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“THE LAST OF US – PARTE II” MARCA O FIM DE UMA GERAÇÃO E ENCERRA A HISTÓRIA COM CHAVE DE OURO – CONFIRA NOSSA ANÁLISE SEM SPOILERS

Por Luigi Buratto

(Foto: Reprodução)

SOBRE O JOGO

Em 2013, o mundo recebia o jogo ‘The Last of Us’, exclusivo para Playstation, produzido pela Naughty Dog e vencedor do maior prêmio (melhor jogo) do The Game Awards. Sete anos depois, veio a tão esperada sequência e, apesar das críticas variadas, ele vem se consolidando como um dos maiores títulos do PS4 até o momento.

Dirigido por Bruce Straley e Neil Druckmann, ‘The Last of Us’ é um jogo de ação-aventura e sobrevivência, que se passa em um mundo pós-apocalíptico onde um fungo mortal (Cordyceps) tomou conta de mais da metade da população, os transformando em zumbis. O game é em terceira pessoa, e na primeira parte o jogador toma controle de Joel, um contrabandista que tem a importante missão de levar uma garota, Ellie, que foi mordida, porém não se tornou infectada, até a base de um grupo militar chamado de Vagalumes, atravessando os Estados Unidos, para tentar desenvolver uma cura para a doença.

‘The Last of Us’ conta com uma mecânica de combate furtivo e uso de armas brancas e de fogo, onde seus inimigos mais mortais nem sempre são os infectados, mas sim os humanos sobreviventes.

RESUMO DO FINAL DA PRIMEIRA PARTE – Este trecho contém spoilers do primeiro jogo!!

Ao final da primeira parte, nós vemos Joel se apegando a Ellie como uma filha, fato que após a morte de Sarah (sua filha de sangue), pensávamos não ser possível. Após uma jornada intensa onde ela salva sua vida e lhe dá esperanças de ser feliz novamente, ele se recusa a entregar a garota para que os médicos e cientistas tentassem fabricar uma cura, já que isso a mataria no processo. Para isso, Joel toma a infeliz decisão de realizar uma chacina no Hospital St. Mary para salvar sua protegida. Ele mata o médico cirurgião responsável pela criação da cura e provavelmente um dos únicos sobreviventes capaz de realizar isso e resgata Ellie inconsciente, fugindo do hospital.

Quando a garota acorda, pergunta a Joel o que aconteceu lá, e ele mente dizendo que não existia nenhuma cura, e que ela não poderia fazer mais nada.

Essa ação tem muitas consequências e é exatamente deste ponto que a segunda parte se desenrola.

(Foto: Reprodução)

O QUE MUDOU DO 1º PARA O 2º GAME?

Após 7 anos e uma geração de diferença (PS3 para o PS4), era de se esperar que muitas coisas fossem aprimoradas para o segundo jogo. Apesar da mudança não ser tão brusca, para não afetar o desenrolar da história, os programadores nos presentearam com alguns aspectos novos que tornaram a ‘The Last of Us’ muito mais dinâmico. O jogador agora pode desviar dos ataques, se jogar no chão e andar rastejando, além de conseguir fabricar uma variedade muito maior de armas e habilidades que promovem uma gama maior de estilos de jogo.

Você pode adotar um estilo totalmente stealth, com arco e flechas, armas com silenciadores e abates furtivos ou ir para o combate, atraindo grandes grupos de inimigos e os detonando com coquetéis molotov, granadas de fumaça e flechas explosivas, além de muito “tiro, porrada e bomba”. A violência e gore em ‘The Last of Us’ adquirem níveis hiper-realistas. Dependendo da arma que você usa, ou do ângulo que você executa os ataques, esguichos de sangue voam na direção do corte, formando avermelhadas poças irregulares, membros são dilacerados e os inimigos imploram por suas vidas caso tenham tomado dano crítico.

(Foto: Reprodução)

Se os gráficos do primeiro jogo já eram de tirar o fôlego, a sequência para Playstation 4 veio para se consolidar como um dos melhores gráficos da geração. Com cenários e biomas variados, ‘The Last of Us – Parte II’ nos leva de montanhas congeladas, florestas verdes, estações de metrô infestadas a porões antigos cheios de esporos e estaladores, em cenas que são tão intensas, que só queremos parar por alguns minutos e tirar alguns prints no modo foto.

