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Na contramão da pandemia, publicitário extravasa a criatividade criando cenários incríveis

Estimulado pela cultura pop, Régis Mathias mostra o processo criativo de artes inspiradas em filmes, séries e jogos que o auxiliam a se manter em evolução durante o isolamento social

Régis faz Speed Art com cenários da cultura Pop. (Foto: divulgação)

O mundo do entretenimento e a cultura pop têm o poder de influenciar o comportamento do público e servem como estímulo para a criatividade de muitas pessoas. Ideias retiradas de filmes, séries e jogos eletrônicos são usadas com frequência como base de processos criativos interessantes e, até mesmo, como fonte de inspiração para profissionais de áreas que vão da engenharia à comunicação.

Régis Mathias é um desses profissionais que encontrou na Speed Art a liberdade para criar e elaborar projetos seguindo suas próprias ideias, sem precisar dosá-las. Publicitário de formação, construiu seu canal do Youtube como uma válvula de escape, onde mostra o seu processo criativo a partir de ideias inspiradas nas telas do cinema, músicas e, até mesmo, de jogos e quebra-cabeças. Além disso, a prática o ajuda a se manter em constante evolução durante o isolamento social, uma vez que em nenhum momento deixou de alimentar sua criatividade, utilizando os estímulos visuais que estivessem disponíveis.

Seus vídeos já publicados também evoluíram durante a pandemia. A audiência do seu canal aumentou significativamente, o vídeo “Expecto Patronum”, inspirado no mundo de Harry Potter, por exemplo, teve um crescimento de 100% nas visualizações diárias. Durante o isolamento social, Régis também desenvolveu maior inspiração, como na manipulação “Crushed Kingdom“, inspirada em Candy Crush, onde ele construiu uma maquete com doces de verdade, papel-marchê e uma técnica de escultura em papel chamada quilling.

Como tudo começou

O artista se aventurou no programa de criação Photoshop aos 15 anos de idade, para expressar a paixão por uma série, desenvolvendo wallpapers e banners. Autodidata, aprendeu a prática por meio de tutoriais na internet e assistindo a outros vídeos já gravados que abordavam a técnica. “Essa habilidade me levou a escolher a faculdade de Propaganda e Marketing alguns anos depois, mas, com pouco tempo livre, precisei me afastar um pouco desse hobby para dar conta das demandas diárias”, comentou Régis Mathias.

Vinte anos depois, aos 35 anos, voltou à prática como uma espécie de válvula de escape da vida cotidiana, já que profissionalmente, as ideias de profissional e cliente raramente caminham juntas. As horas criando funcionavam como uma terapia, uma vez que era necessário seguir as orientações do cliente e, nem sempre, iam de acordo com o que ele imaginava e achava visualmente atrativo.

Logo que retornou, percebeu que, embora tinha bastante desenvoltura e conhecimento, sua técnica estava extremamente limitada. Isso foi o empurrão que precisava para recuperar o tempo perdido e atualizar muitas das suas técnicas e da sua visão. Aliás, uma dica do creator é que as pessoas interessadas se mantenham em constante atualização, uma vez que novas ferramentas para esse tipo de trabalho surgem a cada dia e a arte, por mais subjetiva que possa ser, sempre tem espaço para evoluir.

Harry Potter também foi homenageado por Régis. (Foto: divulgação)

A inspiração vem de todos os lados

Régis explica que as ideias podem vir de qualquer lugar e qualquer momento: assistindo um filme, jogando videogame, ouvindo uma música. O conceito surge na mente e é quando se inicia o processo de construção da imagem, tendo como inspiração os pôsteres de filmes e trailers que tanto marcaram a sua infância. A média de construção de uma imagem vai de dois dias, como a criação de Arabian Nights, até dois meses, como foi com Exit Strategy, uma vez que todo o processo depende da disponibilidade de imagens e o quão complexa é uma cena.

Muitas dessas imagens partem de um storytelling: algo acontece, vemos na imagem o presente se desenrolando, e supomos qual será o final. Com a imagem pronta na sua cabeça, inicia-se a busca pelos assets (as imagens que compõem a manipulação), e nessa parte vale tudo: roubar uma árvore de uma foto, o céu de outra, mesclar tudo e construir um horizonte, e assim vai. A última coisa que acrescenta é a sua própria foto. “Comecei a usar minhas próprias fotos como modelo, assim consigo ter mais controle sobre perspectiva, luz, pose e até mesmo atitude, deixando mais fácil o já tão complexo trabalho de fazer uma manipulação de imagem”, comenta Régis.

Por encarar a produção do canal no Youtube como uma válvula de escape de um publicitário que passou a vida ouvindo de clientes “aumenta o logo e o telefone”, não investiu em parcerias com marcas, afinal, se um cliente ou alguma empresa entra na equação, ele acaba perdendo a liberdade que é justamente o que lhe dá tanto prazer em produzir. Mas é claro que isso pode mudar um dia, caso as ideias entre criador e marca estejam em sinergia.

Em todo vídeo novo publicado, recebe dois ou três pedidos de orçamento (sem contar aqueles que pedem que algo seja criado de graça) de empresas e, embora se sinta extremamente honrado pelo interesse, sempre acaba rejeitando as propostas. Realmente não é uma situação que o deixa cômodo. “Seria como montar um quebra-cabeça com metade das peças da minha caixa e a outra metade da caixa do cliente ou da empresa. Então eu fico bem feliz em ter o canal somente como hobby, sabendo que usando as minhas peças, o resultado final vai ser exatamente o que eu tinha em mente”, finaliza.