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O Pintassilgo – uma história mal aproveitada sobre o luto permanente

Por Renata Lakatos

Caótico; esse é o principal adjetivo atribuído ao longa O Pintassilgo, uma trama baseada no livro homônimo – e vencedor do prêmio Pulitzer de ficção em 2014 – escrito por Danna Tart. Essa característica não precisaria ser algo ruim, mas, infelizmente, é por esse caminho que o filme envereda, decepcionando a crítica e o público, que aguardavam uma grande adaptação vinda das mãos do gabaritado diretor John Crowley.

“O Pintassilgo”. ( Foto: Divulgação)

Centrado na vida de Theo Decker e na morte de sua mãe em um atentado a bomba quando ainda criança, a história tenta mostrar relações de causa e consequência de maneira simultânea, nos apresentando fatos ocorridos na vida de Theo nos dias e meses seguintes à tragédia e pulando sem cerimônias para o resultado deles na vida adulta do protagonista, o que gera uma grande sensação de vazio no espectador, que não encontra fluidez e suavidade no desenrolar e, consequentemente, torna-se incapaz de criar empatia pelo garoto. Nem mesmo um elenco de peso, que conta com Nicole Kidman (sempre ótima), Sarah Paulson (longe de sua zona de conforto, mas muito interessante no papel), Luke Wilson (fraco) e Finn Wolfhard (muito bem), conseguiu despertar algum fascínio.

O quadro título do filme parece ter sido esquecido, sendo pouco mencionado e passando de grande artifício argumentativo a uma imensa interrogação a respeito de sua real representatividade na vida de Theo.

Bruce Springsteen e “A Música da Minha Vida”

Por Renata Lakatos

Recheado de referências políticas, preconceito racial e aceitação de costumes forçada, o filme A Música da Minha Vida traz elementos estranhos àqueles que não estão acostumados com o choque cultural vivido por imigrantes, causando um misto de inquietação e incômodo aos espectadores.

Inspirado no livro de memórias do jornalista Sarfraz Manzoor (Greetings from Bury Park) o filme conta a história do adolescente Javed (Viveik Kalra) – um britânico filho de paquistaneses – da pequena cidade de Luton, Inglaterra, no final da década de 80.

“A música da minha vida” já está nos cinemas. (Foto: Divulgação)

Javed encontra na poesia uma fuga para escapar do preconceito e da intolerância, mas falta-lhe a coragem para enfrentar as inflexibilidades do pai (Kulvinder Ghir), um paquistanês bastante tradicional que deseja que o filho tenha uma vida boa, mas que obedeça às regras por ele estabelecidas sem discussão.

Na escola, seu colega Roops (Aaron Phagura) apresenta-lhe as músicas do “Chefe”, Bruce Springsteen, e Javed encontra nas letras do músico de New Jersey a inspiração que precisava para mudar sua vida, tomando as rédeas do seu pensamento e conseguindo enfrentar o pai para defender suas ideias. Ao mesmo tempo, o jovem se dá conta, com desgosto, dos abusos que sofrem da sociedade da época pelo simples fato de serem imigrantes, tendo que lidar com o ódio e provocações diariamente.

A Música da Minha Vida é um filme incrível, que traz uma trilha sonora magnífica como pano de fundo para uma história rica e muito bem construída.