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5 COISAS QUE TODO GAMER RAIZ DEVERIA SABER

Por Luigi Buratto

Existem dois tipos de pessoas entre nós: as que se consideram gamers e as que já jogam casualmente. O que as difere?

São as horas gastas em frente à tela? As partidas competitivas e seus respectivos rankings? O número de jogos que já zerou?

Tudo isso pode ser considerado, claro, porém o que mais se sobressai quando comparamos as duas são as habilidades intrínsecas desenvolvidas após longos anos calejados jogando os mais diversos títulos.

Todos os jogos são diferentes, possuem variados estilos, histórias e mecânicas, mas existem alguns elementos que são sempre iguais. Eles são os fundamentos e a base de todo o game. É na percepção deles, de forma natural e inconsciente, que o verdadeiro gamer se destaca.

Abaixo listamos alguns itens que a maioria dos jogos possui e que se você vai identificar de cara qual é o propósito deles.

Leia mais:

  1. Paredes destrutíveis
Lords of the Fallen. (Foto: reprodução)

Você está perambulando por um castelo, fugindo de seus inimigos ou procurando tesouros e recompensas, então encontra uma parede com marcas de destruição, parece que foi martelada, ou levou um soco de uma criatura enorme. Mas o que poderia ser isso? Um “não-gamer” talvez associaria tal fato a um elemento decorativo do game, não faria muita questão de ficar por perto. Já o gamer raiz só de bater o olho sabe exatamente o que isso significa. Por trás dessa parede existe um tesouro, um baú cheio de moedas, uma nova arma, poções de vida ou experiência.

Alguns jogos são mais sutis, porém outros ,como Lords of the Fallen, deixam escancarado que aquela é uma parede destrutível.

Há décadas os desenvolvedores perceberam que precisavam criar alguma estratégia que fizesse o jogador passar mais tempo nas fases, afinal de contas os designers gastaram um tempão criando todo o mapa para que no final ele fosse apenas um caminho de passagem e que ninguém perceberia a riqueza dos detalhes. Foi aí que começaram a colocar itens importantes escondidos, que poderiam mudar ou ajudar no curso da jogatina, para que os jogadores precisassem explorar cada vez mais aquele nível, em busca de artefatos e riquezas que os ajudariam na jornada.

2. Barris explosivos

Breath of the Wild. (Foto: reprodução)

Novidade pra quase ninguém, barris vermelhos com desenhos de caveiras, símbolos de tóxico ou de perigo são poderosas armas na hora da ação.

Quase todo jogo, seja de FPS, aventura, ação, sobrevivência ou terror, possui esse objeto destruidor. Geralmente úteis quando um grande grupo de inimigos se aproxima, os barris explosíveis são campeões de tempo em tela.

Você está lutando contra uma horda de zumbis e está com pouca munição e então entra numa sala fechada e pensa que é o seu fim, quando de repente dá de cara com um barril vermelho, sorte grande! Agora basta agrupar o máximo de inimigos que conseguir e “kabum”, o estrago está feito. Só não vale errar os tiros, ou ficar muito perto na hora da explosão.

3. Paredes escaláveis

Uncharted 4. (Foto: reprodução)

Este elemento apesar de estar infundido há gerações está cada vez mais perdendo seu espaço nos games da atualidade. Jogos como Assassin’s Creed não utilizam mais este conceito, porque você pode escalar em literalmente tudo.

Porém ainda existem títulos que trazem uma variação perceptível no cenário que te fazem se perguntar: será que eu posso subir ali?

Games como das franquias Uncharted e Tomb Raider, que não possuem o “mundo aberto”, utilizam desta técnica para identificar quais são as paredes que você pode escalar, pois em determinados momentos você precisará seguir para cima. Seja num edifício sem escadas, em montanhas íngremes ou arquiteturas colossais em ruínas.

4. AutoSave e loot em excesso

Resident Evil 2; (Foto: reprodução)

Este combo é um clássico para os amantes de jogos de terror. Você está com pouco recursos, já enfrentou diversos inimigos pelo caminho e sua vida está baixa. De repente entra numa sala e o jogo salva automaticamente, do nada aparecem poções para você se curar e um monte de munição para se reabastecer.  Por que o jogo está sendo tão bonzinho comigo?

Inocente é quem deixa se enganar por esse ato de benevolência dos desenvolvedores. Os gamers de verdade sabem exatamente o que isso significa: Boss Fight!

