os moradores do bairro como se fossem seus filhos legítimos, e até o produtor, Lin-Manuel Miranda, faz uma participação nesse carnaval latino ao interpretar um vendedor de raspadinhas – sobremesa feita com gelo picado e xarope de qualquer sabor -, que buscava marcar o seu território contra a concorrência, afinal, o calor naquele pedaço é ‘brabo’.

Além de abordar a independência, a liberdade e os sonhos de cada personagem, a trama mostra a união do povo com o seu bairro, como se fosse o porto seguro de cada um, afinal, quem teria coragem de sair de um local extremamente colorido com as cores das bandeiras dos países latinos e musical para cada ação? Um verdadeiro paraíso!

Drama e mistério também marcam o filme, como os diálogos de Nina com o pai, o dilema de Usnavi de ir para sua terra natal, as ‘DRs’ entre os casais, até o segredo de quem ganhou os US$ 96 mil na loteria, onde o bilhete premiado saiu na mercearia do personagem de Ramos, conseguiu ficar bem amarrado pela roteirista. Tudo com direito a música, muita dança, calourão de 41°C e apagão que transformou o bairro em um verdadeiro caos.

Músicas contagiantes, mistura de ritmos, clima de carnaval – dando certa inveja para nós, que estamos com saudade de uma aglomeração – enredo “pé no chão” no quesito de mostrar vitórias e derrotas de cada um, “Em um Bairro de Nova York” é capaz de cativar até mesmo quem não gosta de musicais, mostra que não há lugar melhor como o nosso lar para dar continuidade na nossa história, e com perseverança, força de vontade, paciência e fé, seus sonhos (ou sueñitos, como é falado no filme) se tornam realidade.