(Foto: Reprodução)
(Foto: Reprodução)
(Foto: Reprodução)

A atenção que os desenvolvedores tiveram ao menor nível de detalhes é impressionante, desde a fabricação e upgrade das armas na bancada, a interação com o cenário, os diálogos durante o combate, até a forma como as personagens pegam os objetos e guardam na mochila.

(Foto: Reprodução)

Tudo parece ter sido feito de forma minuciosa, e graças a brilhante técnica de motion capture, que consiste em gravar cenas com atores reais, utilizando pontos de referência para dar maior profundidade e precisão nos movimentos do personagem, nós podemos presenciar uma das melhores cenas in-game que o jogo tem, quando a Ellie para pra tocar seu violão. Muitos fãs e musicistas, inclusive, já usaram desta função para compor e gravar covers de músicas famosas, o que deixou o jogo ainda mais conhecido e viral.

(Foto: Reprodução)

A modelagem dos personagens e zumbis, em ‘The Last of Us’, também sofreu uma significativa evolução, os corredores, infectados, estaladores e vermes ganharam uma aparência mais realista e horrenda, e fomos apresentados a outros tipos de monstros. Não vamos dar spoilers, mas ao contrário do primeiro game, temos até um grande boss na qual será necessário muita estratégia e munição para derrotá-lo.

(Foto: Reprodução)

A HISTÓRIA DE THE LAST OF US PARTE II

Um dos pontos chave do sucesso de vendas, e também da mistura de críticas positivas e negativas, se dá ao fato de que a trama do jogo é algo nunca antes visto no mundo dos games. Trata-se de um roteiro que foge de qualquer clichê, deixa o jogador ansioso, tenso, com raiva e triste. Uma montanha-russa de emoções elaborada pra testar o psicológico até o fim.

The Last of Us – Parte II’ mostra uma história de ódio, da vingança nua e crua, com suas nuances de violência bruta e flashes de romanticismo e humanidade, mas ao mesmo tempo nos conecta com essas emoções, nos fazendo sentir o mesmo que os personagens.

Um dos principais pontos a destacar é que toda ação tem uma consequência e é justamente essa dualidade dos fatos que nos leva a paradoxos de questionamento moral. Não sabemos quem é mau e nem quem é bom, todos são julgados por suas ações e no final aprendemos que ‘’a vingança nunca é plena, mata a alma e a envenena”, como diria Seu Madruga, do seriado Chaves.

VEREDITO

‘The Last of Us – Parte II’ chegou em um momento complicado, onde a natureza humana está em seu ápice, em meio a um caos, portanto, se faz difícil o seu entendimento, que é de extrema necessidade. Entender o jogo é a parte mais importante e se você está jogando, “só por jogar”, então sinto muito, mas ele não é pra você.

Tha Last of Us – Parte II’ não é um jogo apenas para divertir, ele passa mensagens muito poderosas, retrata com fidelidade momentos muito complicados e escolhas difíceis. Com mecânicas interessantes, gráficos surpreendentes e um roteiro que prende, ele é uma das grandes maravilhas desta geração, e com o lançamento do PS5 batendo na porta, muito provavelmente um dos últimos grandes títulos exclusivos.

NOTA 5/5

Hopi Hari: Ainda vale a pena?

Por Luigi Buratto e Thuane Piccolo

HISTÓRIA DO PARQUE

O Hopi Hari é um dos maiores parques de diversão da América Latina, e não só pelo seu tamanho (760 mil metros quadrados), mas também por sua história e cultura. Localizado no município de Vinhedo, no quilômetro 72 da Rodovia dos Bandeirantes, o parque se auto intitula como um país livre e independente, com seu próprio idioma (o Hopês) e personagens, o que faz com que a temática abordada no parque seja única.

O parque foi fundado em meados de 1999, inspirado pelos parques temáticos Magic Kingdom da Disney e desde então sofreu significativas mudanças em sua gestão.

Até 2008, cerca de 15 milhões de pessoas já haviam passado pelo parque, e estima-se que esse número tenha dobrado até então. Porém, mesmo com todo esse volume, o saldo ficava no vermelho. O Hopi Hari se afundava em dívidas, com empréstimos, escândalos, acidentes fatais e após quase ir à falência e entrar com pedido para uma recuperação judicial em 2016, o atual presidente (maio/19) Alexandre Rodrigues, tomou a difícil missão de retomar o parque e reerguê-lo.