Ao contrário de inimigos normais, os chefões possuem uma barra de vida enorme e não são derrotados facilmente. Você precisa se equipar com armas mais poderosas, granadas e outros itens que o ajudem a passar de fase. Caso você morra, o jogo reinicia exatamente no momento antes do confronto.

Por isso agora você já sabe, o jogo salvou sozinho e apareceram muito itens? É bom se preparar psicologicamente.

5. Enquanto houver música tensa…

The Last of Us 2. (Foto: divulgação)

Todo jogo de ação tem aquela cena onde o(a) personagem principal enfrenta um bando de inimigos sozinho de uma vez. Você pode não reparar, porém uma música tensa começa a tocar no fundo logo antes ou talvez no início do confronto. O que muitos gamers já observaram é que por mais que você ache que limpou o campo de batalha e derrotou todo mundo, isso só te torna verdade quando a música acaba.

Aquele último soldado foi finalizado, você começa a saquear os corpos e terminar de explorar o ambiente, porém percebe que a música tensa continua tocando no fundo. Mas como? Eu já eliminei todas as ameaças. Não tem mais ninguém vivo.

Você fica com aquela sensação de ameaça iminente, de que algo ainda está por vir… É aí que você descobre que um dos NPCs ficou preso na entrada do cenário ou estava se escondendo em outro ambiente e aí quando finalmente você o mata, a música para.

Por isso é fato, enquanto houver música tensa no fundo, ainda existem inimigos à espreita.

Existem vários outros elementos clichês que rondam o universo dos videogames e nós só contamos uma parte. Deixe um comentário dizendo qual elemento você sempre observa nos games e que nós deixamos de fora.

“THE LAST OF US – PARTE II” MARCA O FIM DE UMA GERAÇÃO E ENCERRA A HISTÓRIA COM CHAVE DE OURO – CONFIRA NOSSA ANÁLISE SEM SPOILERS

Por Luigi Buratto

(Foto: Reprodução)

SOBRE O JOGO

Em 2013, o mundo recebia o jogo ‘The Last of Us’, exclusivo para Playstation, produzido pela Naughty Dog e vencedor do maior prêmio (melhor jogo) do The Game Awards. Sete anos depois, veio a tão esperada sequência e, apesar das críticas variadas, ele vem se consolidando como um dos maiores títulos do PS4 até o momento.

Dirigido por Bruce Straley e Neil Druckmann, ‘The Last of Us’ é um jogo de ação-aventura e sobrevivência, que se passa em um mundo pós-apocalíptico onde um fungo mortal (Cordyceps) tomou conta de mais da metade da população, os transformando em zumbis. O game é em terceira pessoa, e na primeira parte o jogador toma controle de Joel, um contrabandista que tem a importante missão de levar uma garota, Ellie, que foi mordida, porém não se tornou infectada, até a base de um grupo militar chamado de Vagalumes, atravessando os Estados Unidos, para tentar desenvolver uma cura para a doença.

‘The Last of Us’ conta com uma mecânica de combate furtivo e uso de armas brancas e de fogo, onde seus inimigos mais mortais nem sempre são os infectados, mas sim os humanos sobreviventes.

RESUMO DO FINAL DA PRIMEIRA PARTE – Este trecho contém spoilers do primeiro jogo!!

Ao final da primeira parte, nós vemos Joel se apegando a Ellie como uma filha, fato que após a morte de Sarah (sua filha de sangue), pensávamos não ser possível. Após uma jornada intensa onde ela salva sua vida e lhe dá esperanças de ser feliz novamente, ele se recusa a entregar a garota para que os médicos e cientistas tentassem fabricar uma cura, já que isso a mataria no processo. Para isso, Joel toma a infeliz decisão de realizar uma chacina no Hospital St. Mary para salvar sua protegida. Ele mata o médico cirurgião responsável pela criação da cura e provavelmente um dos únicos sobreviventes capaz de realizar isso e resgata Ellie inconsciente, fugindo do hospital.

Quando a garota acorda, pergunta a Joel o que aconteceu lá, e ele mente dizendo que não existia nenhuma cura, e que ela não poderia fazer mais nada.

Essa ação tem muitas consequências e é exatamente deste ponto que a segunda parte se desenrola.

(Foto: Reprodução)

O QUE MUDOU DO 1º PARA O 2º GAME?

Após 7 anos e uma geração de diferença (PS3 para o PS4), era de se esperar que muitas coisas fossem aprimoradas para o segundo jogo. Apesar da mudança não ser tão brusca, para não afetar o desenrolar da história, os programadores nos presentearam com alguns aspectos novos que tornaram a ‘The Last of Us’ muito mais dinâmico. O jogador agora pode desviar dos ataques, se jogar no chão e andar rastejando, além de conseguir fabricar uma variedade muito maior de armas e habilidades que promovem uma gama maior de estilos de jogo.

