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Em solo “Cor de Chumbo”, Lilian de Lima é vedete que espera por seu general. E passa os mais de 50 anos de espera por mudanças no Brasil

O espetáculo musical “Cor de Chumbo” faz parte do projeto Teatro Mínimo, uma série de espetáculos intimistas, baseados essencialmente no trabalho de interpretação do ator. A temporada estreia em 9/out e vai até 6/nov. Em cena estão a atriz e o pianista Gustavo Fiel. A direção musical e de Willian Gudes e a direção e dramaturgia da peça é de Milton Morales.

Lilian de Lima apresenta seu novo solo em temporada que começa dia 09 de outubro, no Sesc Ipiranga. (Foto: Divulgação)
Lilian de Lima apresenta seu novo solo em temporada que começa dia 09 de outubro, no Sesc Ipiranga. (Foto: Divulgação)

Sesc Ipiranga recebe o solo que, entre músicas e atrações de uma vedete num cabaré, fala sobre os resquícios da ditadura, militar e civil, que permanecem cravados em nossa sociedade. A atriz (protagonista do premiado “Cantata para um Bastidor de Utopias’ da Cia do Tijolo, em que faz Mariana Piñeda ) interpreta um texto que relembra um país, apaixonado, porém ainda à espera de mudanças.

COR DE CHUMBO se passa no Brasil da década de 70, no entanto os temas, as questões que a peça levanta são absolutamente atuais. Esta fenda larga em nossa educação, este esquema arquitetado pelos engendramentos do poder para omitir e manipular a informação, obriga-nos, mais de 50 anos depois, a continuar falando sobre a ditadura militar e civil brasileira.

É evidente que os resquícios da ditadura permanecem cravados em nossa sociedade nos dias de hoje. Vezes sutis, vezes escancaradas, as condutas de coerção seguem perpetuando um modelo repressor plantado naqueles dias, e que dá frutos hoje ainda. Falar do passado é elucidar o presente e vigiar o futuro. Esse assunto não se esgota porque a ditadura não acabou. Esse assunto não se esgota porque não podemos deixar que aqueles anos de chumbo voltem. Nunca mais.

E se Patrícia pode ser a vedete que espera por seu general, ela pode ser ao mesmo tempo uma nação que espera práticas democráticas mais livres e francas. Patrícia pode ser o artista brasileiro, que espera, que acredita na chegada de uma política cultural verdadeiramente efetiva como instrumento de mudança social. Ou pode ser ainda a amante subjugada, a mulher que espera por um homem, e que submete-se ao abuso e à violência em nome da promessa de uma vida melhor.

Patrícia vive hoje. É artista, é amante, é tantas, é todas. Patrícia canta, deseja, limpa, apanha, canta, ama, canta, canta. Patrícia é Pátria dividida entre a conveniência da ordem estabelecida e uma vontade, ainda que inerte, de mudar tudo ao redor.

Serviço para o roteiro

Temporada – de 9 de outubro a 6 de novembro.

Sextas feiras às 21h30 e sábados às 19h30

Ingressos – R$ 20 inteira, R$ 10 meia e R$ 6 para beneficiários do Sesc.

Indicação etária – 14 anos

Duração: 70 min

Gênero : musical

Sinopse

Cotidiano de uma casa de shows nos anos 70, horas antes de abrir. A casa é gerenciada por Patrícia, uma ex-prostituta que agora faz shows musicais e é a atração principal da casa. Patrícia é amante de um general, que, naquela noite virá assistir ao show. Enquanto ensaia e passa as músicas, acompanhada por um músico, conversa sobre o cotidiano, o medo da violência em tempos de ditadura e seu relacionamento amoroso. Um retrato íntimo dos anos de chumbo no Brasil.

F I C H A T É C N I CA

Atriz, Cantora

Lilian de Lima

Pianista

Gustavo Fiel

Composições inéditas

William Guedes, Milton Morales Filho, Rodrigo Mercadante e Lilian de Lima

Direção musical, arranjos

William Guedes

Texto, direção

Milton Morales Filho

Luz

Aline Santini