Foram anos difíceis e com um futuro incerto, que gera a pergunta entre os antigos e novos frequentadores do parque: “Ainda vale a pena visitar o Hopi Hari”?

2020, UM NOVO COMEÇO

Visitamos o parque na primeira semana de fevereiro de 2020, com baixas expectativas, já que as notícias que ouvíamos eram sempre negativas, e nos deixavam apreensivos quanto à segurança e manutenção dos equipamentos.

Apesar de ser verão e época de férias escolares, em pleno sábado, o parque estava relativamente vazio. Tanto que, mesmo com a pulseira vip para pular as filas dos brinquedos, nós nem precisamos realmente utilizá-la, já que cada fila não durava mais do que 30 minutos.

Ficamos surpresos com a quantidade de brinquedos disponíveis, com relação aos anos anteriores, em que nos deparávamos com apenas algumas atrações livres, enquanto as outras tinham falhas técnicas e estavam fechadas para manutenção, desta vez todos os brinquedos que fomos estavam abertos. Como não haviam muitas filas, conseguimos ir várias vezes em cada atração e pudemos aproveitar o parque ao máximo.

Quanto ao quesito segurança, nota-se nitidamente que o parque está investindo em treinamento de seus funcionários, para garantir que eles façam dupla checagem na hora de realizar os procedimentos antes de liberar o público, e isso nos dá um certo alívio.

A manutenção acontece em tempo real, eles testam os brinquedos várias vezes ao longo do dia, e em cada parada técnica. Algumas vezes precisamos esperar alguns minutos a mais para que eles façam uma nova verificação de determinada atração, e apesar de aumentar o tempo de espera, com certeza nos garante um pouco mais de conforto. O estado dos brinquedos não é 100%, algumas atrações certamente precisam de uma repaginada, uma nova pintura, novos bancos…

O parque conta com 5 áreas distintas, Kaminda Mundi, Mistieri, Wild West, Looney Tunes e Liga da Justiça. Todas elas são tematizadas de acordo com seu “folclore”.

O que mais nos interessou, além das atrações fixas, foram as atividades e “shows” ao vivo que o parque oferece. Desde peças de teatro para crianças e adultos, “Wild West Spetakular” e o espetáculo inédito “Dino: um dinossauro de verdade”, a shows com celebridades do mundo da música, o parque se reinventa transformando seu cotidiano numa agitada metrópole.

NOVIDADES

Entre as novidades de 2020, podemos citar o novo simulador de montanha-russa “Virtual Montezum”. Uma atração 100% projetada pelo parque, cujo objetivo é de proporcionar aos visitantes a sensação de estar na montanha-russa, mas que não podem usar o brinquedo real por problemas de saúde, altura insuficiente ou por medo

Shows e eventos marcam o calendário de 2020 como um ano que promete aos visitantes um local repleto de artistas e histórias diferentes pra contar. Em fevereiro o parque apresentou em sua nova temporada de verão “Hopi Verani”, Simone e Simaria, Gustavo Mioto, Alok, Ludmilla e prometeu um autêntico desfile de escola de samba entre outras atrações.

DESFECHO

O Hopi Hari começa 2020 com o pé direito, fazendo apostas altas, e diminuindo consideravelmente o furo das gestões anteriores. Mesmo com alguns pontos de melhoria para acertar, como ampliar o marketing de suas atrações e uma melhor manutenção dos brinquedos, o parque está se reerguendo como proposto, e nós respondemos à pergunta do título: “Sim, vale a pena visitar o parque e ter uma dose nostálgica dos brinquedos como eles foram em seu auge, e ainda presenciar um local muito ativo, com festas divertidas e atrações para todas as idades”.

O Parque terminou o ano de 2019 com os seguintes balanços:

Visitantes

· 2018: 553.499

· 2019: 732.822

Receita total

· 2018: R$ 55 milhões

· 2019: R$ 75 milhões

Saldo

· 2018: R$ 20 milhões em dívidas

· 2019: R$ 6 milhões em dívidas