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“Esquadrão Suicida” muda tom dos filmes da DC Comics, mas ainda peca em alguns aspectos

Por Antonio Lemos e Rodrigo Bocatti

 Quando “X-Men: Apocalypse” estreou, eis que apareceu o trailer de “Esquadrão Suicida”. A vontade em assisti-lo foi grande e por conta das cenas de ação e a trilha sonora. Aquilo despertou a minha curiosidade e tive que fazer uma promessa: eu tenho que assistir este filme, pois tem tudo para ser um dos melhores do ano.

Eis que chegou o grande dia, porém, o longa não superou as expectativas. Pelo contrário, deu aquela atropelada na trama dos vilões e as cenas de ação ficaram bem arrastadas. A trilha sonora foi fantástica indo de Creedence Clearwater Revival até Eminem e terminando com a clássica canção do Queen Bohemian Rhapsody”, mas o espaço aqui é para falar do filme e não de música.

"Esquadrão Suicida" muda o tom dos filme da DC Comics, mas não convence com narrativa óbvia. (Foto: Divulgação)
“Esquadrão Suicida” muda o tom dos filme da DC Comics, mas não convence com narrativa óbvia. (Foto: Divulgação)

A primeira meia-hora do filme mostra Amanda Waller (Viola Davis) preocupada em ter um grupo de vilões para salvar a cidade, e, consequentemente o mundo, após a morte do Superman. Ela dirige a Argus, uma agência secreta do governo chamado e cria uma força tarefa ‘suicida’ de super-vilões. O governo norte-americano recruta um grupo de criminosos, formado por Pistoleiro (Will Smith), Arlequina (Margot Robbie), Capitão Bumerangue (Jai Courtney), Crocodilo (Adewale Akinnuoye-Agbaje), Magia (Cara Delevigne), Diablo (Jay Hernandez) e Amarra (Adam Blech) para missões especiais. E Waller não dá ponto sem nó, ela convoca um dos melhores homens que os EUA possui na linha de frente para comandar a missão, Rick Flag (Joe Kinnaman) com sua protetora Katana (Karen Fukuhara). E os vilões são obrigados naquele negócio de “obedece ou morre” em troca de penas mais curtas.

Como a maioria dos vilões/heróis são desconhecidos do público que não acompanha a história em quadrinhos, o longa os apresentou até de certa forma atropelando os flashbacks dos considerados principais e dando um gostinho do Flash (Erza Miller) em cena. Isso tudo fruto das várias refilmagens que o longa foi submetido, por isso, uma “queimada de largada” ao jogar tanta informação de cada um em curto intervalo de tempo.

O destaque para o filme fica para a atuação de Margot Robbie e a sua Arlequina. A atriz encarnou a verdadeira Arlequina e a construção da personagem foi um dos pontos altos, já que ela fez os fãs deliraram com a roupa clássica em que ela foi apresentada na série animada e seu relacionamento com o Coringa (Jared Leto).

Após a atuação de Heath Ledger como o Palhaço do crime em “Batman – O Cavaleiro das Trevas”, ficamos com a imagem dele na cabeça. E muitos fãs ficaram ressabiados com a atuação de Leto, porém o ator foi muito bem no papel e tem tudo para evoluir nos próximos filmes da DC Comics e promete ter uma relação interessante com a Arlequina e com o Batman (Bem Affleck), que tem rápidas aparições no longa.

Outra relação bem construída é entre o Pistoleiro e Rick Flag. Apesar de a liderança ser do soldado, fica claro que Will Smith rouba cena e assume o papel frente a equipe. Os diálogos entre eles são intensos e cheios de ironia, um querendo provocar o outro, mas fica claro que para o bem maior eles se entendem.

Por tudo que era esperado, o filme deixou um pouco a desejar, deixando uma sensação de que David Ayer poderia aproveitar melhor os vilões, dando um final bem burocrático e esperado. O tom do filme mudou depois da recepção da “Batman vs Superman – A Origem da Justiça”, e a DC fez o filme ter um pouco mais de humor e consegue isso naturalmente, mas em alguns momentos é forçado.

Dos longas de heróis que assisti neste ano, fica em 4º ou talvez em 5º no meu top-5. Bem que tentou bater “Guerra Civil”; “X-Men: Apocalypse” e “Deadpool”, mas faltou oxigênio para subir um ou dois degraus. Se serve de consolo, pelo menos pode se contentar em ser (pelo menos na minha visão), um pouquinho melhor do que “Batman vs Superman”.