Você pode adotar um estilo totalmente stealth, com arco e flechas, armas com silenciadores e abates furtivos ou ir para o combate, atraindo grandes grupos de inimigos e os detonando com coquetéis molotov, granadas de fumaça e flechas explosivas, além de muito “tiro, porrada e bomba”. A violência e gore em ‘The Last of Us’ adquirem níveis hiper-realistas. Dependendo da arma que você usa, ou do ângulo que você executa os ataques, esguichos de sangue voam na direção do corte, formando avermelhadas poças irregulares, membros são dilacerados e os inimigos imploram por suas vidas caso tenham tomado dano crítico.

(Foto: Reprodução)

Se os gráficos do primeiro jogo já eram de tirar o fôlego, a sequência para Playstation 4 veio para se consolidar como um dos melhores gráficos da geração. Com cenários e biomas variados, ‘The Last of Us – Parte II’ nos leva de montanhas congeladas, florestas verdes, estações de metrô infestadas a porões antigos cheios de esporos e estaladores, em cenas que são tão intensas, que só queremos parar por alguns minutos e tirar alguns prints no modo foto.

(Foto: Reprodução)
(Foto: Reprodução)
(Foto: Reprodução)

A atenção que os desenvolvedores tiveram ao menor nível de detalhes é impressionante, desde a fabricação e upgrade das armas na bancada, a interação com o cenário, os diálogos durante o combate, até a forma como as personagens pegam os objetos e guardam na mochila.

(Foto: Reprodução)

Tudo parece ter sido feito de forma minuciosa, e graças a brilhante técnica de motion capture, que consiste em gravar cenas com atores reais, utilizando pontos de referência para dar maior profundidade e precisão nos movimentos do personagem, nós podemos presenciar uma das melhores cenas in-game que o jogo tem, quando a Ellie para pra tocar seu violão. Muitos fãs e musicistas, inclusive, já usaram desta função para compor e gravar covers de músicas famosas, o que deixou o jogo ainda mais conhecido e viral.

(Foto: Reprodução)

A modelagem dos personagens e zumbis, em ‘The Last of Us’, também sofreu uma significativa evolução, os corredores, infectados, estaladores e vermes ganharam uma aparência mais realista e horrenda, e fomos apresentados a outros tipos de monstros. Não vamos dar spoilers, mas ao contrário do primeiro game, temos até um grande boss na qual será necessário muita estratégia e munição para derrotá-lo.

(Foto: Reprodução)

A HISTÓRIA DE THE LAST OF US PARTE II

Um dos pontos chave do sucesso de vendas, e também da mistura de críticas positivas e negativas, se dá ao fato de que a trama do jogo é algo nunca antes visto no mundo dos games. Trata-se de um roteiro que foge de qualquer clichê, deixa o jogador ansioso, tenso, com raiva e triste. Uma montanha-russa de emoções elaborada pra testar o psicológico até o fim.

The Last of Us – Parte II’ mostra uma história de ódio, da vingança nua e crua, com suas nuances de violência bruta e flashes de romanticismo e humanidade, mas ao mesmo tempo nos conecta com essas emoções, nos fazendo sentir o mesmo que os personagens.

Um dos principais pontos a destacar é que toda ação tem uma consequência e é justamente essa dualidade dos fatos que nos leva a paradoxos de questionamento moral. Não sabemos quem é mau e nem quem é bom, todos são julgados por suas ações e no final aprendemos que ‘’a vingança nunca é plena, mata a alma e a envenena”, como diria Seu Madruga, do seriado Chaves.

VEREDITO

‘The Last of Us – Parte II’ chegou em um momento complicado, onde a natureza humana está em seu ápice, em meio a um caos, portanto, se faz difícil o seu entendimento, que é de extrema necessidade. Entender o jogo é a parte mais importante e se você está jogando, “só por jogar”, então sinto muito, mas ele não é pra você.

Tha Last of Us – Parte II’ não é um jogo apenas para divertir, ele passa mensagens muito poderosas, retrata com fidelidade momentos muito complicados e escolhas difíceis. Com mecânicas interessantes, gráficos surpreendentes e um roteiro que prende, ele é uma das grandes maravilhas desta geração, e com o lançamento do PS5 batendo na porta, muito provavelmente um dos últimos grandes títulos exclusivos.

NOTA 5/5